terça-feira, 25 de agosto de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Jefferson Vieira


Jefferson Vieira da Silva nasceu na cidade de Pato Branco (PR), no dia 25 de agosto de 1970.
Jefferson começou no futebol nas categorias de base do Botafogo, de Ribeirão Preto (SP), em 1988. No ano seguinte, conquistou o título de campeão paulista de juniores.
Ainda como jogador do Botafogo paulista, Jefferson foi titular da lateral-esquerda da Seleção Brasileira de juniores que conquistou o Torneio de Valencia, na Espanha. Na final, em 26 de agosto de 1990, o Brasil venceu a União Soviética, por 2 x 0.
Depois de ser especulado no Fluminense, no final do ano de 1990, no começo do ano seguinte ele estava contratado pelo Botafogo.
Quando o Campeonato Brasileiro de 1991 começou, na primeira rodada Jefferson fez sua estreia na equipe principal. No dia 3 de fevereiro de 1991, no estádio Municipal de Juiz de Fora (MG), o Botafogo venceu o Náutico (PE), por 2 x 0, formando com Ricardo Cruz, Paulo Roberto, Gilson Jáder, André e Jefferson; Pingo, Valdeir e Juninho; Vivinho (Sandro Ventura), Renato Gaúcho e Bujica. Técnico: Valdyr Espinosa.
Mas, logo no jogo seguinte, 6 de fevereiro de 1991, contra a Portuguesa de Desportos, se machucou e foi substituído por Renato Martins que, marcou um dos gols da vitória de 2 x 0. Perdeu a vaga de titular e, somente a partir de 28 de abril a recuperou. Participou de 48 jogos no ano de 1991.

Jogou pouco em 1992 (onze partidas) e no ano seguinte foi emprestado ao Palmeiras (SP), onde estreou no dia 20 de fevereiro de 1993. Permaneceu mais tempo na reserva (o titular era o Roberto Carlos) e fez parte do elenco do Palmeiras que conquistou o campeonato paulista de 1993.
Foi emprestado ao Cerro Porteño, do Paraguai. O time, treinado por Paulo César Carpeggiani, foi vice-campeão paraguaio e disputou a Taça Libertadores da América. Retornou ao Botafogo em setembro de 1994 e disputou 19 jogos.
Disputou 34 jogos pelo Botafogo em 1995. No dia 29 de março de 1995, no Serra Dourada, em Goiânia, disputou sua única partida pela Seleção Brasileira, contra Honduras (1 x 1).
Antes do Campeonato Brasileiro de 1995, que o Botafogo conquistaria, Jefferson foi emprestado ao Vasco da Gama, para disputar a mesma competição. A curiosidade de sua participação é que o primeiro jogo foi contra o Santos, em 26 de agosto, e o último contra o Botafogo, em 6 de novembro, justamente os dois times que decidiram o Campeonato Brasileiro de 1995.

Sua terceira passagem pelo Botafogo teve início no dia 28 de janeiro de 1996, na vitória de 3 x 1 sobre o América, em São Januário, válido pela Taça Cidade Maravilhosa, competição que o Botafogo se sagrou campeão após vencer seis jogos (3 x 1 América, 2 x 0 Fluminense, 2 x 0 Olaria, 5 x 3 Vasco da Gama, 4 x 0 Bangu e 3 x 0 Madureira) e empatar um (2 x 2 Flamengo).
Ainda em 1996, Jefferson venceria o prestigiado torneio internacional Teresa Herrera, com vitória sobre o La Coruña (2 x 1) e um sensacional 4 x 4 com a Juventus, da Itália, decidido a favor do Botafogo, nos pênaltis.
Se tornaria campeão carioca em 1997 e do Torneio Rio-São Paulo de 1998, ano em que disputou seu último jogo com a camisa do Botafogo, em 24 de maio de 1998, com vitória sobre a Seleção do Vietname, por 2 x 1. Nesse jogo o Botafogo formou com Wagner, Wilson Goiano (Dejair Brasília), Grotto, Marcelo Augusto e Jefferson; Alemão, França, Fábio Augusto (Marcelo Alves) e Sérgio Manoel; Chiquinho e Tico Mineiro (Marcos Aurélio). Técnico: Paulo Autuori.
Em sua passagem pelo Botafogo estão contabilizados 243 jogos disputados e nove gols marcados.
Foi, então, para o Sport Recife, contratado como um dos reforços para o Campeonato Brasileiro de 1998. Logo em sua estreia, no dia 2 de agosto, marcou um dos gols da vitória de 2 x 0 sobre o Atlético Paranaense. O Sport fez boa campanha, chegando na quinta colocação.
Em 1999, Jefferson acertou sua transferência para o Bahia, clube onde conseguiu recuperar o protagonismo. No tricolor baiano, reencontrou o bom futebol, tornou-se capitão da equipe de 1999 a 2001 e viveu grandes momentos. Foi campeão baiano nos anos de 1999 e 2001 e da Copa do Nordeste de 2001. Disputou 173 jogos e marcou onze gols.
Em 2002 se transferiu para o Atlético Mineiro, onde teve curta passagem. Jogou apenas oito partidas, entre os dias 19 de janeiro e 6 de março de 2002.
Logo depois, quando estava acertando sua transferência para o Juventude, de Caxias do Sul (RS), Jefferson começou a sentir graves problemas de saúde. Após exames detalhados, ele foi diagnosticado com a Síndrome de Behçet, uma doença autoimune rara que causa inflamação nos vasos sanguíneos. A condição progrediu de forma agressiva, comprometendo severamente seus movimentos e forçando o encerramento imediato de sua carreira profissional. Desde então, ele conta com o suporte integral de seus familiares e realiza tratamentos contínuos de fisioterapia para manter sua qualidade de vida.







segunda-feira, 24 de agosto de 2026

COISAS QUE SÓ ACONTECEM AO BOTAFOGO: um jogo sem camisas alvinegras e sem troféu - 1968



