No Campeonato Carioca de 1971, o Botafogo teve uma participação marcante e
dominante, mas que terminou como vice-campeão de forma altamente controversa e
dolorosa para a sua torcida.
Com um elenco estelar que passou a ser chamado de "Selefogo", que
contava com os campeões mundiais de 1970 Carlos Alberto Torres, Brito, Jairzinho
(um dos principais nomes da equipe, marcando seis gols, acabou sofrendo uma
fratura na perna direita na reta final e não pôde atuar na partida decisiva) e
Paulo César Lima, o Alvinegro liderou grande parte do campeonato e era o
favorito absoluto. Paulo César Lima foi o artilheiro da competição, com 11
gols.
A três rodadas do fim do octogonal decisivo (segundo turno), o Botafogo
sustentava uma confortável liderança com quatro pontos de vantagem sobre o
Fluminense (em uma época em que a vitória valia dois pontos).
No dia 10 de junho, o Botafogo vence o Olaria, por 3 x 2. Dois dias depois, o
Fluminense derrota o América, por 3 x 1. A contagem de pontos fica assim:
Botafogo 28, Fluminense 24.
O Fluminense venceu o Vasco da Gama no dia 16 de junho e somou mais dois
pontos, passando a ter 26.
Em 19 de junho, o Botafogo empatou em 1 x 1 com o América. No dia seguinte, o
Fluminense venceu o Flamengo por 2 x 0. A diferença passou a ser de 29 a 28
para o Botafogo.
No dia 27 de junho de 1971, Botafogo e Fluminense se enfrentaram no Maracanã
diante de mais de 140 mil torcedores. Por ter um ponto a mais, o Botafogo
dependia apenas de um empate para erguer a taça.
O placar seguiu 0 x 0 até os 43 minutos do segundo tempo, quando ocorreu o
lance polêmico e crucial.
O lateral tricolor Oliveira cruzou a bola na área. O lateral Marco Antônio, do
Fluminense, subiu e chocou-se frontalmente com o goleiro alvinegro Ubirajara
Motta. O Botafogo reclamou de uma falta violenta e clara, empurrão no goleiro,
que acabou soltando a bola. O ponteiro Lula aproveitou a sobra e empurrou para
o fundo das redes. O árbitro José Marçal Filho validou o gol, sacramentando a
vitória do Fluminense por 1 x 0 e a perda do título alvinegro.
O lance é lembrado até hoje como um dos erros de arbitragem mais famosos do
futebol brasileiro.

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