domingo, 30 de agosto de 2026

A HISTÓRIA DO TROFÉU ELIHU ROOT


O primeiro troféu conquistado pelo futebol carioca foi o artístico e rico bronze "Elihu Root", instituído por Jorge Tibiriçá, Governador do Estado de São Paulo, em 1906, para ser disputado pelos combinados carioca e paulista, em homenagem ao Secretário de Estado dos Estados Unidos (governo de Theodore Roosevelt), que estava em visita diplomática ao Brasil para participar de uma conferência no Rio de Janeiro. Por seus amplos trabalhos em prol da paz internacional, Elihu Root receberia anos mais tarde o Prêmio Nobel da Paz de 1912.
O futebol paulista era mais adiantado e, consequentemente, mais organizado que o carioca, pois o seu primeiro campeonato fora realizado em 1902, enquanto que o do Rio de Janeiro havia começado em 1906.
Regressando de São Paulo, José da Rocha Gomes, Vice-Presidente do Football and Athletic Club, um dos disputantes do campeonato carioca, trouxe o convite para o jogo que seria realizado em um sábado, 4 de agosto de 1906.
Francis Walter, um dos fundadores do Fluminense F. C. e que era o Presidente da Liga Metropolitana de Foot-Ball, não teve dúvidas em aceitar ao convite e, em combinação com Souza Ribeiro, Presidente do Botafogo F. C., resolveu que o time a seguir seria um combinado Fluminense e Botafogo. Isto, naquela época, era o mesmo que a seleção carioca.
Todavia, para o dia 1º de agosto estava marcado o primeiro jogo do 2º turno do certame carioca, justamente entre Fluminense e o Paysandu, os dois ponteiros da tabela. O regulamento não permitia adiamento de qualquer jogo oficial, senão em caso de absoluta impossibilidade de ser realizado.
Por isso, o Fluminense resolveu não ceder seus jogadores. A Liga, evidentemente, nem pensou nos jogadores do Paysandu, pelo mesmo motivo. O jogo era considerado uma aventura. Dizia-se que o escrete carioca não poderia de forma alguma fazer figura regular contra o poderoso combinado paulista. Falava-se até em desistência, quando Souza Ribeiro resolveu manter a palavra da Liga e responsabilizar-se pelo time. Decidiu, então, a entidade, entregar o assunto ao Presidente do Botafogo e ao Vice-Presidente do Athletic, José da Rocha Gomes.
Dentre os jogadores convidados para fazerem parte do time, apenas três aceitaram: Conrado Mutzembecher e C. Calvert, do Rio Cricket, e Armindo Motta, do Athletic.
Apenas com esses três reforços embarcou o time do Botafogo, com apenas dois anos de vida, para o sacrifício ou para a glória. Nota interessante da excursão é que a missão viajou com indumentária mais ou menos igual e todos com chapéus de palha (palheta como se chamava), cuja fita era preta e branca.

O Botafogo teve uma atuação considerada heróica. Apesar de sair atrás no primeiro tempo com um gol de Vevé para os paulistas, o Glorioso virou a partida na segunda etapa. Com gols de Flávio Ramos e Ataliba Sampaio (este em passe de Gilbert Hime), o Botafogo venceu por 2 x 1. Essa vitória marcou a primeira vez na história que um clube brasileiro derrotou uma seleção estadual.
Ao término da partida, o próprio Secretário de Estado norte-americano, Elihu Root, desceu para entregar pessoalmente a imponente taça de bronze ao capitão e zagueiro alvinegro, Octávio Werneck.

