Cao começou a sua trajetória em equipes amadoras da região de Pelotas e chegou
a ter uma breve passagem pela base do Esporte Clube Pelotas.
Em meados de 1964, antes de completar 19 anos, transferiu-se para o Rio de
Janeiro, onde foi integrado à categoria de juvenis do São Cristóvão. Foi
jogando o torneio estadual dessa categoria que ele chamou a atenção de grandes
clubes do Rio de Janeiro. Fechou com o Botafogo em 1965, ainda como juvenil.
Tendo o lendário goleiro Manga como titular incontestável na equipe, o Botafogo
foi buscar no São Cristóvão um reserva para ele. Cao passou um bom tempo na
equipe de aspirantes e no banco de reservas.
Sua primeira oportunidade na meta do Botafogo aconteceu no Torneio Início do
Campeonato Carioca de 1965, disputado no Maracanã, no dia 7 de setembro de
1965. O Botafogo estreou no quarto jogo do dia, contra o América. No tempo
regulamentar, empate em 0 x 0. Na segunda série de pênaltis, o América venceu
por 3 x 2. Uma equipe formada de aspirantes e juvenis representou o Botafogo
nessa competição: Cao, Ciro, Chiquinho Pastor, Carlos Alberto Lopes e Moreira; Elton
e Maurício; Canavieira, Humberto Redes, Turcão e Arthur.
Ainda em 1965, foi o goleiro que mais vezes atuou (seis jogos) no time que
conquistou o Campeonato Carioca de Aspirantes. O Botafogo disputou 14 jogos,
vencendo 10, empatando 3 e perdendo apenas um. Marcou 28 gols e sofreu 10. Revezando
na meta do Botafogo com Hélio Dias, os demais jogadores que formaram a equipe
base do Botafogo foram: Mura, Chiquinho Pastor, Adevaldo e Dimas; Elton e
Ayrton; Zélio, Humberto Redes, Afonsinho e Roberto Abrussezze.
Partidas na equipe principal foram três em 1965, a primeira delas no dia 7 de
novembro, no estádio de General Severiano, no empate em 1 x 1 com o América
(RJ), válido pelo Campeonato Carioca. A equipe do Botafogo formou assim: Cao,
Joel, Zé Carlos, Carlos Alberto e Rildo; Marcos e Afonsinho; Jairzinho,
Sicupira, Bianchini e Zagalo. Técnico: Daniel Pinto.
Disputou 27 jogos em 1966 (quando fez parte do elenco que conquistou o Torneio
Rio-São Paulo deste ano) e apenas oito em 1967. Mesmo na reserva, integrou o
elenco campeão da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca de 1967, além do
Torneio Início.
Com a saída de Manga para o Nacional, do Uruguai, em 1968, Cao assumiu em
definitivo a camisa 1 do Botafogo. Foi o goleiro titular na conquista da Taça
Guanabara e do Campeonato Carioca de 1968 e da Taça Brasil do mesmo ano (posteriormente
reconhecido como Campeonato Brasileiro), o primeiro título nacional oficial da
história do Botafogo. além de torneios nacionais e internacionais.
Teve uma rápida transferência para o Grêmio em 1971 (ano em que jogou apenas
cinco partidas amistosas pelo Botafogo), mas sua passagem pelo clube gaúcho
acabou prejudicada por uma grave lesão no joelho.
Já recuperado, retornou ao Botafogo, onde foi vice-campeão brasileiro em 1972 e
disputou a Taça Libertadores da América de 1973.
Ao todo, até 1974, somou 203 partidas defendendo o clube carioca.
Sua última partida foi em 19 de maio de 1974, na Fonte Nova, em Salvador (BA), com
derrota de 3 x 1 para o Vitória (BA), pelo Campeonato Brasileiro. Formou o
Botafogo com Cao, Miranda, Mauro Cruz, Waltencir e Nei Dias; Carbone, Carlos Roberto
(Marco Aurélio) e Ademir Vicente; Puruca, Fischer e Nilson Dias (Tuca). Técnico:
Paulistinha.
Em 1974 mudou-se para o Nordeste para jogar pelo CSA, de Maceió (AL), no
Campeonato Brasileiro daquele ano. O goleiro titular era Rafael e Cao ficou
mais vezes na reserva.
Curiosamente, na equipe do CSA estavam ex-jogadores do Botafogo, tais como Nei
Conceição, Ferretti e Torino.
Depois, passou pelo Dom Bosco, de Cuiabá (MT), nos anos de 1976 a 1979, e encerrou
a sua trajetória profissional no mesmo São Cristóvão que começou sua carreira,
em 1980.
Cao chegou a fazer parte da lista de convocados para a Seleção Brasileira que se
preparava para a Copa do Mundo de 1970, no México.
No início de 1980, Cao integrou uma comissão técnica formada inteiramente por
profissionais brasileiros que se transferiu para atuar nos Emirados Árabes
Unidos. Ele trabalhou como auxiliar-técnico e preparador, aproveitando sua
vasta experiência na posição de goleiro para desenvolver atletas no exterior.
Posteriormente, retornou para a sua cidade natal, onde administrou uma
propriedade rural e dedicou seus últimos anos coordenando uma escolinha de
futebol voltada para jovens locais.
Faleceu aos 76 anos, em decorrência de um aneurisma cerebral, no dia 13 de
julho de 2022.






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