O Botafogo foi até Caracas, capital da Venezuela, para dar revanche à seleção da Argentina, que não estava conformada com o “olé” e a goleada sofrida no Rio de Janeiro diante da seleção brasileira formada com oito jogadores do bicampeão carioca, o Botafogo.
O jogo foi então marcado para o dia 24 de agosto de 1968 e o Botafogo exigiu do empresário Samuel Ratinoff cota correspondente a que seria paga à seleção da Argentina: 30 mil dólares.
O Botafogo viajou sem Paulo Céar Lima, que não acompanhou a delegação por não ter chegado a um acordo com o clube para renovar seu contrato.
Antes de chegar à Colômbia, o Botafogo passou em Santiago, Chile, e venceu o Colo Colo, por 2 x 1.
O Botafogo havia virado uma autêntica obsessão para os jogadores argentinos. O treinador José Minella afirmou que “o jogo será realizado praticamente a pedido dos jogadores”.
Momentos antes de ser iniciado o jogo, o árbitro exigiu que uma das equipes trocasse de camisa, pois usavam ambas listras verticais. O Botafogo então resolveu trocar a alvinegra pela azul e ouro.
Como era de se esperar, o jogo foi tumultuado. Os jogadores da Argentina perderam a esportiva a partir dos oito minutos do segundo tempo, quando Jairzinho driblou o goleiro Andrada e marcou o único gol da partida.
As 16 mil pessoas que lotavam as dependências do Estádio Universitário (que estava sendo reinaugurado) levantaram-se e passaram a exaltar o Botafogo.
Os argentinos, que tinham mais volume de jogo, não se conformaram com o gol que sofreram e ficaram com os nervos à flor da pele.
Aos 28 minutos do segundo tempo estourou um grande tumulto, com troca de empurrões, insultos e alguns tapas por parte de quase todos os 23 jogadores.
Após uma falta de Albrecht em Jairzinho, o jogador brasileiro o repele com um empurrão e todos se aproximaram de forma pouco amistosa. Uma forte direita de Rendo em pleno rosto de Dimas tumultuou ainda mais o ambiente e após dez minutos de interrupção, prosseguiu o jogo, sem tranquilidade de nenhuma das duas partes.
O árbitro acabou por expulsar Ostua, acusado de pivô da confusão depois que agrediu Roberto Miranda, mas o zagueiro custou a sair de campo, o que levou os torcedores a vaiarem insistentemente. Quando faltavam quatro minutos, o zagueiro Zé Carlos também foi expulso por jogo violento.
Depois do jogo, o zagueiro capitão da seleção argentina, Roberto Perfumo, um dos poucos destaques da equipe ao lado de Fischer, disse: “nem lutamos, nem jogamos. E o pior é que não temos o direito de nos queixar de nada. Perdemos simplesmente porque fomos piores”.
Ao final da partida foi oferecido ao Botafogo o Troféu “Dr. Julio Bustamante”.
(*) O Botafogo ganhou uma rica taça oferecida pela Federação Venzuelana de Futebol, mas não conseguiu ver o troféu... Os jogadores se perfilaram no centro do campo, a torcida aplaudiu o time brasileiro e todos ficaram esperando a entrega. Os dirigentes venezuelanos, envergonhados, aproximaram-se e cochicharam ao ouvido de Djalma Nogueira, chefe da delegação do Botafogo, pedindo que a fila se desfizesse, pois a taça (que ficou em exposição durante vários dias em lojas de Caracas) havia sido roubada e a entrega seria adiada “sine-die”. À última hora acabaram arrumando uma taça para substituí-la.
Outra versão é de que a taça não foi roubada e sim que o empresário Samuel Ratinoff, que tinha instituído o troféu, que era de grande valor, na certeza de que os argentinos venceriam, inventou uma desculpa, salientando que não era aquela a taça em disputa.

BOTAFOGO 1 x 0 SELEÇÃO DA ARGENTINA
“Amistoso”
sábado, 24 de agosto de 1968
Local: Estádio Universitário, Caracas, Venezuela
Árbitro: Ivan Barrios (Venezuela)
Expulsões: Zé Carlos, do Botafogo, e Ostua, da Seleção da Argentina
Gol: Jairzinho, 53
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Zé Carlos, Leônidas (Dimas) e Waltencir; Carlos Roberto e Gerson; Zequinha (Humberto), Roberto Miranda, Jairzinho e Lula (Afonsinho). Técnico: Zagallo.
SELEÇÃO DA ARGENTINA: Andrada, Ostua, Perfumo, Albrecht e Nelson López; Rendo e Aguirre; Minnitti, Savoy, Fischer e Veglio (Silva). Técnico: José Minella.




domingo, 23 de agosto de 2026

FORMAÇÕES: Botafogo Campeão Carioca de 1961


Jogadores do Botafogo recebendo suas faixas de campeões cariocas de 1961.
O jogo foi realizado em 3 de janeiro de 1962, no amistoso contra o Santos, com vitória do Botafogo, por 3 x 0.
De pé, da esquerda para a direita: Rildo, Manga, Zé Maria, Nilton Santos, Ayrton, Chicão, Paulistinha, Didi e Pampolini.
Agachados, na mesma ordem: Garrincha, China, Amarildo, Édison, Zagalo, Neyvaldo e Bento Mariano (Massagista).



sábado, 22 de agosto de 2026

OLHO NO LANCE! 1953



Dino da Costa marcando o segundo gol do Botafogo na vitória de 5 x 1 sobre o Canto do Rio, driblando o goleiro Celso.
O jogo foi realizado no estádio de General Severiano, no dia 26 de julho de 1953, pelo Campeonato Carioca.


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Chiquinho Pastor


Francisco de Jesus Fernandes, o Chiquinho Pastor (*), nasceu em Juiz de Fora (MG), no dia 21 de agosto de 1946.
(*) o apelido "Pastor" não era apenas força de expressão. Ainda jovem, enquanto jogava futebol, ele ingressou na Igreja Messiânica Mundial do Brasil (IMMB). Após pendurar as chuteiras, ele se dedicou inteiramente à missão religiosa, tornando-se ministro e, posteriormente, reverendo e vice-presidente da instituição no Rio de Janeiro. Inclusive, ele foi o responsável por introduzir outros atletas no caminho religioso, como o ex-companheiro de equipe Rogério.
Começou no infantil do Tupynambás, de sua cidade natal, onde o Botafogo foi buscá-lo em 1964. No mesmo ano, sagrou-se campeão carioca juvenil, tendo participado de 21 dos 22 jogos que o Botafogo realizou na campanha para o título.