BOTAFOGO 2 x 1 COMBINADO PAULISTA
sábado, 4 de agosto de 1906
Local: Velódromo Paulista, São Paulo (SP)
Árbitro: Raphael Sampaio (da A. A. das Palmeiras)
Gols: Vevé para o combinado paulista e Flávio Ramos e Ataliba Sampaio para o Botafogo
BOTAFOGO: Álvaro Werneck, João Leal e Octávio Werneck; José Fernando Macedo Soares, C. Calvert e Conrado Mutzembecher; Norman Hime, Flávio Ramos, Ataliba Sampaio, Gilbert Hime e Armindo Motta.
COMBINADO PAULISTA: Jorge de Miranda Junior "Tutu" (Paulistano), Pinto (Mackenzie) e W. Jeffery (S.P.A.C.); Stewart (Mackenzie), Maneco (Paulistano) e Pyles (Mackenzie); Alexandre Ruffin (Mackenzie), Gonçalves (Paulistano) - (Vevé - Paulistano), B. Cerqueira, Oscar Andrade (Mackenzie) e Henrique Ruffin (Mackenzie).



sábado, 29 de agosto de 2026

VIAJANDO PELO BRASIL: excursão ao Rio Grande do Sul - 1931


O Botafogo aproveitou a suspensão do campeonato carioca de 1931 para realizar, pela primeira vez, uma excursão ao Rio Grande do Sul, para onde embarcou a bordo do vapor “Araçatuba”, no dia 16 de junho.

O clube carioca viajou desfalcado de três dos seus principais jogadores, todos eles emprestados ao Vasco da Gama para uma excursão à Europa: Nilo, Carvalho Leite e Benedito.
A delegação foi chefiada por Alarico Maciel, seguindo como técnico o húngaro Nicolas N. Ladanyi e levando três jogadores de outros clubes cariocas: o goleiro Sylvio e o atacante Carola, do América, e o meia Nena, do Serrano, de Petrópolis, gentilmente emprestados por seus clubes.
Dirigentes dos clubes Grêmio e Internacional, promotores da excursão, foram ao cais receber a delegação carioca, que se hospedou no Hotel Americano.

No mesmo dia da chegada a Porto Alegre, 21 de junho, perante grande assistência, o Botafogo estreou no Estádio dos Eucaliptos, contra o Internacional.

BOTAFOGO 1 x 1 INTERNACIONAL-Porto Alegre
domingo, 21 de junho de 1931
Local: Eucaliptos, Porto Alegre (RS)
Árbitro: Walter Leal
Gols: Honório (de pênalti) para o Internacional e Álvaro para o Botafogo
BOTAFOGO: Sylvio Correia, Póvoa e José Rodrigues; Affonso, Martim e Benevenuto; Álvaro, Juca da Praia (Octacílio), Carola, Nena (Rogério Braga) e Celso. Técnico: Nicolas Ladanyi.
INTERNACIONAL: Penha, Miro e Risada; Ribeiro, Félix Magno e Moreno; Nenê Souza, Alfredo, Javel, Honório e Rothfuchs. Técnico: Carlos de Lorenzi.

BOTAFOGO 2 x 1 GRÊMIO
quarta-feira, 24 de junho de 1931
Local: Baixada, Porto Alegre (RS)
Árbitro: Edelberto Mendonça
Gols: no 1º tempo, Lacy para o Grêmio; no 2º, Álvaro e Octacílio marcaram para o Botafogo
BOTAFOGO: Sylvio Correia, Póvoa e José Rodrigues; Canalli, Martim e Benevenuto; Álvaro, Octacílio, Carola, Rogério Braga (Nena) (Juca da Praia) e Celso. Técnico: Nicolas Ladanyi.
GRÊMIO: Lara, Dário e Sardinha; Mabília, Poroto e Russo; Lacy, Artigas Pérez, Luiz Carvalho, Foguinho e Nenê (Juca). Técnico: Telêmaco Frazão de Lima.

Notas:
1. O Grêmio abandonou o jogo porque o árbitro confirmou o segundo tento do Botafogo, segundo os jogadores do tricolor de Porto Alegre feito depois de ter ajeitado com a mão. 2. Após a marcação do segundo gol do Botafogo, o jogador Sardinha arrancou o apito da mão do árbitro, que não quis mais continuar. Em seu lugar entrou Carlos de Lorenzi.

Em sua última partida em Porto Alegre, o Botafogo enfrentou um combinado de jogadores do Grêmio e do Internacional.

