terça-feira, 28 de julho de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Alfredinho


Alfredo Silva, o Alfredinho, nasceu em Florianópolis (SC), em 28 de julho de 1897.
Com 15 anos de idade, começou a jogar no C. S. Anita Garibaldi, clube de Florianópolis que defendeu nos anos de 1912 e 1914 e que mudaria seu nome para C. S. Florianópolis.
Em 1916, Alfredinho foi eleito, em concurso aberto realizado pelo jornal O Dia, o segundo melhor jogador de Florianópolis (o primeiro foi Floriano, que atuava pelo time do Ginásio Santa Catarina). Em teve 638 votos, contra 767 de Floriano.
Não se sabe ao certo qual foi o motivo para Alfredinho sair de Florianópolis, sua saída não foi noticiada mesmo sendo um dos maiores jogadores da cidade. Numa época que era quase impossível um jogador de Santa Catarina se transferir para as já badaladas equipes do eixo Rio-São Paulo, segundo contam, ele teria “feito mal” a uma jovem e, com medo de ser preso, fugiu de Florianópolis com destino incerto.
Era comum sair de Florianópolis (de navio) e passar por Paranaguá (PR), Santos (SP) ou Rio de Janeiro (RJ).
Assim, em 1916, aportou em Santos. O jornal A Tribuna de 16 de fevereiro de 1916, destaca: o segundo time da fidalga Americana jogará (um amistoso contra o Internacional, de São Paulo), com ótimos elementos entre os quais Alfredinho, recentemente chegado a esta cidade, a fim de defender as cores alviceleste no campeonato deste ano; é, pois, um elemento de primeiro plano”.
Em 4 de abril de 1916, Alfredinho seguiu, a bordo do vapor “Laguna” para Curitiba, com a delegação da A. A. Americana, que enfrentaria o Internacional local em um jogo amistoso.
Ainda disputaria os campeonatos da Liga Santista de Sports Athleticos de 1917 a 1919, sempre defendendo a A. A. Americana.
Por diversas vezes foi convocado para fazer parte da seleção da Liga Santista.
A última menção ao jogador Alfredinho foi um jogo contra o São Vicente, válido pelo campeonato da Liga Santista, no dia 25 de abril de 1919, empatando em 1 x 1. Alfredinho perdeu um pênalti. Ainda assim, teve atuação destacada entre os jogadores da A. A. Americana.


Segundo o jornal carioca O Paiz, Alfredinho realizou seu primeiro treino no Botafogo em 15 de maio de 1919. Conforme palavras do jornal “O novo player botafoguense, que ocupa a difícil posição de center-half, pelo jogo desenvolvido, demonstrou ser um magnífico jogador, possuindo excelente jogo de cabeça e bela distribuição”.
Sua estreia na equipe principal do Botafogo aconteceu no amistoso realizado em 14 de julho de 1919, em General Severiano, com vitória de 2 x 1 sobre o Carioca. Formou o Botafogo com Oliveira, Monti e Palamone; Franco, Pollice e Jones; Alfredinho, Petiot, Stirling, Luiz Menezes e Neco.
Disputou apenas mais dois jogos pelo Botafogo em 1919, ambos os amistosos contra o time do Cruzador “Renown”, da Inglaterra, em 11 e 12 de outubro, nos dois marcando seus primeiros gols com a camisa do Botafogo (um no primeiro e dois no segundo).
Sua primeira partida oficial, pelo Campeonato Carioca, só aconteceria em 18 de abril de 1920, na goleada de 5 x 0 sobre o Palmeiras, do Rio de Janeiro (RJ).
Disputou 22 dos 23 jogos realizados pelo Botafogo em 2020, marcando um gol.


Graças às excelentes exibições técnicas pelo Botafogo, Alfredinho alcançou o ápice de sua projeção nacional em 1921, quando foi convocado para defender a Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano (atual Copa América) em Buenos Aires, Argentina, onde disputou os três jogos realizados: 02.10, derrota para a Argentina (1 x 0), 12.10 (vitória sobre o Paraguai, 3 x 0) e 23.10 (derrota para o Uruguai, 2 x 1).
Em 1922 fez parte da equipe brasileira que conquistou o título da Taça Rodrigues Alves, contra o Paraguai (vitória de 3 x 1), em 29 de outubro de 1922, sua última participação na Seleção Brasileira.
Ficou de fora de poucas partidas disputadas pelo Botafogo até 1926.
Seu último jogo oficial na equipe principal do Botafogo ocorreu em 1º de maio de 1927, na vitória por 4 x 2 sobre o Bangu, pelo Campeonato Carioca. Nesse jogo formou o Botafogo com Baby Campos, Alemão e Octacílio; Jerônimo, Alfredinho (Couto) e Rogério Braga; Ariza, Neco, Nilo, Aché e Orlando Torres.
Não disputou mais jogos oficiais de 1928 a 1932.
Mesmo deixando o time titular principal, Alfredinho seguiu vinculado ao Botafogo por anos. Ele jogou as competições de Segundos Quadros (reservas) entre 1928 e 1930, e chegou a conquistar o título de Campeão Carioca de Terceiros Quadros pelo Botafogo em 1931.
Faleceu em 30 de dezembro de 1990.


Fontes & Colaboradores:
A Tribuna (SP)
Adalberto Jorge Klüser
Almanaque do Futebol Catarinense
O Dia (SC)
O Estado (SC)
O Paiz (RJ).



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