Realizado de 8 de julho a 6 de agosto de 1965 o IV Campeonato Brasileiro de Futebol Juvenil foi vencido pela Seleção da Guanabara. Chiquinho integrou a equipe que, na final, venceu São Paulo, por 1 x 0, gol de outro atleta botafoguense, Afonsinho, na prorrogação (depois de empate em 0 x 0 nos 80 minutos regulamentares). Dirigido pelo técnico Valter Miraglia, conquistaram o tetracampeonato
Também em 1965, Chiquinho sagrou-se campeão carioca de Aspirantes. Nos 14 jogos do campeonato, o time do Botafogo utilizou 25 jogadores, porque foi sempre um time a fornecer elementos para o time titular e que sofria modificações de jogo para jogo. Nenhum jogador, para melhor caracterizar o quanto o time foi mexido, chegou a participar dos 14 jogos. Chiquinho participou de 13 jogos e no único que faltou jogou no time de cima, contra o Vasco da Gama, no dia 4 de dezembro de 1965, no Maracanã, com vitória de 2 x 1. O Botafogo formou com Manga, Joel, Chiquinho Pastor, Paulistinha e Rildo; Marcos e Gerson; Jairzinho, Roberto Miranda, Sicupira e Arthur. Técnico: Daniel Pinto. Esse foi o seu primeiro jogo oficial no Botafogo.
Três dias antes, Chiquinho Pastor jogaria pela primeira vez no time principal do Botafogo, no dia 1º de dezembro de 1965, no amistoso com goleada de 11 x 0 sobre a Seleção de Niterói, na inauguração das novas instalações do estádio Caio Martins. Atuou o Botafogo com Manga (Cao), Joel, Zé Carlos (Chiquinho Pastor), Paulistinha (Mura) e Rildo (Dimas); Marcos (Afonsinho) e Gerson; Jairzinho, Roberto Miranda, Sicupira e Arthur. Técnico: Daniel Pinto.
Em 1966, Chiquinho conquistou novamente o título de campeão carioca de juvenis e não disputou partidas pela equipe principal.


Depois de disputar 17 jogos em 1967 (cinco oficiais e quinze amistosos), no ano seguinte pôde comemorar seus primeiros títulos com o time principal do Botafogo, ao vencer a Taça Guanabara, o Campeonato Carioca e Taça Brasil/Campeonato Brasileiro.
Disputou 28 jogos em 1969 e poucos em 1970 (sete) e 1971 (nove).
Em março de 1971 Chiquinho foi trocado, juntamente com o ponteiro-esquerdo Torino, pelo atacante do Grêmio, Paraguaio.
Em 1972 acertou com o Flamengo, onde permaneceu entre 1972 e 1974. Em agosto de 1974, retornou ao Botafogo, atuando pelo clube até 1976, quando obteve “passe livre” em julho daquele ano.
Sua despedida do futebol aconteceu em 27 de maio de 1976, na derrota de 2 x 1 para o Americano, em amistoso realizado no estádio Godofredo Cruz, em Campos (RJ). O Botafogo formou assim: Ubirajara Alcântara, Miranda, Osmar, Nilson Andrade e Mauro Cruz; Carbone, Rubens Paraná (Luizinho Rangel) e Marco Aurélio (Rogério) (Chiquinho); Mazinho, Manfrini e Mário Sérgio. Técnico: Paulo Amaral.
Atuou pela equipe principal do Botafogo em 138 jogos, não marcando gols.
Chiquinho foi convocado para dois amistosos da Seleção Brasileira no ano de 1973: no dia 27 de maio, no Maracanã, vitória de 5 x 0 sobre a Bolívia, e em 3 de julho, em Argel, nova vitória, 2 x 0 sobre a Seleção da Argélia.
Em 2010, com 63 anos de idade, Chiquinho sofreu uma forte torção no joelho e teve que iniciar tratamento, mas seu quadro evoluiu para uma infecção generalizada que não pode ser revertida, levando-o ao falecimento em São Paulo (SP), no dia 14 de abril.
Chiquinho era irmão do ponta-direita Cafuringa.






quinta-feira, 20 de agosto de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Paulistinha


Osvaldo Sampaio Junior, o Paulistinha, nasceu no dia 20 de agosto de 1939, na cidade de Mairinque, no Estado de São Paulo, localizada na Região Metropolitana de Sorocaba, a cerca de 70 km da capital paulista.
Seu primeiro contato com a bola foi aos 15 anos, primeiramente no Ginásio Municipal de Sorocaba, passando pelo futebol de várzea da cidade até chegar a ingressar no São Bento, de Sorocaba, por intermédio de um amigo, sargento Jatobá. Jogava como “centro-médio” e era tratado por Lilico, que era seu apelido na família.
O São Bento pertencia à Segunda Divisão de São Paulo e ele ficou cerca de dois anos como amador.
Disputou o Campeonato Citadino de 1956 (amador), promovido pela Liga Sorocaba de Futebol.

A Gazeta Esportiva divulgou a seguinte nota em sua edição de 23 de outubro de 1956: “Vem tendo grande atuação no campeonato amador de futebol ora em andamento o médio Lilico, do E. C. São Bento. Lilico foi de fato uma revelação no futebol amador de Sorocaba, tendo já despertado interesse junto ao departamento profissional do alviceleste”.
Mas, não houve tempo para ser testado no time principal. Fez somente um amistoso nessa equipe, um amistoso contra o Jabaquara, em 10 de fevereiro de 1957. Dois dias depois, arrumou suas roupas e rumou ao Rio de Janeiro.
Um amigo seu chamado Otávio, que tinha sido jogador dos aspirantes do Botafogo e que se encontrava no São Bento, o convidou para treinar no Botafogo. Este mesmo Otávio o apresentou ao “Seu” Neném (Neném Prancha), que era o técnico dos infantos-juvenis, e que repassou Paulistinha para Newton Cardoso, treinador dos juvenis. Tendo agradado, permaneceu no Rio de Janeiro.