BOTAFOGO 1 x 4 COMBINADO GRE-NAL
domingo, 28 de junho de 1931
Local: Eucaliptos, Porto Alegre (RS)
Árbitros: Jean Ryll/João Pedro Rosário
Gols: no 1º tempo, Luiz Carvalho e Honório marcaram para o Combinado. No 2º, Honório ampliou o placar para 3 x 0, Celso diminuiu e Foguinho definiu o placar de 4 x 1 a favor dos gaúchos.
BOTAFOGO: Sylvio Correia, Póvoa (Hermínio) e José Rodrigues; Canalli, Martim (Tupi) e Benevenuto; Álvaro, Paulinho, Carola, Nena (Octacílio) e Celso. Técnico: Nicolas Ladanyi.
COMBINADO GRE-NAL: Penha (Internacional), Dário (Grêmio) e Sardinha (Grêmio); Ribeiro (Internacional), Félix Magno (Internacional) e Poroto (Grêmio); Nenê Souza (Internacional), Luiz Carvalho (Grêmio), Foguinho (Grêmio), Honório (Internacional) e Nenê (Internacional).

Nota: O árbitro Jean Ryll foi substituído no segundo tempo por João Pedro Rosário.

Depois desse jogo, seguiu o Botafogo para a cidade gaúcha de Pelotas, onde jogaria no dia 3 de julho.

BOTAFOGO 4 x 2 C. A. BANCÁRIO
sexta-feira, 3 de julho de 1931
Local: Augusto Simões Lopes, Pelotas (RS)
Árbitro: Antônio Araújo de Oliveira Guimarães
Gols: Celso (2), Álvaro e Paulinho para o Botafogo; não foi possível descobrir os gols do Bancário
BOTAFOGO: Germano, Octacílio e José Rodrigues; Canalli, Benevenuto e Affonso; Álvaro, Paulinho, Carola, Nena (Juca da Praia) e Celso. Nicolas Ladanyi
C. A. BANCÁRIO: Júlio, Armando (Luzzardi) e Ventura; Lhullier, Casado (Oliosi) e Cabrera; Pinto, Venenoso, Carruíra, Gatti e Arthur.

Rumou o Botafogo para a cidade de Rio Grande, onde enfrentou o S. C. Rio Grande.

BOTAFOGO 2 x 2 RIO GRANDE
domingo, 5 de julho de 1931
Local: Oliveiras, Rio Grande (RS)
Árbitro: Francisco Luiz Valerio
Gols: Celso (2) para o Botafogo e Tatu e Sanga para o Rio Grande
BOTAFOGO: Germano, Póvoa e José Rodrigues; Affonso, Martim (Almo) e Canalli; Álvaro, Paulinho, Carola, Octacílio e Celso. Técnico: Nicolas Ladanyi.
RIO GRANDE: Grandjean, Menestrino e Horácio; Quengão, Carruíra e Reprega; Donato, Sanga, Degani, Palhares e Tatu.

Retornou a Pelotas e enfrentou o S. C. Pelotas no dia 8 de julho.

BOTAFOGO 3 x 2 PELOTAS
quarta-feira, 8 de julho de 1931
Local: Boca do Lobo, Pelotas (RS)
Árbitro: Antônio Penteado
Gols: Celso (2) e Juca da Praia para o Botafogo e João Pedro e Marcial para o Pelotas
BOTAFOGO: Sylvio Correia; Octacílio e José Rodrigues; Canalli (Rogério Braga), Benevenuto e Affonso; Nena, Martim, Carola, Juca da Praia e Celso. Técnico: Nicolas Ladanyi.
PELOTAS: Bordini, Antoninho e Grant; Marcial, Mascarenhas e Tristão Garcia; Benjamin, Ross, Tutu, Mário Reis e João Pedro.

