quinta-feira, 20 de agosto de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Paulistinha


Osvaldo Sampaio Junior, o Paulistinha, nasceu no dia 20 de agosto de 1939, na cidade de Mairinque, no Estado de São Paulo, localizada na Região Metropolitana de Sorocaba, a cerca de 70 km da capital paulista.
Seu primeiro contato com a bola foi aos 15 anos, primeiramente no Ginásio Municipal de Sorocaba, passando pelo futebol de várzea da cidade até chegar a ingressar no São Bento, de Sorocaba, por intermédio de um amigo, sargento Jatobá. Jogava como “centro-médio” e era tratado por Lilico, que era seu apelido na família.
O São Bento pertencia à Segunda Divisão de São Paulo e ele ficou cerca de dois anos como amador.
Disputou o Campeonato Citadino de 1956 (amador), promovido pela Liga Sorocaba de Futebol.

A Gazeta Esportiva divulgou a seguinte nota em sua edição de 23 de outubro de 1956: “Vem tendo grande atuação no campeonato amador de futebol ora em andamento o médio Lilico, do E. C. São Bento. Lilico foi de fato uma revelação no futebol amador de Sorocaba, tendo já despertado interesse junto ao departamento profissional do alviceleste”.
Mas, não houve tempo para ser testado no time principal. Fez somente um amistoso nessa equipe, um amistoso contra o Jabaquara, em 10 de fevereiro de 1957. Dois dias depois, arrumou suas roupas e rumou ao Rio de Janeiro.
Um amigo seu chamado Otávio, que tinha sido jogador dos aspirantes do Botafogo e que se encontrava no São Bento, o convidou para treinar no Botafogo. Este mesmo Otávio o apresentou ao “Seu” Neném (Neném Prancha), que era o técnico dos infantos-juvenis, e que repassou Paulistinha para Newton Cardoso, treinador dos juvenis. Tendo agradado, permaneceu no Rio de Janeiro.

Quando chegou ao Rio de Janeiro, já existia um “Paulista” no clube, o Lucas, e para diferenciar deram o apelido de Paulistinha em homenagem ao Estado de onde vinha.
Não acertou logo com o Botafogo. Chegou num período em que o Botafogo se encontrava em excursão e ficou apenas treinando, mais ou menos um mês, conseguindo, então, assinar um “contrato de gaveta” (acordo informal).
Disputou todo o campeonato carioca de aspirantes de 1958 (tomando parte de 21 dos 22 jogos que levaram o Botafogo ao título de campeão; o único que Paulistinha não jogou foi porque foi convocado para compor o elenco em um jogo da equipe principal). Paulo Amaral, que já tinha assumido o comando dos juvenis, declarou “Dos muito rapazes que estão se formando nos aspirantes, Paulistinha talvez seja o primeiro a subir”.
No mesmo ano de 1958, teve a alegria de ser convocado para o selecionado brasileiro de juvenis que foi a Santiago, Chile, participar do Campeonato Sul-Americano da categoria, de 18 de março a 2 de abril (o Brasil foi 3º colocado). Detalhe: além de Paulistinha, outros quatro jogadores do Botafogo fizeram parte dessa seleção: China, Zé Carlos, Jorginho Quaresma e Décio).
Pouco tempo depois, aconteceu sua estreia na equipe principal do Botafogo, em 5 de junho de 1958, na vitória de 6 x 0 sobre a Portuguesa, pelo Torneio João Teixeira de Carvalho (*). O Botafogo formou com Adalberto (Lamin), Beto (Zé Carlos), Domício e Ney Rosa; Ronald e Paulistinha; Neyvaldo, Rossi, Amoroso (Garrinchinha), Édison e Quarentinha. Técnico: Marinho Rodrigues.
(*) competição organizada pela federação do Rio de Janeiro para movimentar os clubes cariocas durante a paralisação do calendário nacional para a Copa do Mundo da Suécia. Como as principais estrelas do futebol brasileiro estavam com a seleção na Europa (vencendo o primeiro mundial para o Brasil), as equipes disputaram o torneio utilizando seus elencos reservas e promessas da base. O Botafogo venceu o torneio.
Curiosamente, neste ano de 1958, foram apenas sete jogos, com sete vitórias.
No ano seguinte, 1959, disputou vinte jogos pelo Botafogo, sendo onze amistosos, um pelo campeonato carioca e cinco pelo Torneio Rio-São Paulo.
Dedicou mais tempo se preparando para participar do Campeonato Carioca de Aspirantes, quando pôde comemorar o bicampeonato pelo Botafogo em 1959, participando de 24 de um total de 25 jogos na campanha.
Os primeiros títulos oficiais no Botafogo vieram nos anos de 1961 (Campeonato Carioca) e 1962 (Campeonato Carioca e Torneio Rio-São Paulo - tomando parte de cinco dos sete jogos disputados pelo clube nessa competição).