Quando chegou ao Rio de Janeiro, já existia um “Paulista” no clube, o Lucas, e para diferenciar deram o apelido de Paulistinha em homenagem ao Estado de onde vinha.
Não acertou logo com o Botafogo. Chegou num período em que o Botafogo se encontrava em excursão e ficou apenas treinando, mais ou menos um mês, conseguindo, então, assinar um “contrato de gaveta” (acordo informal).
Disputou todo o campeonato carioca de aspirantes de 1958 (tomando parte de 21 dos 22 jogos que levaram o Botafogo ao título de campeão; o único que Paulistinha não jogou foi porque foi convocado para compor o elenco em um jogo da equipe principal). Paulo Amaral, que já tinha assumido o comando dos juvenis, declarou “Dos muito rapazes que estão se formando nos aspirantes, Paulistinha talvez seja o primeiro a subir”.
No mesmo ano de 1958, teve a alegria de ser convocado para o selecionado brasileiro de juvenis que foi a Santiago, Chile, participar do Campeonato Sul-Americano da categoria, de 18 de março a 2 de abril (o Brasil foi 3º colocado). Detalhe: além de Paulistinha, outros quatro jogadores do Botafogo fizeram parte dessa seleção: China, Zé Carlos, Jorginho Quaresma e Décio).
Pouco tempo depois, aconteceu sua estreia na equipe principal do Botafogo, em 5 de junho de 1958, na vitória de 6 x 0 sobre a Portuguesa, pelo Torneio João Teixeira de Carvalho (*). O Botafogo formou com Adalberto (Lamin), Beto (Zé Carlos), Domício e Ney Rosa; Ronald e Paulistinha; Neyvaldo, Rossi, Amoroso (Garrinchinha), Édison e Quarentinha. Técnico: Marinho Rodrigues.
(*) competição organizada pela federação do Rio de Janeiro para movimentar os clubes cariocas durante a paralisação do calendário nacional para a Copa do Mundo da Suécia. Como as principais estrelas do futebol brasileiro estavam com a seleção na Europa (vencendo o primeiro mundial para o Brasil), as equipes disputaram o torneio utilizando seus elencos reservas e promessas da base. O Botafogo venceu o torneio.
Curiosamente, neste ano de 1958, foram apenas sete jogos, com sete vitórias.
No ano seguinte, 1959, disputou vinte jogos pelo Botafogo, sendo onze amistosos, um pelo campeonato carioca e cinco pelo Torneio Rio-São Paulo.
Dedicou mais tempo se preparando para participar do Campeonato Carioca de Aspirantes, quando pôde comemorar o bicampeonato pelo Botafogo em 1959, participando de 24 de um total de 25 jogos na campanha.
Os primeiros títulos oficiais no Botafogo vieram nos anos de 1961 (Campeonato Carioca) e 1962 (Campeonato Carioca e Torneio Rio-São Paulo - tomando parte de cinco dos sete jogos disputados pelo clube nessa competição).


Consagrou-se campeão de mais quatro torneios oficiais defendendo o Botafogo: o Torneio Rio-São Paulo de 1964, o Torneio Rio-São Paulo de 1966, os Campeonatos Cariocas de 1967 e 1968 e a Taça Brasil (depois reconhecido como Campeonato Brasileiro) em 1968.
No ano de 1969, disputou sua última partida pelo Botafogo, em 19 de julho, na vitória de 2 x 0 sobre o Campo Grande, pela Taça Guanabara, no Maracanã. O Botafogo jogou com Ubirajara Motta, Moreira, Zé Carlos (Chiquinho Pastor), Leônidas e Waltencir (Paulistinha); Carlos Roberto e Afonsinho; Rogério, Ferretti, Iroldo e Torino. Técnico: Zagallo.
De 1958 a 1969, Paulistinha disputou 314 jogos pelo Botafogo e marcou quatro gols.
Paulistinha sempre foi uma espécie de “curinga”. Atuou em quase todas as posições da defesa: lateral-direito, zagueiro central, quarto zagueiro e lateral-esquerdo, além de médio volante (cabeça de área). Até de atacante ele jogou.
É o segundo jogador que mais ganhou títulos pelo Botafogo, com 17 conquistas (sendo dez oficiais) - o primeiro é o goleiro Manga, com 20.
Deixou o futebol carioca em 1969, encerrando a sua trajetória profissional defendendo o Bahia em três partidas válidas pelo torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão (que também seria transformado em Campeonato Brasileiro posteriormente).
Após pendurar as chuteiras, Paulistinha iniciou a nova trajetória como treinador.
Sua primeira equipe foi o Tiradentes, de Teresina (PI), em 1972, quando levou o clube ao título estadual.
Depois treinou o Vitória (ES), em 1977, e o CSA, de Maceió (AL), em 1978.
Em duas pequenas passagens Paulistinha também foi treinador do Botafogo: no Campeonato Brasileiro de 1974, dirigiu a equipe em oito jogos (além de mais três amistosos) e em 1977 (quatro jogos pelo Campeonato Carioca).
Depois desses trabalhos no cenário nacional, ele iniciou sua jornada no futebol internacional, incluindo passagens por Gana (onde treinou o Goldfields Obuasi), em 1976 e 1977.
Alcançou pioneirismo internacional, quando se tornou o primeiro técnico brasileiro a trabalhar na Arábia Saudita, antecedendo nomes históricos como Zagallo e Carlos Alberto Parreira.
Ele assumiu o comando do time Sub-20 em 1984. Liderou os jovens sauditas nas edições do Campeonato Mundial Juvenil da FIFA (atual Copa do Mundo Sub-20) nos anos de 1985 (na União Soviética, quando teve a oportunidade de duelar com o Brasil na primeira fase; o Brasil venceria essa competição) e 1987 (no Chile).
Após o trabalho com a equipe de base, ele comandou brevemente a seleção principal no ano de 1987.
Faleceu em 9 de fevereiro de 2005, no Rio de Janeiro (RJ), vítima de câncer.

Colaboradores & Fontes:
A Gazeta Esportiva
Jornal dos Sports
Marcos Galves Moreira
Revista do Esporte.






quarta-feira, 19 de agosto de 2026

JOGOS INUSITADOS: Botafogo x Seleção dos EUA - 1930


No dia 19 de agosto de 1930, o Botafogo venceu a Seleção dos Estados Unidos pelo placar de 2 x 1, em um amistoso internacional disputado no Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro (RJ).
A partida encerrou a histórica excursão que os norte-americanos faziam pela América do Sul logo após surpreenderem o mundo ao conquistarem o 3º lugar na primeira Copa do Mundo da FIFA, realizada em julho daquele ano no Uruguai.
Os Estados Unidos vinham de uma derrota apertada de 4 x 3 para a Seleção Brasileira, apenas dois dias antes (no mesmo estádio) e agendaram o duelo contra o Botafogo - que liderava o campeonato local - para fechar a sua turnê.

BOTAFOGO 2 x 1 SELEÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS
Amistoso
terça-feira, 19 de agosto de 1930
Local: Laranjeiras, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Jorge Marinho
Gols: Ariza e Carvalho Leite para o Botafogo e Bertram Patenaude para os Estados Unidos
BOTAFOGO: Germano, Benedicto e Octacílio; Carlos Burlamaqui, Martim e Pamplona; Ariza, Paulinho, Carvalho Leite, Nilo e Celso. Técnico: Nicolas Ladanyi.
ESTADOS UNIDOS: James Douglas, Alexander Wood e George Moorhouse; James Gallagher, Michael Bookie e Philip Stone; James Brown, William Gonsalves, Bertram Patenaude, Thomas Florie e James Gentile. Técnico: Wilfred Cummings.

