quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O DIA DE HOJE NA HISTÓRIA DO BOTAFOGO: o início do projeto que transformou o Botafogo em SAF


No dia 24 de setembro de 2019, o Conselho Deliberativo do Botafogo realizou, na sede de General Severiano, uma reunião histórica aberta à imprensa. Naquela noite, foi apresentado oficialmente o plano de negócios (Business Plan) da Botafogo S/A, o projeto inicial de clube-empresa que pavimentou o caminho para a posterior transformação do futebol do clube em SAF.
Historicamente fechadas e cercadas de mistério, as reuniões de Conselho dos grandes clubes do futebol brasileiro costumam ser restritas. Rompendo a tradição, o Botafogo permitiu a entrada da imprensa para acompanhar a apresentação, sinalizando ao mercado um compromisso com a transparência.
O encontro funcionou estritamente como uma sessão informativa. O objetivo principal era tirar dúvidas e alinhar o entendimento dos conselheiros sobre o modelo de transição, sem uma deliberação ou votação de estatuto naquela data.
Conduzida sob a pauta de "Informes do Conselho Diretor acerca do Projeto Investidores", a reunião detalhou como o futebol seria separado da parte social e transformado em uma estrutura societária profissional.
Uma das maiores preocupações sanadas na noite foi a garantia jurídica de que as tradições do clube estariam protegidas. Premissas como a manutenção das cores, do escudo, do nome e da sede seriam cláusulas imutáveis no estatuto da nova empresa, independentemente de quem assumisse o controle majoritário futuramente.
Aquela noite de setembro de 2019 estabeleceu a base de confiança necessária para que, nos meses seguintes, o Conselho e a Assembleia Geral aprovassem o projeto por ampla maioria, colocando o Botafogo na vanguarda da transição para o modelo corporativo no futebol brasileiro.
A histórica reunião do Conselho Deliberativo de 24 de setembro de 2019 contou com a liderança da cúpula diretiva do clube e a participação ativa de conselheiros influentes da política alvinegra, dentre eles:
Nelson Mufarrej: o então presidente executivo do clube associativo, que deu o aval político para o início do projeto.
Laércio Paiva: Economista, conselheiro e o grande idealizador técnico e coordenador do comitê executivo da Botafogo S/A. Foi ele quem de fato apresentou os números, os conceitos de mercado e detalhou o Business Plan aos presentes.
André Barros: Conselheiro alvinegro que fez um forte discurso de apoio integral à transição corporativa.
Carlos Augusto Montenegro: ex-vice de futebol e figura histórica nos bastidores do clube, que interpelou a mesa questionando de forma incisiva sobre quais projetos e investidores fariam parte daquele ecossistema.
Sérgio Cerqueira: conselheiro que manifestou preocupações jurídicas a longo prazo, alertando para a necessidade de o clube se blindar contratualmente em um projeto desenhado para durar décadas.
José Victor: Grande Benemérito do Botafogo, que focou sua fala na preocupação imediata com a saúde financeira do clube e as dívidas daquela temporada (2019).
Edson Alves Junior: Presidente do Conselho Deliberativo na época do Botafogo. Foi ele quem abriu formalmente a sessão, leu a ordem do dia e conduziu os ritos estatutários da noite.
Morgan Cavalcanti: Secretário do Conselho Deliberativo Botafogo, responsável por lavrar a ata do encontro.
Aníbal Rouxinol: Conselheiro benemérito que se manifestou com ponderações técnicas a respeito das garantias financeiras.
Raphael de Almeida: Fez questionamentos voltados à preservação do patrimônio imobiliário do clube social (como as sedes de General Severiano e Mourisco Mar).
Bernardo de Souza: Conselheiro que manifestou voto de confiança na equipe econômica liderada por Laércio Paiva.
O nome do empresário americano John Textor só surge formalmente na história do Botafogo em dezembro de 2021, mais de dois anos após aquela reunião inicial de 2019.
A transformação do clube em empresa ocorreu em etapas bem distintas. Na reunião de setembro de 2019, o projeto apresentado por Laércio Paiva era o da Botafogo S/A. A intenção daquela época era buscar um pool de múltiplos investidores (principalmente nacionais e fundos de investimento), sem a figura de um "dono" único com controle majoritário isolado.
No entanto, a pandemia de COVID-19 em 2020 e as dificuldades financeiras asfixiantes do clube travaram o modelo da Botafogo S/A. O cenário mudou completamente em agosto de 2021, quando foi sancionada a Lei das SAFs (Lei 14.193/2021) no Brasil, criando um ambiente jurídico muito mais atraente e seguro para investidores estrangeiros de grande porte.
Com o clube estruturado sob a nova lei e após conquistar o título da Série B de 2021, o banco parceiro XP Investimentos buscou compradores no exterior. Foi aí que o nome de John Textor, por meio da sua holding Eagle Football, entrou no radar alvinegro.
Exatamente na véspera de Natal, Textor assinou o pré-contrato (oferta não vinculante) para a compra de 90% das ações da SAF do Botafogo. Esse foi o primeiro momento em que a torcida conheceu o empresário.
Textor desembarcou no Rio de Janeiro sob imensa festa da torcida no aeroporto e assinou a oferta vinculante após aprovação unânime do Conselho Deliberativo.
Em 3 de março de 2022 foi assinado o contrato definitivo de compra, transferindo oficialmente o controle do futebol para as mãos do americano, prometendo um aporte mínimo de R$ 400 milhões.
John Textor foi o personagem que de fato injetou o capital e assumiu o comando anos mais tarde, iniciando uma era de forte investimento que culminou em títulos expressivos, mas também em profundas disputas societárias nos anos seguintes.



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