A delegação botafoguense regressou ao Rio de Janeiro no dia 13 de julho de 1931.



sexta-feira, 28 de agosto de 2026

FORMAÇÕES: bicampeões cariocas amadores - 1943



Formação do Botafogo que conquistou o bicampeonato carioca da categoria de amadores no certame promovido pela Federação Metropolitana de Futebol em 1943.
Da esquerda para a direita: Boliviano, Alfredo, Hélio, Ruy, Tovar, Octávio, Zé Américo, Renê, Maninho, Cid e Xisto.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Pichetti


Jaci Luís Pichetti nasceu em Anchieta, Santa Catarina, em 27 de agosto de 1968.
Pichetti iniciou sua carreira profissional no Juventude, de Caxias do Sul (RS), onde jogou de 1987 até 1990, ganhando a visibilidade que o levaria ao futebol carioca no ano seguinte.
Contratado pelo Botafogo, fez sua estreia no clube no dia 6 de fevereiro de 1991, em Caio Martins, Niterói (RJ), na vitória de 2 x 0 sobre a Portuguesa de Desportos, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. O Botafogo formou com Ricardo Cruz, Paulo Roberto, Gilson Jáder, André e Jefferson (Renato Martins); Pingo, Valdeir e Juninho; Vivinho, Renato Gaúcho e Bujica (Pichetti). Técnico: Valdyr Espinosa.
Foi vice-campeão brasileiro em 1992, participando de 12 dos 27 jogos disputados pelo Botafogo na competição.

No total, foram 47 jogos pelo Botafogo, marcando seis gols.
Seu último jogo foi em 19 de julho de 1992, justamente o segundo da final do Campeonato Brasileiro daquele ano, contra o Flamengo, quando houve empate em 2 x 2, tendo marcado um dos gols. Naquela ocasião, o Botafogo atuou com Ricardo Cruz, Odemilson, Renê, Márcio Santos e Válber; Carlos Alberto Santos, Pingo e Carlos Alberto Dias; Vivinho (Jéferson Gaúcho), Chicão (Pichetti) e Valdeir. Técnico: Gilberto Alves (Gil).
Quando deixou o Botafogo, teve uma passagem pelo Grêmio (1992) e disputou o Campeonato Carioca de 1993 pelo América.
Transferiu-se para o Vitória, de Salvador (BA) e foi novamente vice-campeão brasileiro em 1993 (marcando sete gols na competição), além de sagrar-se campeão baiano em 1995.
Ainda em 1995 passou pelo Paraná Clube, de Curitiba (PR).
Em seguida, no Botafogo, de Ribeirão Preto (PB), fez parte do elenco responsável pelo acesso para a Série B do Campeonato Brasileiro em 1996.
Depois de passar por Santa Cruz, de Recife (PE) e Araçatuba (SP), encontrava-se no Guarani, de Campinas (SP), onde sua trajetória nos gramados foi interrompida em 1999, após passar por uma complexa cirurgia no joelho que o forçou a se aposentar.
Após pendurar as chuteiras, ele se preparou fazendo cursos de formação de treinadores e passou a trabalhar como Auxiliar-Técnico. Nessa função, trabalhou em equipes como Volta Redonda, Cabofriense, CFZ e América, todas do Rio de Janeiro, e no ASA, de Arapiraca, clube pelo qual conquistou o título da Copa Alagoas em 2020.
Parou um pouco e resolveu apostar trabalhando com uma loja virtual, com produtos ligados ao futebol.








quarta-feira, 26 de agosto de 2026

COMO SURGIU A EXPRESSÃO "HÁ COISAS QUE SÓ ACONTECEM AO BOTAFOGO"


Uma das versões é que a famosa frase é oriunda de uma crônica esportiva publicada na revista Manchete nº 540, de 25 de agosto de 1962, pelo jornalista Paulo Mendes Campos (1922-1991). No texto intitulado de "O Botafogo e Eu", ele compara as qualidades e defeitos de sua vida com a do clube da Estrela Solitária.
Abaixo, a crônica.





terça-feira, 25 de agosto de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Jefferson Vieira