Seleção dos Estados Unidos





terça-feira, 18 de agosto de 2026

FORMAÇÕES: 1985



Formação do Botafogo que venceu o Flamengo em 11 de fevereiro de 1985, no Maracanã, pelo placar de 2 x 1, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro.
Da esquerda para a direita, de pé: Marinho, Alemão, Leiz, Josimar, Luiz Carlos e Wagner Pepeta.
Agachados, na mesma ordem: Helinho, Renato, Baltazar, Elói e Ademir Fonseca.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Zé Carlos


José Carlos Gaspar Ferreira, o Zé Carlos, nasceu em Cascadura, subúrbio do Rio de Janeiro (RJ), em 17 de agosto de 1943.
Tinha 12 anos quando começou a jogar futebol no time infantil do Alvinegro Futebol Clube, em Quintino. Atuava pela ponta-esquerda e depois foi recuado para lateral-esquerda. Fominha como ele só, procurou outro time, sem prejuízo do Alvinegro. Jogava de manhã no Vasquinho, da Rua Nogueira, e de tarde no Alvinegro. Por esses dois times atuou cerca de dois anos e firmou-se na zaga central.
Estava para completar 14 anos quando foi levado para o Botafogo. Seu descobridor foi o meia Édison. No dia em que foi a General Severiano pela primeira vez, Zé Carlos treinou um tempo de zagueiro direito, entre os reservas, e um tempo de lateral-esquerdo, entre os titulares. Aprovou.
Zé Carlos atuou durante dois anos na equipe infanto-juvenil do Botafogo e, com 16 anos foi promovido ao quadro juvenil. Era treinador à época o técnico Marinho, que em dois anos deu cinco títulos ao Botafogo. Zé Carlos foi juvenil até os 19 anos.

Zé Carlos levantou o vice-campeonato carioca de 1960. Foi tricampeão juvenil (1961 - disputou todos os 24 jogos do Botafogo no campeonato), 1962 (novamente, disputou todos os jogos pelo campeonato, desta vez, 22) e 1963 (17 jogos dentre os 22 possíveis) e campeão do Torneio Início de Profissionais em 1963. A formação do Botafogo que conquistou o tricampeonato de juvenis foi: Hélio Dias, Mura, Zé Carlos, Adevaldo e Dimas; Luiz Carlos Theodoro e Arlindo; Jairzinho, Roberto, Canavieira e Othon, um timaço!
O Botafogo voltaria a conquistar o título do Campeonato Carioca de Juvenis em 1964, mas Zé Carlos já se encontrava no time principal.
Também neste ano de 1963 conquistou a Medalha e Ouro na modalidade Futebol nos IV Jogos Pan-Americanos, realizados em São Paulo (SP), de 20 de abril a 5 de maio de 1963. A título de curiosidade, no time que decidiu a competição com empate em 2 x 2 com a Argentina, seis jogadores eram do Botafogo: o goleiro Hélio Dias, os zagueiros Zé Carlos e Adevaldo, o meia Arlindo e os atacantes Jairzinho e Othon Valentim.

Quando de uma excursão à Colômbia, Zé Carlos disputou sua primeira partida na equipe principal do Botafogo no dia 22 de agosto de 1962, na vitória de 3 x 1 sobre o Deportivo Cali, em Cali. O Botafogo formou com Manga (Ary Jório), Joel, Zé Maria (Zé Carlos), Nilton Santos (Paulistinha) e Rildo; Ayrton e Didi (Édison); Garrincha, Canavieira (Amoroso), Amarildo (Quarentinha) e Zagalo (Jairzinho). Técnico: Marinho Rodrigues.
Sua despedida aconteceu em 8 de outubro de 1970, no amistoso em que o Botafogo foi derrotado pelo Universitário, do Peru, por 3 x 0, no Estádio Nacional de Lima. Atuou o Botafogo com Ubirajara Motta, Moreira, Moisés, Leônidas e Waltencir; Nei Conceição e Careca (Botinha); Zequinha, Roberto (Zé Carlos), Ferretti e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo.
Foram 315 jogos nos oito anos em que esteve no Botafogo (média de 35 por ano). Não marcou gol.
Zé Carlos é um dos daqueles casos, hoje em dia cada vez mais raros, do jogador que começou e terminou sua carreira em um clube somente.
Entre torneios oficiais e amistosos, Zé Carlos levantou a taça de campeão em 14 deles. Dentre os oficiais estão: Campeonato Carioca de 1967 (participando de 17 dos 18 jogos) e 1968 (100% de aproveitamento, 18 em 18), Campeonato Brasileiro (antiga Taça Brasil) em 1968 (seis jogos de um total de sete). Taça Guanabara em 1967 (seis de seis) e 1968 (cinco de sete). Torneio Rio-São Paulo em 1964 (dez de dez) e 1966 (sete de nove). Ainda foi campeão do Torneio Início nos anos de 1963 e 1967.
Zé Carlos fez um único jogo pela equipe principal da Seleção Brasileira, em 19 de setembro de 1967, na vitória por 1 x 0 em um amistoso contra o Chile, no Estádio Nacional de Santiago.








domingo, 16 de agosto de 2026

VOCÊ LEMBRA QUE ESTE JOGADOR PASSOU PELO BOTAFOGO?



RIVELINO

Rivelino da Silva Pinho nasceu no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), em 16 de agosto de 1966.
Começou no futebol muito jovem jogando no Colégio Militar do Rio de Janeiro, despertando a atenção de seu técnico e de amigos e decidiu procurar por uma equipe, chegando ao Campo Grande, onde passou a atuar entre os juvenis. Recomendado por um amigo, o treinador Neca, da Escolinha do Botafogo, o levou para o clube, onde passou dos infantis até os juvenis, de 1981 a 1985.
Em 1985, Rivelino foi um dos jogadores convocados para defender o Rio de Janeiro no 8º Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais da categoria de juvenis. Inicialmente foram chamados 32 jogadores pelo técnico Joel Martins. Apenas 17 disputaram a competição (um deles, Rivelino), em que o Rio de Janeiro ficou em terceiro lugar. Dentre os que fizeram parte dessa equipe estavam Zé Ricardo e Zinho, do Flamengo, Alexandre Torres, do Fluminense, e William, do Vasco da Gama.


