segunda-feira, 24 de agosto de 2026

COISAS QUE SÓ ACONTECEM AO BOTAFOGO: um jogo sem camisas alvinegras e sem troféu - 1968



O Botafogo foi até Caracas, capital da Venezuela, para dar revanche à seleção da Argentina, que não estava conformada com o “olé” e a goleada sofrida no Rio de Janeiro diante da seleção brasileira formada com oito jogadores do bicampeão carioca, o Botafogo.
O jogo foi então marcado para o dia 24 de agosto de 1968 e o Botafogo exigiu do empresário Samuel Ratinoff cota correspondente a que seria paga à seleção da Argentina: 30 mil dólares.
O Botafogo viajou sem Paulo Céar Lima, que não acompanhou a delegação por não ter chegado a um acordo com o clube para renovar seu contrato.
Antes de chegar à Colômbia, o Botafogo passou em Santiago, Chile, e venceu o Colo Colo, por 2 x 1.
O Botafogo havia virado uma autêntica obsessão para os jogadores argentinos. O treinador José Minella afirmou que “o jogo será realizado praticamente a pedido dos jogadores”.
Momentos antes de ser iniciado o jogo, o árbitro exigiu que uma das equipes trocasse de camisa, pois usavam ambas listras verticais. O Botafogo então resolveu trocar a alvinegra pela azul e ouro.
Como era de se esperar, o jogo foi tumultuado. Os jogadores da Argentina perderam a esportiva a partir dos oito minutos do segundo tempo, quando Jairzinho driblou o goleiro Andrada e marcou o único gol da partida.
As 16 mil pessoas que lotavam as dependências do Estádio Universitário (que estava sendo reinaugurado) levantaram-se e passaram a exaltar o Botafogo.
Os argentinos, que tinham mais volume de jogo, não se conformaram com o gol que sofreram e ficaram com os nervos à flor da pele.
Aos 28 minutos do segundo tempo estourou um grande tumulto, com troca de empurrões, insultos e alguns tapas por parte de quase todos os 23 jogadores.
Após uma falta de Albrecht em Jairzinho, o jogador brasileiro o repele com um empurrão e todos se aproximaram de forma pouco amistosa. Uma forte direita de Rendo em pleno rosto de Dimas tumultuou ainda mais o ambiente e após dez minutos de interrupção, prosseguiu o jogo, sem tranquilidade de nenhuma das duas partes.
O árbitro acabou por expulsar Ostua, acusado de pivô da confusão depois que agrediu Roberto Miranda, mas o zagueiro custou a sair de campo, o que levou os torcedores a vaiarem insistentemente. Quando faltavam quatro minutos, o zagueiro Zé Carlos também foi expulso por jogo violento.
Depois do jogo, o zagueiro capitão da seleção argentina, Roberto Perfumo, um dos poucos destaques da equipe ao lado de Fischer, disse: “nem lutamos, nem jogamos. E o pior é que não temos o direito de nos queixar de nada. Perdemos simplesmente porque fomos piores”.
Ao final da partida foi oferecido ao Botafogo o Troféu “Dr. Julio Bustamante”.
(*) O Botafogo ganhou uma rica taça oferecida pela Federação Venzuelana de Futebol, mas não conseguiu ver o troféu... Os jogadores se perfilaram no centro do campo, a torcida aplaudiu o time brasileiro e todos ficaram esperando a entrega. Os dirigentes venezuelanos, envergonhados, aproximaram-se e cochicharam ao ouvido de Djalma Nogueira, chefe da delegação do Botafogo, pedindo que a fila se desfizesse, pois a taça (que ficou em exposição durante vários dias em lojas de Caracas) havia sido roubada e a entrega seria adiada “sine-die”. À última hora acabaram arrumando uma taça para substituí-la.
Outra versão é de que a taça não foi roubada e sim que o empresário Samuel Ratinoff, que tinha instituído o troféu, que era de grande valor, na certeza de que os argentinos venceriam, inventou uma desculpa, salientando que não era aquela a taça em disputa.

BOTAFOGO 1 x 0 SELEÇÃO DA ARGENTINA
“Amistoso”
sábado, 24 de agosto de 1968
Local: Estádio Universitário, Caracas, Venezuela
Árbitro: Ivan Barrios (Venezuela)
Expulsões: Zé Carlos, do Botafogo, e Ostua, da Seleção da Argentina
Gol: Jairzinho, 53
BOTAFOGO: Cao, Moreira, Zé Carlos, Leônidas (Dimas) e Waltencir; Carlos Roberto e Gerson; Zequinha (Humberto), Roberto Miranda, Jairzinho e Lula (Afonsinho). Técnico: Zagallo.
SELEÇÃO DA ARGENTINA: Andrada, Ostua, Perfumo, Albrecht e Nelson López; Rendo e Aguirre; Minnitti, Savoy, Fischer e Veglio (Silva). Técnico: José Minella.




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