Jefferson Vieira da Silva nasceu na cidade de Pato Branco (PR), no dia 25 de agosto de 1970.
Jefferson começou no futebol nas categorias de base do Botafogo, de Ribeirão Preto (SP), em 1988. No ano seguinte, conquistou o título de campeão paulista de juniores.
Ainda como jogador do Botafogo paulista, Jefferson foi titular da lateral-esquerda da Seleção Brasileira de juniores que conquistou o Torneio de Valencia, na Espanha. Na final, em 26 de agosto de 1990, o Brasil venceu a União Soviética, por 2 x 0.
Depois de ser especulado no Fluminense, no final do ano de 1990, no começo do ano seguinte ele estava contratado pelo Botafogo.
Quando o Campeonato Brasileiro de 1991 começou, na primeira rodada Jefferson fez sua estreia na equipe principal. No dia 3 de fevereiro de 1991, no estádio Municipal de Juiz de Fora (MG), o Botafogo venceu o Náutico (PE), por 2 x 0, formando com Ricardo Cruz, Paulo Roberto, Gilson Jáder, André e Jefferson; Pingo, Valdeir e Juninho; Vivinho (Sandro Ventura), Renato Gaúcho e Bujica. Técnico: Valdyr Espinosa.
Mas, logo no jogo seguinte, 6 de fevereiro de 1991, contra a Portuguesa de Desportos, se machucou e foi substituído por Renato Martins que, marcou um dos gols da vitória de 2 x 0. Perdeu a vaga de titular e, somente a partir de 28 de abril a recuperou. Participou de 48 jogos no ano de 1991.

Jogou pouco em 1992 (onze partidas) e no ano seguinte foi emprestado ao Palmeiras (SP), onde estreou no dia 20 de fevereiro de 1993. Permaneceu mais tempo na reserva (o titular era o Roberto Carlos) e fez parte do elenco do Palmeiras que conquistou o campeonato paulista de 1993.
Foi emprestado ao Cerro Porteño, do Paraguai. O time, treinado por Paulo César Carpeggiani, foi vice-campeão paraguaio e disputou a Taça Libertadores da América. Retornou ao Botafogo em setembro de 1994 e disputou 19 jogos.
Disputou 34 jogos pelo Botafogo em 1995. No dia 29 de março de 1995, no Serra Dourada, em Goiânia, disputou sua única partida pela Seleção Brasileira, contra Honduras (1 x 1).
Antes do Campeonato Brasileiro de 1995, que o Botafogo conquistaria, Jefferson foi emprestado ao Vasco da Gama, para disputar a mesma competição. A curiosidade de sua participação é que o primeiro jogo foi contra o Santos, em 26 de agosto, e o último contra o Botafogo, em 6 de novembro, justamente os dois times que decidiram o Campeonato Brasileiro de 1995.

Sua terceira passagem pelo Botafogo teve início no dia 28 de janeiro de 1996, na vitória de 3 x 1 sobre o América, em São Januário, válido pela Taça Cidade Maravilhosa, competição que o Botafogo se sagrou campeão após vencer seis jogos (3 x 1 América, 2 x 0 Fluminense, 2 x 0 Olaria, 5 x 3 Vasco da Gama, 4 x 0 Bangu e 3 x 0 Madureira) e empatar um (2 x 2 Flamengo).
Ainda em 1996, Jefferson venceria o prestigiado torneio internacional Teresa Herrera, com vitória sobre o La Coruña (2 x 1) e um sensacional 4 x 4 com a Juventus, da Itália, decidido a favor do Botafogo, nos pênaltis.
Se tornaria campeão carioca em 1997 e do Torneio Rio-São Paulo de 1998, ano em que disputou seu último jogo com a camisa do Botafogo, em 24 de maio de 1998, com vitória sobre a Seleção do Vietname, por 2 x 1. Nesse jogo o Botafogo formou com Wagner, Wilson Goiano (Dejair Brasília), Grotto, Marcelo Augusto e Jefferson; Alemão, França, Fábio Augusto (Marcelo Alves) e Sérgio Manoel; Chiquinho e Tico Mineiro (Marcos Aurélio). Técnico: Paulo Autuori.
Em sua passagem pelo Botafogo estão contabilizados 243 jogos disputados e nove gols marcados.
Foi, então, para o Sport Recife, contratado como um dos reforços para o Campeonato Brasileiro de 1998. Logo em sua estreia, no dia 2 de agosto, marcou um dos gols da vitória de 2 x 0 sobre o Atlético Paranaense. O Sport fez boa campanha, chegando na quinta colocação.
Em 1999, Jefferson acertou sua transferência para o Bahia, clube onde conseguiu recuperar o protagonismo. No tricolor baiano, reencontrou o bom futebol, tornou-se capitão da equipe de 1999 a 2001 e viveu grandes momentos. Foi campeão baiano nos anos de 1999 e 2001 e da Copa do Nordeste de 2001. Disputou 173 jogos e marcou onze gols.
Em 2002 se transferiu para o Atlético Mineiro, onde teve curta passagem. Jogou apenas oito partidas, entre os dias 19 de janeiro e 6 de março de 2002.
Logo depois, quando estava acertando sua transferência para o Juventude, de Caxias do Sul (RS), Jefferson começou a sentir graves problemas de saúde. Após exames detalhados, ele foi diagnosticado com a Síndrome de Behçet, uma doença autoimune rara que causa inflamação nos vasos sanguíneos. A condição progrediu de forma agressiva, comprometendo severamente seus movimentos e forçando o encerramento imediato de sua carreira profissional. Desde então, ele conta com o suporte integral de seus familiares e realiza tratamentos contínuos de fisioterapia para manter sua qualidade de vida.