Fez sua estreia na equipe principal do Botafogo no dia 20 de abril de 1986, no empate em 0 x 0 contra o Puntarenas, de Costa Rica, em jogo válido pelo Torneio Pentagonal da Costa Rica, competição que o Botafogo disputou com uma equipe formada por jogadores reservas e juniores, tendo em vista que seus principais atletas estavam envolvidos com o Campeonato Carioca desse ano. O Botafogo formou com Laguzza, Rogério, Christiano, Zé Luiz e Mânica; Demétrio, Isaac e Luiz Cláudio (Fabiano); Idevaldo (Alcides), Rivelino e Cláudio (Lepe). Técnico: Kleber Camerino.
O Botafogo venceu o torneio, que teve como participantes, além do Puntarenas, Saprissa, também de Costa Rica, Atlante, do México, e da Seleção de Cuba.


Depois disso, só voltaria a jogar em 23 de novembro de 1986, em Campina Grande (PB), quando o Botafogo venceu o Treze local, por 1 x 0, pelo Campeonato Brasileiro. Também por essa competição, fez seu último jogo com a camisa do Botafogo, em 10 de dezembro de 1986, com derrota de 1 x 0 para o Joinville (SC).
No total, foram apenas sete jogos defendendo o Botafogo.

Não teve muitas oportunidades no Rio de Janeiro e se transferiu em 1987 para o Atlético, de Alagoinhas (BA). O clube foi muito mal no 1º turno do Campeonato Baiano e na procura por reforços para o segundo, levou Rivelino, que estreou no dia 31 de maio de 1987, na vitória de 1 x 0 sobre o Serrano.
Mesmo contando com o atacante Jésum, o Atlético não terminou o campeonato baiano em uma boa colocação, ficando em sexto lugar.
Disputou o Campeonato Baiano de 1988 até o dia 26 de junho, quando fez seu último jogo pelo Atlético.
No ano seguinte, passou para o Fluminense, de Feira de Santana (BA), onde permaneceu até 1990, quando se transferiu para a Catuense (BA), clube onde viveu seus melhores momentos.
Seu maior sucesso foi alcançado quando se tornou artilheiro do Campeonato Brasileiro da Série B de 1990, com 11 gols.
Estreou no dia 19 de agosto de 1990, no empate em 0 x 0 com o Central, de Caruaru (PE), e depois marcou gols no jogo contra o Itaperuna (2 x 1 - o da vitória), os dois da vitória de 2 x 1 sobre o Central, em 23.09, em Caruaru (PE), um no 3 x 0 sobre o Juventus (SP), em 29.09 e mais um no 3 x 0 sobre o Americano (RJ), em Campos, em 02.10. A Catuense ficou em primeiro lugar do Grupo C. Na Segunda Fase continuou marcando gols: o da vitória de 1 x 0 sobre o Ceará, em 04.11 e o do empate em 1 x 1 contra esse mesmo Ceará, em 14.11. A Catuense novamente foi primeiro lugar do seu grupo. Na Terceira Fase, os dois no 2 x 2 com o Atlético Paranaense, em 02.12, e os dois da vitória de 3 x 1 sobre o Operário (PR), em 05.12. A Catuense ficou em quarto lugar no grupo e de fora da final. Ficou em 4º lugar na classificação geral.
Seu bom desempenho chamou a atenção do Vasco da Gama (RJ), que o levou, por empréstimo, em janeiro de 1991.
Por questões burocráticas, Rivelino não teve oportunidades para jogar no Vasco da Gama. O Fluminense, de Feira de Santana, dono do seu passe, e a Catuense, que quis ficar com ele em definitivo, com o primeiro não aceitando, fez com que o clube carioca esbarrasse numa luta sem tréguas e que nem o Tribunal da Federação Baiana não conseguiu resolver.
Durante esse período, treinou, marcou gols em treino, recebeu os salários, mas não pôde atuar pelo Vasco da Gama.
Após a prematura desclassificação no Campeonato Brasileiro, o Vasco da Gama o devolveu para a Catuense.
Vasco da Gama 1991 e retornou à Catuense, onde permaneceu até 1994, quando foi emprestado ao Bahia, até o final deste ano, conquistando o título estadual pelo tricolor baiano.
Posteriormente, consolidou sua carreira defendendo equipes do interior do Rio Grande do Sul: Esportivo, de Bento Gonçalves (1999 a 2001, 2003 e 2005), Internacional, de Santa Maria (2000), 15 de Novembro, de Campo Bom (2002), Brasil, de Pelotas (2003), Gaúcho, de Passo Fundo (2004), Garibaldi (2006) e Ivoti (2007), quando encerrou sua carreira aos 43 anos de idade.
Em 2007 estreou como técnico dos juniores do Esportivo. Em 2008, foi técnico dos juniores do Ulbra.
Em 2000, atuando pelo Esportivo, Rivelino fez parte da Seleção do Campeonato Gaúcho escolhida pela ACEG - Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos, que ficou assim composta: Gilmar (Caxias), Jairo Santos (Caxias), Marinho (Grêmio), Lúcio (Internacional) e Sandro Neves (Caxias); Enciso (Internacional), Ivair (Caxias), Gil Baiano (Caxias) e Rivelino (Esportivo); Ronaldinho (Grêmio) e Fabiano (Internacional).



sábado, 15 de agosto de 2026

POLÊMICAS VAZIAS: a final do Campeonato Carioca de 1971


No Campeonato Carioca de 1971, o Botafogo teve uma participação marcante e dominante, mas que terminou como vice-campeão de forma altamente controversa e dolorosa para a sua torcida.
Com um elenco estelar que passou a ser chamado de "Selefogo", que contava com os campeões mundiais de 1970 Carlos Alberto Torres, Brito, Jairzinho (um dos principais nomes da equipe, marcando seis gols, acabou sofrendo uma fratura na perna direita na reta final e não pôde atuar na partida decisiva) e Paulo César Lima, o Alvinegro liderou grande parte do campeonato e era o favorito absoluto. Paulo César Lima foi o artilheiro da competição, com 11 gols.
A três rodadas do fim do octogonal decisivo (segundo turno), o Botafogo sustentava uma confortável liderança com quatro pontos de vantagem sobre o Fluminense (em uma época em que a vitória valia dois pontos).
No dia 10 de junho, o Botafogo vence o Olaria, por 3 x 2. Dois dias depois, o Fluminense derrota o América, por 3 x 1. A contagem de pontos fica assim: Botafogo 28, Fluminense 24.
O Fluminense venceu o Vasco da Gama no dia 16 de junho e somou mais dois pontos, passando a ter 26.
Em 19 de junho, o Botafogo empatou em 1 x 1 com o América. No dia seguinte, o Fluminense venceu o Flamengo por 2 x 0. A diferença passou a ser de 29 a 28 para o Botafogo.
No dia 27 de junho de 1971, Botafogo e Fluminense se enfrentaram no Maracanã diante de mais de 140 mil torcedores. Por ter um ponto a mais, o Botafogo dependia apenas de um empate para erguer a taça.
O placar seguiu 0 x 0 até os 43 minutos do segundo tempo, quando ocorreu o lance polêmico e crucial.
O lateral tricolor Oliveira cruzou a bola na área. O lateral Marco Antônio, do Fluminense, subiu e chocou-se frontalmente com o goleiro alvinegro Ubirajara Motta. O Botafogo reclamou de uma falta violenta e clara, empurrão no goleiro, que acabou soltando a bola. O ponteiro Lula aproveitou a sobra e empurrou para o fundo das redes. O árbitro José Marçal Filho validou o gol, sacramentando a vitória do Fluminense por 1 x 0 e a perda do título alvinegro.
O lance é lembrado até hoje como um dos erros de arbitragem mais famosos do futebol brasileiro.




