sábado, 26 de setembro de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Cao


Luiz Carlos Pires de Queiroz, o Cao, nasceu em Pelotas (RS), no dia 26 de setembro de 1945.
Cao começou a sua trajetória em equipes amadoras da região de Pelotas e chegou a ter uma breve passagem pela base do Esporte Clube Pelotas.
Em meados de 1964, antes de completar 19 anos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi integrado à categoria de juvenis do São Cristóvão. Foi jogando o torneio estadual dessa categoria que ele chamou a atenção de grandes clubes do Rio de Janeiro. Fechou com o Botafogo em 1965, ainda como juvenil.
Tendo o lendário goleiro Manga como titular incontestável na equipe, o Botafogo foi buscar no São Cristóvão um reserva para ele. Cao passou um bom tempo na equipe de aspirantes e no banco de reservas.
Sua primeira oportunidade na meta do Botafogo aconteceu no Torneio Início do Campeonato Carioca de 1965, disputado no Maracanã, no dia 7 de setembro de 1965. O Botafogo estreou no quarto jogo do dia, contra o América. No tempo regulamentar, empate em 0 x 0. Na segunda série de pênaltis, o América venceu por 3 x 2. Uma equipe formada de aspirantes e juvenis representou o Botafogo nessa competição: Cao, Ciro, Chiquinho Pastor, Carlos Alberto Lopes e Moreira; Elton e Maurício; Canavieira, Humberto Redes, Turcão e Arthur.
Ainda em 1965, foi o goleiro que mais vezes atuou (seis jogos) no time que conquistou o Campeonato Carioca de Aspirantes. O Botafogo disputou 14 jogos, vencendo 10, empatando 3 e perdendo apenas um. Marcou 28 gols e sofreu 10. Revezando na meta do Botafogo com Hélio Dias, os demais jogadores que formaram a equipe base do Botafogo foram: Mura, Chiquinho Pastor, Adevaldo e Dimas; Elton e Ayrton; Zélio, Humberto Redes, Afonsinho e Roberto Abrussezze.
Partidas na equipe principal foram três em 1965, a primeira delas no dia 7 de novembro, no estádio de General Severiano, no empate em 1 x 1 com o América (RJ), válido pelo Campeonato Carioca. A equipe do Botafogo formou assim: Cao, Joel, Zé Carlos, Carlos Alberto e Rildo; Marcos e Afonsinho; Jairzinho, Sicupira, Bianchini e Zagalo. Técnico: Daniel Pinto.

Disputou 27 jogos em 1966 (quando fez parte do elenco que conquistou o Torneio Rio-São Paulo deste ano) e apenas oito em 1967. Mesmo na reserva, integrou o elenco campeão da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca de 1967, além do Torneio Início.
Com a saída de Manga para o Nacional, do Uruguai, em 1968, Cao assumiu em definitivo a camisa 1 do Botafogo. Foi o goleiro titular na conquista da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca de 1968 e da Taça Brasil do mesmo ano (posteriormente reconhecido como Campeonato Brasileiro), o primeiro título nacional oficial da história do Botafogo. além de torneios nacionais e internacionais.
Teve uma rápida transferência para o Grêmio em 1971 (ano em que jogou apenas cinco partidas amistosas pelo Botafogo), mas sua passagem pelo clube gaúcho acabou prejudicada por uma grave lesão no joelho.
Já recuperado, retornou ao Botafogo, onde foi vice-campeão brasileiro em 1972 e disputou a Taça Libertadores da América de 1973.
Ao todo, até 1974, somou 203 partidas defendendo o clube carioca.
Sua última partida foi em 19 de maio de 1974, na Fonte Nova, em Salvador (BA), com derrota de 3 x 1 para o Vitória (BA), pelo Campeonato Brasileiro. Formou o Botafogo com Cao, Miranda, Mauro Cruz, Waltencir e Nei Dias; Carbone, Carlos Roberto (Marco Aurélio) e Ademir Vicente; Puruca, Fischer e Nilson Dias (Tuca). Técnico: Paulistinha.
Em 1974 mudou-se para o Nordeste para jogar pelo CSA, de Maceió (AL), no Campeonato Brasileiro daquele ano. O goleiro titular era Rafael e Cao ficou mais vezes na reserva.
Curiosamente, na equipe do CSA estavam ex-jogadores do Botafogo, tais como Nei Conceição, Ferretti e Torino.
Depois, passou pelo Dom Bosco, de Cuiabá (MT), nos anos de 1976 a 1979, e encerrou a sua trajetória profissional no mesmo São Cristóvão que começou sua carreira, em 1980.
Cao chegou a fazer parte da lista de convocados para a Seleção Brasileira que se preparava para a Copa do Mundo de 1970, no México.
No início de 1980, Cao integrou uma comissão técnica formada inteiramente por profissionais brasileiros que se transferiu para atuar nos Emirados Árabes Unidos. Ele trabalhou como auxiliar-técnico e preparador, aproveitando sua vasta experiência na posição de goleiro para desenvolver atletas no exterior.
Posteriormente, retornou para a sua cidade natal, onde administrou uma propriedade rural e dedicou seus últimos anos coordenando uma escolinha de futebol voltada para jovens locais.
Faleceu aos 76 anos, em decorrência de um aneurisma cerebral, no dia 13 de julho de 2022.










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