segunda-feira, 24 de agosto de 2026

COISAS QUE SÓ ACONTECEM AO BOTAFOGO: um jogo sem camisas alvinegras e sem troféu - 1968



O Botafogo foi até Caracas, capital da Venezuela, para dar revanche à seleção da Argentina, que não estava conformada com o “olé” e a goleada sofrida no Rio de Janeiro diante da seleção brasileira formada com oito jogadores do bicampeão carioca, o Botafogo.
O jogo foi então marcado para o dia 24 de agosto de 1968 e o Botafogo exigiu do empresário Samuel Ratinoff cota correspondente a que seria paga à seleção da Argentina: 30 mil dólares.
O Botafogo viajou sem Paulo Céar Lima, que não acompanhou a delegação por não ter chegado a um acordo com o clube para renovar seu contrato.
Antes de chegar à Colômbia, o Botafogo passou em Santiago, Chile, e venceu o Colo Colo, por 2 x 1.
O Botafogo havia virado uma autêntica obsessão para os jogadores argentinos. O treinador José Minella afirmou que “o jogo será realizado praticamente a pedido dos jogadores”.
Momentos antes de ser iniciado o jogo, o árbitro exigiu que uma das equipes trocasse de camisa, pois usavam ambas listras verticais. O Botafogo então resolveu trocar a alvinegra pela azul e ouro.
Como era de se esperar, o jogo foi tumultuado. Os jogadores da Argentina perderam a esportiva a partir dos oito minutos do segundo tempo, quando Jairzinho driblou o goleiro Andrada e marcou o único gol da partida.
As 16 mil pessoas que lotavam as dependências do Estádio Universitário (que estava sendo reinaugurado) levantaram-se e passaram a exaltar o Botafogo.
Os argentinos, que tinham mais volume de jogo, não se conformaram com o gol que sofreram e ficaram com os nervos à flor da pele.
Aos 28 minutos do segundo tempo estourou um grande tumulto, com troca de empurrões, insultos e alguns tapas por parte de quase todos os 23 jogadores.
Após uma falta de Albrecht em Jairzinho, o jogador brasileiro o repele com um empurrão e todos se aproximaram de forma pouco amistosa. Uma forte direita de Rendo em pleno rosto de Dimas tumultuou ainda mais o ambiente e após dez minutos de interrupção, prosseguiu o jogo, sem tranquilidade de nenhuma das duas partes.
O árbitro acabou por expulsar Ostua, acusado de pivô da confusão depois que agrediu Roberto Miranda, mas o zagueiro custou a sair de campo, o que levou os torcedores a vaiarem insistentemente. Quando faltavam quatro minutos, o zagueiro Zé Carlos também foi expulso por jogo violento.
Depois do jogo, o zagueiro capitão da seleção argentina, Roberto Perfumo, um dos poucos destaques da equipe ao lado de Fischer, disse: “nem lutamos, nem jogamos. E o pior é que não temos o direito de nos queixar de nada. Perdemos simplesmente porque fomos piores”.
Ao final da partida foi oferecido ao Botafogo o Troféu “Dr. Julio Bustamante”.
(*) O Botafogo ganhou uma rica taça oferecida pela Federação Venzuelana de Futebol, mas não conseguiu ver o troféu... Os jogadores se perfilaram no centro do campo, a torcida aplaudiu o time brasileiro e todos ficaram esperando a entrega. Os dirigentes venezuelanos, envergonhados, aproximaram-se e cochicharam ao ouvido de Djalma Nogueira, chefe da delegação do Botafogo, pedindo que a fila se desfizesse, pois a taça (que ficou em exposição durante vários dias em lojas de Caracas) havia sido roubada e a entrega seria adiada “sine-die”. À última hora acabaram arrumando uma taça para substituí-la.
Outra versão é de que a taça não foi roubada e sim que o empresário Samuel Ratinoff, que tinha instituído o troféu, que era de grande valor, na certeza de que os argentinos venceriam, inventou uma desculpa, salientando que não era aquela a taça em disputa.

