terça-feira, 4 de agosto de 2026

VOCÊ LEMBRA QUE ESTE JOGADOR PASSOU PELO BOTAFOGO?



GUNGA

Jorge Alberto Ferreira, o Gunga, nasceu em Uruguaiana (RS), em 10 de junho de 1931.
Ganhou o apelido na época em que estava em exibição nos cinemas o filme de aventura norte-americano Gunga Din (*).
(*) Lançado em 1939, o filme retrata as aventuras de três sargentos britânicos na Índia e seu amigo, o carregador de água Gunga Din, o personagem principal, um indiano nativo, de religião hindu, vivendo na Índia sob o regime colonial britânico, que tinha como maior sonho deixar de ser um mero funcionário do acampamento e tornar-se um soldado oficial do exército da Rainha Vitória.
O início da carreira de Gunga é pouco conhecido, sabe-se que, oriundo de Valença (RJ), chegou ao América, de Belo Horizonte (MG) em 1955 para substituir outro ídolo da torcida, Jaburu, vendido ao Porto, de Portugal. E foi justamente Jaburu que o indicou, por conhecê-lo de Valença (RJ). Não demorou para Gunga fazer a torcida se esquecer do ídolo anterior, marcando muitos gols (se tornaria o segundo maior artilheiro da história do América, marcando 109 gols em 153 jogos).
Em uma excursão pela Europa em 1956 acabou por ser contratado pelo Espanhol, de Barcelona (Espanha), depois que marcou 15 gols em 17 jogos.
De forma surpreendente, retornou ao Brasil pouco tempo depois. Segundo Gunga, "fui boicotado por todos os meios, pelos jogadores e outros servidores subalternos do Espanhol. Modéstia à parte, joguei muito bem na partida de estreia, no dia da minha chegada, tendo seguido diretamente do aeroporto para o campo. Depois do jogo fui cercado pelos torcedores, dei muitos autógrafos e fiquei com enorme cartaz. E isso despertou o despeito dos meus companheiros de equipe. Logo no jogo seguinte, sofri a maior decepção de minha vida. Fui completamente boicotado. Não me passaram uma bola sequer. Confesso que perdi todo o entusiasmo. E uma vontade imensa de voltar ao Brasil. Comuniquei minha decisão aos dirigentes, peguei um avião e voltei para Belo Horizonte”.

No Campeonato Brasileiro de Seleções de 1957, Gunga teve destacadas atuações no selecionado de Minas Gerais e despertou o interesse de equipes de outros Estados.
Foi, então, cedido ao Botafogo em caráter de empréstimo até o final do Torneio Rio-São Paulo. De acordo com o que ficou estabelecido, Gunga seria submetido a um teste e se correspondesse, seria contratado por dois anos.
Seguiu com a delegação do Botafogo para amistosos no interior de Minas Gerais e São Paulo. E impressionou fortemente aos seus novos companheiros. Fez sua estreia no dia 28 de abril de 1957, na vitória sobre o Ituiutaba (MG), por 4 x 1, marcando um gol e garantindo sua posição nos demais amistosos.
Voltaria a marcar no quarto e último amistoso que disputou, em 3 de maio de 1957, no empate em 2 x 2 com o Uberaba (MG).
Ainda jogaria mais uma partida pelo Botafogo em 5 de maio de 1957, sua última pelo clube, no Pacaembu, no empate em 1 x 1 com o Corinthians (SP), válida pelo Torneio Rio-São Paulo.
Teve sua permanência no Botafogo prejudicada depois que o América propôs que Gunga seria trocado pelos jogadores Geraldo, Dodô e mais a quantia de trezentos mil cruzeiros. O Botafogo não aceitou e Gunga voltou para Belo Horizonte.
No mês de agosto de 1957, depois de inúmeros adiamentos, Gunga transferiu-se para Recife (PE), onde foi defender a equipe do Sport.
E abril de 1958, Gunga solicitou rescisão de contrato com o Sport Recife. Esteve na reserva mais vezes do que atuou no quadro titular.
Novamente, voltou ao América. Foi o principal goleador do Campeonato Mineiro de 1959, anotando 17 gols.

Depois, Gunga jogou e foi técnico na Venezuela, para onde se mudou no início dos anos 60, defendendo, pela ordem, os clubes Deportivo Português, Deportivo Itália e Deportivo Galícia.
Estendeu sua carreira como jogador profissional até 1974, pendurando as chuteiras no Deportivo Galícia, aos 43 anos de idade.
Após se aposentar dos gramados, ele permaneceu na Venezuela por mais algum tempo trabalhando na comissão técnica. Ele assumiu o comando técnico do próprio Deportivo Galícia e do Deportivo Itália
Em 1984, uma reportagem do Estado de Minas mostrou que o ex-jogador vivia em dificuldades, recebendo apenas uma pequena aposentadoria conseguida pela Associação de Garantia aos Atletas Profissionais (AGAP). “Da glória à miséria. Eis Gunga” era o título da reportagem na edição de 7 de outubro de 1984.
Gunga morreu em 30 de junho de 1991, em Belo Horizonte (MG).


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