sexta-feira, 14 de agosto de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Silva


Luiz Carlos da Silva Matos, o Silva, nasceu em Macuco (que ainda era um distrito pertencente ao município de Cordeiro, tendo se emancipado apenas na década de 1990), no Estado do Rio de Janeiro, em 14 de agosto de 1958.
Começou nas categorias de base do Botafogo. Nos anos de 1977 e 1978, conquistou o título de bicampeão carioca de juvenis, consagrando-se como o maior artilheiro da equipe nas duas competições.
No primeiro ano, 1977, disputou 23 jogos e marcou 12 gols. Marcou um dos gols da vitória sobre o Flamengo, na final do campeonato carioca desse ano.
No ano do bicampeonato, 1978, ele se superou e marcou 20 gols. Novamente, marcou gols nos dois jogos da final contra o Flamengo. No primeiro, no dia 9 de dezembro de 1978, marcou um na vitória de 3 x 1. Uma semana depois, 16 de dezembro, mais um na vitória de 2 x 0.


Ainda em 1978 estreou na equipe de profissionais. No dia 6 de abril de 1978, no Maracanã, o Botafogo goleou o Sergipe, pelo Campeonato Brasileiro. A formação foi a seguinte: Zé Carlos, Perivaldo, Osmar (Fred), Renê e Beto; Luizinho Rangel, Mendonça e Clóvis; Cremilson, Nilson Dias (Silva) e João Paulo. Técnico: Zagallo. Foi sua única partida na equipe principal no ano de 1978.
Atuando na Seleção Carioca de Juvenis, Silva conquistou o I Campeonato Brasileiro de Seleções Sub-20, competição iniciada em 23 de dezembro de 1978 e encerrada em 18 de fevereiro de 1979.
Na final, no Beira-Rio, em Porto Alegre (RS), o Rio de Janeiro venceu o Rio Grande do Sul, por 2 x 0, com um dos gols marcado por Silva.
No ano seguinte, 1979, Silva participou de mais jogos no Botafogo (18), marcou seus primeiros gols (total de oito) e ainda foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-20 que ganhou a Medalha de Ouro nos VIII Jogos Pan-Americanos de San Juan (Porto Rico), disputado de 2 a 14 de julho de 1979. Sempre participativo, marcou um dos gols da vitória de 3 x 0 sobre Cuba, na final, em 14 de julho de 1979.
Em 1980 participou de apenas 13 jogos, marcando cinco gols e, em 1981, Silva deixou o Botafogo e rumou para o Vitória, de Salvador (BA). Mesmo tendo marcado 14 gols, não pôde evitar o título do maior rival, o Bahia, ficando com o vice-campeonato estadual.
Retornou ao Botafogo em 1982 e disputou 14 jogos no ano (marcando 3 gols), o último deles em 7 de agosto de 1982, no empate em 1 x 1 com o Bonsucesso, pelo Campeonato Carioca. O Botafogo atuou com Paulo Sérgio, Perivaldo, Sólis, Eraldo e Washington; Josimar (Alemão), Mendonça e Alexandre; Geraldo Touro, Mirandinha e Macedo (Silva). Técnico: Zé Mário.


Em sua passagem pelo Botafogo foram 46 jogos pelos profissionais e um total de 16 gols.
No mesmo ano transferiu-se para o futebol do Rio Grande do Norte, onde conseguiria a façanha de ser ídolo dos dois maiores times do Estado.
Ele se sagrou campeão potiguar de 1982, 1987 (artilheiro da competição, com 14 gols) e 1988, pelo América, e de 1983 e 1984, pelo ABC, sendo o artilheiro do campeonato em 1983, com 32 gols.
Em 1985 Silva foi jogar no Fortaleza e ajudou a equipe a conquistar mais um campeonato estadual.
Jogando pelo América, Silva fraturou a perna em duas ocasiões, o que comprometeu o seu desempenho na equipe.

Após deixar Natal, Silva ainda atuou por América, de Três Rios (RJ), Frigorífico (RJ), Sobradinho e Gama, ambos do Distrito Federal, e Campo Grande (RJ).
Ao encerrar a carreira de atleta profissional, Silva voltou ao Estado do Rio de Janeiro e passou a ser funcionário de uma indústria na cidade de Nova Iguaçu.
Faleceu em Niterói (RJ), no dia 11 de maio de 2026.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

PERSONALIDADES ALVINEGRAS: Alceu Mendes de Oliveira Castro


O primeiro e maior historiador do Botafogo, Alceu Mendes de Oliveira Castro, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), mais precisamente na rua São Clemente, no bairro de Botafogo, em 13 de agosto de 1906.
Aos nove anos de idade abandonou a coleção de selos e interessou-se pelo futebol, passando a colecionar recortes de jornais e revistas referentes ao Botafogo, que, apesar da idade, passou a selecionar cuidadosamente.
Nasceu daí o formidável arquivo que manteve durante anos, enriquecido por suas notas pessoais, tomadas em todos os jogos que assistia. Aos poucos, seu arquivo foi crescendo e se aprimorando: cadernos, com as descrições de todos os jogos e fotos referentes ao Botafogo, álbuns de fotografias, coleção completa e encadernada da revista “Vida Sportiva” (1917-1922), além de suas anotações pessoais, completando organizações de quadros e marcadores de gols.
Em 1922 Alceu passou a sócio-contribuinte e em 1929 a membro do Conselho Deliberativo e a diretor do clube, sendo chamado a exercer o cargo de 1º Secretário, cargo que ocupou até 31 de dezembro de 1930.
Pouco antes, em 8 de setembro de 1930, casou-se com Zaidie Frias. Em janeiro de 1933, no mesmo cargo de 1º Secretário, voltou a trabalhar com Paulo Azeredo, o “Presidente de Ouro” e conheceu dias terríveis da cisão esportiva, provocada pela implantação do profissionalismo.
Nos intervalos da luta, fez uma descoberta preciosa: seu amigo Horácio Machado arrecadara na sede velha, situada sob as arquibancadas, uns baús semi-inutilizados por uma inundação. Neles encontrou o que tanto procurava: dados referentes à vida do clube de 1904 a 1915.
Foi uma lástima o dano provocado pela enchente, pois Alceu verificou que era bem organizado o antigo arquivo do clube, com registros de jogos em pequenos livros apropriados, com organizações de quadros e artilheiros. Copiou o que se salvou e melhorou consideravelmente o seu arquivo, que, ainda assim, no referido período, ficou cheio de omissões.
Em agosto de 1935, cansado e também sucumbido com o advento do profissionalismo, pois que era um amadorista absolutamente sincero, deixou espontaneamente a diretoria do clube, renunciado em plena sessão.
Firmemente disposto a abandonar o esporte, Alceu passou a frequentar menos o clube e recusou vários convites para voltar à administração. Por força do velho hábito da infância, entretanto, manteve sempre em dia o seu arquivo botafoguense, embora empobrecido no que concerne aos jogos das divisões inferiores, tão pouco noticiados na imprensa.

