quarta-feira, 2 de setembro de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Limoeirinho


Egidio Pinto da Silva, o ‘Limoeirinho’, nasceu no dia 2 de setembro de 1923.
Há duas versões sobre a origem do apelido Limoeirinho. Uma delas, dizia que era assim chamado por ser filho de um ex-zagueiro do Sport Recife da década de 1920, Limoeiro; a outra, por ter nascido na cidade de Limoeiro, no agreste pernambucano.
Começou sua carreira nas categorias de base do Santa Cruz, de Recife (PE).
Na equipe principal do clube estreou antes de completar 18 anos, no dia 21 de agosto de 1941, aproveitando-se de uma excursão que o Santa Cruz fez pelo Nordeste. Nesse dia, em Fortaleza, o Santa Cruz foi derrotado pelo Ferroviário local. Limoeirinho substituiu Henrique.
No ano seguinte, já como titular do Santa Cruz, disputou o Campeonato Brasileiro de Seleções de 1942 defendendo Pernambuco.
Limoeirinho fez parte da famosa e trágica excursão que o Santa Cruz realizou ao norte do País, viajando de navio, no ano de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial. As forças nazistas, comandadas por Hitler, avançavam cada vez mais, tendo sido formado, para combatê-las, o bloco aliado, ao qual o Brasil se incorporou. Os submarinos alemães percorriam o litoral brasileiro na sua ânsia de afundar navios, com a nossa bandeira ou não. Por essa razão, a viagem foi considerada um risco muito grande e a delegação recebeu a denominação de Embaixada Suicida.
Foram quatro meses fora de Recife, culminando com a morte do goleiro King e do atacante Papeira (infectados pelo tifo), sepultados na capital paraense. Os navios só viajavam em comboios protegidos por barcos da Marinha de Guerra, o que fez com que o Santa Cruz passasse muito tempo retido em Belém, aguardando o momento de voltar para casa. A saída de Recife ocorreu no dia 2 de janeiro e o regresso em 2 de maio de 1943.
No dia 4 de julho de 1943 fez sua última apresentação com a camisa do Santa Cruz, no amistoso contra o Sport Recife.

Poucos dias depois, mais precisamente em 8 de julho de 1943, Limoeirinho treinou pela primeira vez no time titular do Botafogo, marcando dois gols contra o goleiro titular (que treinou entre os reservas) Aymoré Moreira.
Sua estreia oficial no Botafogo foi no dia 1º de agosto de 1943, em General Severiano, antes de completar 19 anos, em jogo válido pelo Campeonato Carioca e disputado em General Severiano, Limoeirinho e Heleno de Freitas marcaram dois gols cada um na vitória de 4 x 3 sobre o Bangu. A equipe do Botafogo foi essa: Ary, Hernandez e Danilo; Ivan, Hélio Leite e Zarcy; Lula, Limoeirinho, Heleno de Freitas, Geninho e Pirica. Técnico: Mário Fortunato.
Disputou mais onze jogos pelo Botafogo em 1943, marcando três gols. Mas é fato que não conseguiu se firmar no time titular do Botafogo.
Jogou treze partidas em 1944 e apenas quatro em 1945, anos em que conquistou o título de bicampeão carioca de aspirantes.
Limoeirinho foi o vice-artilheiro do time na competição de 1944, com 6 gols, um gol atrás de Ruy Aguiar, ajudando o clube a erguer a taça de campeão.
No bicampeonato em 1945, Limoeirinho teve atuações de destaque. Marcou 12 gols, assim registrados:
13.10 - um na vitória de 4 x 3 sobre o Vasco da Gama;
27.10 - marcou os dois gols da vitória de 2 x 0 sobre o Flamengo, na Gávea;
03.11 - um gol na goleada de 6 x 0 sobre o Bangu;
10.11 - marcou três gols na goleada de 5 x 0 sobre o São Cristóvão;
15.11 - um gol na vitória de 3 x 1 sobre o América;
18.11 - anotou quatro gols na goleada por 7 x 1 contra o Olaria.
Ficaria no Botafogo até 30 de março de 1947, quando disputou sua última partida pelo clube, num amistoso contra o Coritiba, no estádio Durival de Brito, em Curitiba (PR), da mesma forma que em sua estreia, marcando um dos gols da vitória alvinegra por 4 x 2. Assim formou o Botafogo: Oswaldo Baliza (Ary), Carvallo e Sarno; Ivan (Rubinho), Nilton Senra e Juvenal; Santo Cristo, Limoeirinho, Geninho, Tim e Izaltino.
De 1943 a 1947, Limoeirinho disputou 41 jogos pelo time principal do Botafogo, marcando 13 gols.
Depois que deixou o Botafogo, transferiu-se para o Olaria e lá disputou o Campeonato Carioca de 1947 e 1948.
Logo em sua chegada, ajudou o Olaria a fazer uma campanha surpreendente no Torneio Início do Campeonato Carioca, disputado no dia 27 de julho de 1947, em São Januário, levando o clube da Rua Bariri à grande final exatamente contra o Botafogo (o Botafogo ficou com o título de campeão).
No ano de 1949 teve uma curta passagem pelo Botafogo, de Ribeirão Preto (SP). Foi contratado no começo do ano como um dos grandes reforços do time para o Campeonato Paulista da Segunda Divisão, mas sofreu uma fratura após um choque com o médio Otacilio, do Orlândia, logo na primeira rodada (22 de maio de 1949). Só voltou a jogar em 25 de setembro de 1949. Realizou quatro jogos oficiais e cinco amistosos, marcando quatro gols (um no Campeonato Paulista e outros três em amistosos).
Retornou ao Rio de Janeiro em 1950, para disputar o Campeonato Carioca desse ano pelo Canto do Rio, último clube onde atuou Limoeirinho.