BOTAFOGO 1 x 0 SELEÇÃO DA ARGENTINA
“Amistoso”
sábado, 24 de agosto de 1968
Local: Estádio Universitário, Caracas, Venezuela
Árbitro: Ivan Barrios (Venezuela)
Expulsões: Zé Carlos, do Botafogo, e Ostua, da Seleção da Argentina
Gol: Jairzinho, 53
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Zé Carlos, Leônidas (Dimas) e Waltencir; Carlos Roberto e Gerson; Zequinha (Humberto), Roberto Miranda, Jairzinho e Lula (Afonsinho). Técnico: Zagallo.
SELEÇÃO DA ARGENTINA: Andrada, Ostua, Perfumo, Albrecht e Nelson López; Rendo e Aguirre; Minnitti, Savoy, Fischer e Veglio (Silva). Técnico: José Minella.




domingo, 23 de agosto de 2026

FORMAÇÕES: Botafogo Campeão Carioca de 1961


Jogadores do Botafogo recebendo suas faixas de campeões cariocas de 1961.
O jogo foi realizado em 3 de janeiro de 1962, no amistoso contra o Santos, com vitória do Botafogo, por 3 x 0.
De pé, da esquerda para a direita: Rildo, Manga, Zé Maria, Nilton Santos, Ayrton, Chicão, Paulistinha, Didi e Pampolini.
Agachados, na mesma ordem: Garrincha, China, Amarildo, Édison, Zagalo, Neyvaldo e Bento Mariano (Massagista).



sábado, 22 de agosto de 2026

OLHO NO LANCE! 1953



Dino da Costa marcando o segundo gol do Botafogo na vitória de 5 x 1 sobre o Canto do Rio, driblando o goleiro Celso.
O jogo foi realizado no estádio de General Severiano, no dia 26 de julho de 1953, pelo Campeonato Carioca.


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Chiquinho Pastor


Francisco de Jesus Fernandes, o Chiquinho Pastor (*), nasceu em Juiz de Fora (MG), no dia 21 de agosto de 1946.
(*) o apelido "Pastor" não era apenas força de expressão. Ainda jovem, enquanto jogava futebol, ele ingressou na Igreja Messiânica Mundial do Brasil (IMMB). Após pendurar as chuteiras, ele se dedicou inteiramente à missão religiosa, tornando-se ministro e, posteriormente, reverendo e vice-presidente da instituição no Rio de Janeiro. Inclusive, ele foi o responsável por introduzir outros atletas no caminho religioso, como o ex-companheiro de equipe Rogério.
Começou no infantil do Tupynambás, de sua cidade natal, onde o Botafogo foi buscá-lo em 1964. No mesmo ano, sagrou-se campeão carioca juvenil, tendo participado de 21 dos 22 jogos que o Botafogo realizou na campanha para o título.