No começo de 1945, quando menos esperava, recebeu um convite que não pôde recusar: Alfredo d’Escragnolle Taunay, então Diretor de Propaganda do clube e que, como tal dirigia o Boletim, sabendo da existência de seu arquivo, pediu-lhe para escrever crônicas na revista mensal botafoguense sobre o passado do Botafogo.
Com súbito entusiasmo, pôs mãos à obra.
Seus artigos agradaram a muitos dos veteranos, que reviveram suas façanhas de outrora e que descreveu com a maior fidelidade. Foi um grande estímulo a escrever a vida do Botafogo. Revendo seu arquivo, faltava muita coisa ainda do período entre 1904 e 1915.
A partir de maio de 1945, passou a frequentar a Biblioteca Nacional, folheando, em suas horas de folga, as coleções dos jornais “Correio da Manhã”, “Jornal do Commercio”, “O Paiz” e “O Imparcial”, dentre outros.
Com enorme satisfação colheu dados completos sobre os campeonatos cariocas de 1910 e 1911, mas, quantos aos outros anos, encontrou muitas falhas: a imprensa da época limitava-se a dar o resultado de um jogo quando este se realizava em um mesmo dia de uma grande partida.
Em abril de 1947, surgiu a indicação inestimável de que os arquivos da Liga Metropolitana de Sports Athleticos achava-se depositado na CBD – Confederação Brasileira de Desportos.
Não hesitou um minuto e pediu socorro ao seu amigo Rivadávia Corrêa Meyer, Presidente da CBD e botafoguense como ele, para que autorizasse a consulta ao precioso arquivo, no que foi prontamente atendido.
Compareceu por três dias à sede da CBD e, em seis horas, copiou todas as súmulas da velha Metropolitana. Aumentou extraordinariamente o seu material, confrontando os dados novos com os que já possuía e ficou apto a escrever a grande obra sobre o Botafogo.
Em janeiro de 1948, convidado por seu amigo de todos os tempos Carlos Martins da Rocha, assumiu o cargo de diretor do Departamento de Comunicações e, com o velho entusiasmo, dedicou-se de corpo e alma ao Botafogo.
Na Secretaria reexaminou todo o arquivo do clube, extraindo notas preciosas de seus livros de atas de sessões de diretorias, assembleia geral e conselho deliberativo, relendo os antigos copiadores de ofícios e todos os relatórios, ficando, assim, senhor de impressionante material.
Num domingo em sua casa, 24 de abril de 1949, para ocupar o tempo, começou a redigir o primeiro capítulo da maior obra até hoje editada sobre o clube (O Futebol no Botafogo 1904-1950) e o entusiasmo apossou-se dele.
E, em seis meses, auxiliado pela boa memória que o conduzia diretamente às fontes, com relativa facilidade, frutificou o trabalho de trinta e quatro anos.
Foram perto de 1.400 páginas manuscritas em papel almaço, que três grandes amigos tiveram a espontaneidade e a paciência de datilografar em suas horas de folga: Horácio Machado, o veterano e exemplar chefe da Secretaria do Botafogo, sua dedicada e prestimosa auxiliar Maria Magdalena Pinto Rollo e a abnegada desportista Romacild Maria Roma, diretora do Departamento Feminino do clube.
No intervalo, decidiu diminuir as omissões relativas aos marcadores de gols e voltou à Biblioteca Nacional, sendo quase totalmente feliz, pois que examinou as coleções de “Gazeta de Notícias”, de 1906 a 1915, o melhor jornal desse período para descrição de jogos. Colheu dados impressionantes, que somente sua paciência fez pesquisar e que tudo indicava fossem inexistentes, como, por exemplo, os autores dos célebres 24 gols contra o Mangueira, em 1909, e referências apreciáveis ao caótico e quase esquecido campeonato de 1912, da Associação de Football do Rio de Janeiro, disputado pelo clube quando se achava separado da Metropolitana.
Alceu sempre deixou claro que redigiu “O FUTEBOL NO BOTAFOGO” na qualidade que mais prezava: na de simples torcedor do Botafogo e não na que ocupava na época, de seu diretor, nem na qualidade de sócio benemérito – título que lhe foi outorgado pelo Conselho Deliberativo, por proposta do Presidente Carlito Rocha, em sessão de 21 de novembro de 1949.
Era Diretor do Departamento de Comunicação do Botafogo quando faleceu, em 5 de outubro de 1962, no Rio de Janeiro.
O féretro saiu da sede do Botafogo de Futebol e Regatas, à avenida Wenceslau Braz, nº 72, para o cemitério de São João Batista.
No dia 7 de outubro de 1962, em General Severiano, o Botafogo venceu o Bonsucesso por 4 x 1. Os jogadores do Botafogo atuaram de luto, com braçadeiras negras pela morte de Alceu.
A Associação dos Cronistas Desportivas do Rio de Janeiro – ACD instituiu a Taça “Alceu Mendes de Oliveira Castro” para ser entregue a um dos finalistas do Torneio Início do Campeonato Carioca disputado em 23 de outubro de 1963. O Botafogo sagrou-se tricampeão do Torneio Início.
Alceu Mendes de Oliveira Castro também era advogado e em 1961 escreveu um outro livro: “Seleções Brasileiras Através dos Tempos de 1914 a 1960”, em parceria com José Carneiro Felipe Filho.