Consagrou-se campeão de mais quatro torneios oficiais defendendo o Botafogo: o Torneio Rio-São Paulo de 1964, o Torneio Rio-São Paulo de 1966, os Campeonatos Cariocas de 1967 e 1968 e a Taça Brasil (depois reconhecido como Campeonato Brasileiro) em 1968.
No ano de 1969, disputou sua última partida pelo Botafogo, em 19 de julho, na vitória de 2 x 0 sobre o Campo Grande, pela Taça Guanabara, no Maracanã. O Botafogo jogou com Ubirajara Motta, Moreira, Zé Carlos (Chiquinho Pastor), Leônidas e Waltencir (Paulistinha); Carlos Roberto e Afonsinho; Rogério, Ferretti, Iroldo e Torino. Técnico: Zagallo.
De 1958 a 1969, Paulistinha disputou 314 jogos pelo Botafogo e marcou quatro gols.
Paulistinha sempre foi uma espécie de “curinga”. Atuou em quase todas as posições da defesa: lateral-direito, zagueiro central, quarto zagueiro e lateral-esquerdo, além de médio volante (cabeça de área). Até de atacante ele jogou.
É o segundo jogador que mais ganhou títulos pelo Botafogo, com 17 conquistas (sendo dez oficiais) - o primeiro é o goleiro Manga, com 20.
Deixou o futebol carioca em 1969, encerrando a sua trajetória profissional defendendo o Bahia em três partidas válidas pelo torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão (que também seria transformado em Campeonato Brasileiro posteriormente).
Após pendurar as chuteiras, Paulistinha iniciou a nova trajetória como treinador.
Sua primeira equipe foi o Tiradentes, de Teresina (PI), em 1972, quando levou o clube ao título estadual.
Depois treinou o Vitória (ES), em 1977, e o CSA, de Maceió (AL), em 1978.
Em duas pequenas passagens Paulistinha também foi treinador do Botafogo: no Campeonato Brasileiro de 1974, dirigiu a equipe em oito jogos (além de mais três amistosos) e em 1977 (quatro jogos pelo Campeonato Carioca).
Depois desses trabalhos no cenário nacional, ele iniciou sua jornada no futebol internacional, incluindo passagens por Gana (onde treinou o Goldfields Obuasi), em 1976 e 1977.
Alcançou pioneirismo internacional, quando se tornou o primeiro técnico brasileiro a trabalhar na Arábia Saudita, antecedendo nomes históricos como Zagallo e Carlos Alberto Parreira.
Ele assumiu o comando do time Sub-20 em 1984. Liderou os jovens sauditas nas edições do Campeonato Mundial Juvenil da FIFA (atual Copa do Mundo Sub-20) nos anos de 1985 (na União Soviética, quando teve a oportunidade de duelar com o Brasil na primeira fase; o Brasil venceria essa competição) e 1987 (no Chile).
Após o trabalho com a equipe de base, ele comandou brevemente a seleção principal no ano de 1987.
Faleceu em 9 de fevereiro de 2005, no Rio de Janeiro (RJ), vítima de câncer.

Colaboradores & Fontes:
A Gazeta Esportiva
Jornal dos Sports
Marcos Galves Moreira
Revista do Esporte.






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