Realizado de 8 de julho a 6 de agosto de 1965 o IV Campeonato Brasileiro de Futebol Juvenil foi vencido pela Seleção da Guanabara. Chiquinho integrou a equipe que, na final, venceu São Paulo, por 1 x 0, gol de outro atleta botafoguense, Afonsinho, na prorrogação (depois de empate em 0 x 0 nos 80 minutos regulamentares). Dirigido pelo técnico Valter Miraglia, conquistaram o tetracampeonato
Também em 1965, Chiquinho sagrou-se campeão carioca de Aspirantes. Nos 14 jogos do campeonato, o time do Botafogo utilizou 25 jogadores, porque foi sempre um time a fornecer elementos para o time titular e que sofria modificações de jogo para jogo. Nenhum jogador, para melhor caracterizar o quanto o time foi mexido, chegou a participar dos 14 jogos. Chiquinho participou de 13 jogos e no único que faltou jogou no time de cima, contra o Vasco da Gama, no dia 4 de dezembro de 1965, no Maracanã, com vitória de 2 x 1. O Botafogo formou com Manga, Joel, Chiquinho Pastor, Paulistinha e Rildo; Marcos e Gerson; Jairzinho, Roberto Miranda, Sicupira e Arthur. Técnico: Daniel Pinto. Esse foi o seu primeiro jogo oficial no Botafogo.
Três dias antes, Chiquinho Pastor jogaria pela primeira vez no time principal do Botafogo, no dia 1º de dezembro de 1965, no amistoso com goleada de 11 x 0 sobre a Seleção de Niterói, na inauguração das novas instalações do estádio Caio Martins. Atuou o Botafogo com Manga (Cao), Joel, Zé Carlos (Chiquinho Pastor), Paulistinha (Mura) e Rildo (Dimas); Marcos (Afonsinho) e Gerson; Jairzinho, Roberto Miranda, Sicupira e Arthur. Técnico: Daniel Pinto.
Em 1966, Chiquinho conquistou novamente o título de campeão carioca de juvenis e não disputou partidas pela equipe principal.


Depois de disputar 17 jogos em 1967 (cinco oficiais e quinze amistosos), no ano seguinte pôde comemorar seus primeiros títulos com o time principal do Botafogo, ao vencer a Taça Guanabara, o Campeonato Carioca e Taça Brasil/Campeonato Brasileiro.
Disputou 28 jogos em 1969 e poucos em 1970 (sete) e 1971 (nove).
Em março de 1971 Chiquinho foi trocado, juntamente com o ponteiro-esquerdo Torino, pelo atacante do Grêmio, Paraguaio.
Em 1972 acertou com o Flamengo, onde permaneceu entre 1972 e 1974. Em agosto de 1974, retornou ao Botafogo, atuando pelo clube até 1976, quando obteve “passe livre” em julho daquele ano.
Sua despedida do futebol aconteceu em 27 de maio de 1976, na derrota de 2 x 1 para o Americano, em amistoso realizado no estádio Godofredo Cruz, em Campos (RJ). O Botafogo formou assim: Ubirajara Alcântara, Miranda, Osmar, Nilson Andrade e Mauro Cruz; Carbone, Rubens Paraná (Luizinho Rangel) e Marco Aurélio (Rogério) (Chiquinho); Mazinho, Manfrini e Mário Sérgio. Técnico: Paulo Amaral.
Atuou pela equipe principal do Botafogo em 138 jogos, não marcando gols.
Chiquinho foi convocado para dois amistosos da Seleção Brasileira no ano de 1973: no dia 27 de maio, no Maracanã, vitória de 5 x 0 sobre a Bolívia, e em 3 de julho, em Argel, nova vitória, 2 x 0 sobre a Seleção da Argélia.
Em 2010, com 63 anos de idade, Chiquinho sofreu uma forte torção no joelho e teve que iniciar tratamento, mas seu quadro evoluiu para uma infecção generalizada que não pode ser revertida, levando-o ao falecimento em São Paulo (SP), no dia 14 de abril.
Chiquinho era irmão do ponta-direita Cafuringa.