terça-feira, 1 de setembro de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Luizinho Rangel


Luiz Ronaldo Nunes Rangel nasceu em Niterói (RJ), no dia 1º de setembro de 1956.
Luizinho Rangel praticamente nasceu para o futebol dentro da sede de General Severiano. Ele ingressou nas categorias de base do Botafogo com apenas 11 anos de idade. Conquistou títulos importantes na base, incluindo o Torneio Mundial de Cadetes em Croix, na França, em 1973.
Estreou na equipe de profissionais do Botafogo em 10 de abril de 1976, no Maracanã, no empate em 0 x 0 com o Olaria, válido pelo Campeonato Carioca. A formação do Botafogo foi Wendell, Miranda, Osmar, Nilson Andrade e Dodô; Luizinho Rangel, Marco Aurélio (Ricardo) e Ademir Vicente; Cremilson, Manfrini e Mário Sérgio. Técnico: Telê Santana.
O último jogo de Luizinho Rangel no Botafogo aconteceu em 7 de setembro de 1980, coincidentemente outro 0 x 0, desta vez contra o Campo Grande, no estádio Ítalo del Cima, também pelo Campeonato Carioca.


De 1976 a 1980, Luizinho Rangel vestiu a camisa do Botafogo em 135 jogos e marcou 4 gols.
Ainda em setembro de 1980 foi emprestado ao Santa Cruz, de Recife (PE).
No começo do ano seguinte, janeiro de 1981, teve seu passe negociado com o Los Angeles Aztecs, dos Estados Unidos, atuando na extinta NASL.
No retorno, já com passe livre, passou a atuar no Americano, de Campos (RJ), em julho de 1982.
Transferiu-se em julho de 1983 para o Volta Redonda e depois, em março de 1984, foi para o Fortaleza (CE).
Encerrou sua carreira depois de ter atuado em duas equipes da segunda divisão de Portugal: Sport Clube Vianense, da cidade de Viana do Castelo, que defendeu durante a temporada 1984/1985, e o Clube Desportivo de Gouveia, da cidade de Gouveia, logo na sequência, na temporada 1985/1986.
Após pendurar as chuteiras, Luizinho Rangel seguiu carreira na comissão técnica e gestão de futebol.
Atuou como treinador nas divisões de formação do Vasco da Gama.
Em maio de 2008, após a demissão do técnico Cuca, assumiu o comando do time profissional principal interinamente por uma partida no Campeonato Brasileiro (contra o Náutico, no dia 1º de junho). Dois dias depois, voltou para as categorias de base, dando lugar a Geninho.
Trabalhou e viveu por um longo período em Uberlândia (MG), onde treinou o Uberlândia E. C. e a Associação Uberlandense Unitri.
Teve uma das suas passagens mais marcantes e longevas fora dos campos na equipe do São Bento, de Sorocaba (SP). Ele trabalhou no clube paulista por quase dez anos (entre 2014 - quando formou uma bem-sucedida dupla com o técnico Paulo Roberto Santos - e 2023), atuando como auxiliar técnico, treinador interino (assumiu o comando da equipe principal em onze oportunidades), supervisor e coordenador de futebol, participando ativamente da era de acessos nacionais e estaduais do clube.
Luizinho Rangel faleceu em 17 de abril de 2026, aos 69 anos de idade.
Por sua dedicação e carisma, Luizinho Rangel tornou-se uma figura muito querida pela torcida, funcionários e pela diretoria do São Bento. Quando ele faleceu, o Esporte Clube São Bento emitiu uma nota oficial de profundo luto, definindo-o como "um dos nossos maiores nomes no século".
O jornal local Cruzeiro do Sul destacou que ele era uma daquelas raras presenças indispensáveis que sustentam o funcionamento do futebol por dentro, sem precisar de vaidade ou holofotes.