O primeiro troféu conquistado pelo futebol carioca foi o artístico e rico
bronze "Elihu Root", instituído por Jorge Tibiriçá, Governador do
Estado de São Paulo, em 1906, para ser disputado pelos combinados carioca e
paulista, em homenagem ao Secretário de Estado dos Estados Unidos (governo de
Theodore Roosevelt), que estava em visita diplomática ao Brasil para participar
de uma conferência no Rio de Janeiro. Por seus amplos trabalhos em prol da paz
internacional, Elihu Root receberia anos mais tarde o Prêmio Nobel da Paz de
1912.
O futebol paulista era mais adiantado e, consequentemente, mais organizado que
o carioca, pois o seu primeiro campeonato fora realizado em 1902, enquanto que
o do Rio de Janeiro havia começado em 1906.
Regressando de São Paulo, José da Rocha Gomes, Vice-Presidente do Football and
Athletic Club, um dos disputantes do campeonato carioca, trouxe o convite para
o jogo que seria realizado em um sábado, 4 de agosto de 1906.
Francis Walter, um dos fundadores do Fluminense F. C. e que era o Presidente da
Liga Metropolitana de Foot-Ball, não teve dúvidas em aceitar ao convite e, em
combinação com Souza Ribeiro, Presidente do Botafogo F. C., resolveu que o time
a seguir seria um combinado Fluminense e Botafogo. Isto, naquela época, era o
mesmo que a seleção carioca.
Todavia, para o dia 1º de agosto estava marcado o primeiro jogo do 2º turno do
certame carioca, justamente entre Fluminense e o Paysandu, os dois ponteiros da
tabela. O regulamento não permitia adiamento de qualquer jogo oficial, senão em
caso de absoluta impossibilidade de ser realizado.
Por isso, o Fluminense resolveu não ceder seus jogadores. A Liga,
evidentemente, nem pensou nos jogadores do Paysandu, pelo mesmo motivo. O jogo era
considerado uma aventura. Dizia-se que o escrete carioca não poderia de forma
alguma fazer figura regular contra o poderoso combinado paulista. Falava-se até
em desistência, quando Souza Ribeiro resolveu manter a palavra da Liga e
responsabilizar-se pelo time. Decidiu, então, a entidade, entregar o assunto ao
Presidente do Botafogo e ao Vice-Presidente do Athletic, José da Rocha Gomes.
Dentre os jogadores convidados para fazerem parte do time, apenas três
aceitaram: Conrado Mutzembecher e C. Calvert, do Rio Cricket, e Armindo Motta,
do Athletic.
Apenas com esses três reforços embarcou o time do Botafogo, com apenas dois
anos de vida, para o sacrifício ou para a glória. Nota interessante da excursão
é que a missão viajou com indumentária mais ou menos igual e todos com chapéus
de palha (palheta como se chamava), cuja fita era preta e branca.
O Botafogo teve uma atuação considerada heróica. Apesar de sair atrás no
primeiro tempo com um gol de Vevé para os paulistas, o Glorioso virou a partida
na segunda etapa. Com gols de Flávio Ramos e Ataliba Sampaio (este em passe de
Gilbert Hime), o Botafogo venceu por 2 x 1. Essa vitória marcou a primeira vez
na história que um clube brasileiro derrotou uma seleção estadual.
Ao término da partida, o próprio Secretário de Estado norte-americano, Elihu
Root, desceu para entregar pessoalmente a imponente taça de bronze ao capitão e
zagueiro alvinegro, Octávio Werneck.
BOTAFOGO 2 x 1 COMBINADO PAULISTA
sábado, 4 de agosto de 1906
Local: Velódromo Paulista, São Paulo (SP)
Árbitro: Raphael Sampaio (da A. A. das Palmeiras)
Gols: Vevé para o combinado paulista e Flávio Ramos e Ataliba Sampaio para o
Botafogo
BOTAFOGO: Álvaro Werneck, João Leal e Octávio Werneck; José Fernando Macedo
Soares, C. Calvert e Conrado Mutzembecher; Norman Hime, Flávio Ramos, Ataliba
Sampaio, Gilbert Hime e Armindo Motta.
COMBINADO PAULISTA: Jorge de Miranda Junior "Tutu" (Paulistano),
Pinto (Mackenzie) e W. Jeffery (S.P.A.C.); Stewart (Mackenzie), Maneco
(Paulistano) e Pyles (Mackenzie); Alexandre Ruffin (Mackenzie), Gonçalves
(Paulistano) - (Vevé - Paulistano), B. Cerqueira, Oscar Andrade (Mackenzie) e
Henrique Ruffin (Mackenzie).

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