quinta-feira, 16 de julho de 2026

RETRATO EM PRETO E BRANCO: “El Lobo” Fischer



Rodolfo José Fischer nasceu em Oberá, na província de Misiones, na fronteira com os três Estados da Região Sul do Brasil, no dia 16 de julho de 1944.
O pai, Benjamin, brasileiro, gaúcho de origens alemães, era dirigente do Atlético Oberá e ali o filho começou a trajetória no futebol, embora não em tempo integral: após formar-se no colegial, foi estudar Odontologia em Rosário, onde um de seus lazeres era jogar bola no Estrella del Sur. Foi ao San Lorenzo por indicação de um tio, ex-atleta do clube.
Fischer estreou em 18 de abril de 1965 num 1 x 1 com o Argentinos Juniores. Fischer jogou só mais duas vezes nesse ano, brilhando no clássico com o Huracán, quando o San Lorenzo venceu por 4 x 2, com dois gols do novato.
Na temporada seguinte começou como titular. Curiosamente, um dos jogos da pré-temporada de 1966 foi contra o Botafogo, que venceu por 2 x 0 no estádio do River Plate, gols de Jairzinho e Bianchini.
Após jogar muito mal contra o Atlanta na segunda rodada, ficou onze jogos ausente. Até que marcou três gols no Newell’s Old Boys. Não voltou a sair dos titulares e teve tempo de registrar sete gols em 1966, incluindo em um 4 x 1 sobre o Huracán e 2 x 1 dentro de La Bombonera, sobre o Boca Juniores.

Em 1967, foi o artilheiro do elenco, com 18 gols, incluindo dois na vitória de 3 x 2 no River Plate. Formando boa linha ofensiva com Héctor Veira e Narciso Doval, terminou enfim estreando pela seleção argentina. Sua jogada característica era a “bicicleta”, como os argentinos chamam a pedalada.
No início de 1968, os dirigentes do San Lorenzo pensaram em vendê-lo ao River Plate. Os torcedores já idolatravam Fischer, a ponto de impedir e venda. Deu certo: naquele ano, o San Lorenzo se tornou o primeiro campeão argentino de forma invicta na era profissional ao vencer o Torneio Metropolitano e Fischer foi o vice-artilheiro do torneio, além de marcar o gol decisivo na final contra o Estudiantes – depois de já ter vazado o Boca Juniores em 2 x 1 em La Bombonera e por duas ter marcado três gols (5 x 1 no Atlanta e 3 x 0 no Ferro Carril Oeste.
Curiosamente, ele reencontrou o Botafogo em nova derrota para os alvinegros, em amistoso não-oficial pela própria seleção argentina (1 x 0, gol de Jairzinho, na Cidade do México, em 24 de agosto).
Fischer não foi usado nas eliminatórias e a seleção, como se sabe, não se classificou. Erro que ele demonstrou no Torneio Nacional de 1969, onde foi artilheiro com direito a mais duas “tripletas”, em 5 x 2 sobre o Talleres e em 5 x 0 no San Martín de Tucumán, e pela assistência em vitória argentina sobre o próprio Brasil de 1970 meses antes da Copa do Mundo, no Beira-Rio, em Porto Alegre (RS).
No ano de 1970, Fischer atacante acumulou 27 gols pelo San Lorenzo, que teve pinta de campeão no Torneio Metropolitano, mas perdeu gás na reta final, apesar dos gols de Fischer sobre os líderes Independiente e River Plate. O time ainda chegou à decisão da Copa Argentina, que terminou não concluída após a primeira partida com o Vélez Sarsfield ficar no 2 x 2.
A equipe saiu-se melhor em torneios de verão na Europa, com Fischer deixando o dele no 5 x 0 sobre o Borussia Dortmund, da Alemanha, pela final do Troféu Costa Brava, em Girona; e no 3 x 2 sobre o Anderlecht, da Bélgica, pelo bronze do Torneio de Cádiz. Também foi vice-campeão no tradicional Teresa Herrera, perdido apenas nos pênaltis para o Ferencvaros, da Hungria.
Em 1971 foram 28 gols somados de Fischer nos dois campeonatos. Fischer ainda deixou dois gols contra o Boca Juniores, além de duas novas “tripletas” (5 x 2 no Ferro Carril Peste e 4 x 2 no Colón), mas o máximo alcançado foi o vice-campeonato no Torneio Nacional. Para 1972, o clube reuniu passado e presente, recontratando o maior artilheiro de sua história para fazer dupla com Fischer: José Sanfilippo, que retornava após dez anos (fora o artilheiro das finais da Libertadores contra o Santos, em 1963), depois no Nacional novamente vice-campeão da Libertadores no ano seguinte, além de passagens pelo Bangu e Bahia.
O San Lorenzo conseguiu outro fato inédito em 1972: foi campeão tanto do Metropolitano quanto do Nacional, os dois torneios que dividiram o calendário dos principais clubes do país entre 1967 e 1985.
Mas Fischer saiu ainda em meio ao Metropolitano, mas a tempo de deixar 11 gols em 12 jogos na campanha (três em um 4 x 0 no River Plate dentro do Monumental) e não foi esquecido na música que embalou a conquista: “Con Irusta y Glaria, con Espósito y Rosl, el recuerdo de Fischer también estará“.

Em 25 de maio de 1972, Fischer já havia acertado com o Botafogo. Pouco depois, seguiu com a seleção argentina para a Taça Independência, em junho, uma minicopa organizada para celebrar os 150 anos da Independência do Brasil.
Chegou a marcar quatro gols na seleção da CONCACAF, a última vez que alguém marcou tanto pela Argentina (ele já havia somado quatro gols pela seleção em jogo não-oficial em 1967, em 6 x 1 contra o combinado de Posadas).
Sua ida ao futebol brasileiro lhe afastou de novas convocações posteriores.
Estreou no Botafogo no dia 30 de julho de 1972, na vitória de 1 x 0 sobre o Fluminense, no Maracanã., em jogo válido pelo Campeonato Carioca O Botafogo formou com Wendell, Luiz Cláudio, Brito, Scala e Waltencir; Carlos Roberto, Nei Conceição e Dorinho; Zequinha, Jairzinho (Ferretti) e Fischer. Técnico: Tim.
Marcaria seu primeiro gol com a camisa do Botafogo uma semana depois de estrear, na derrota de 2 x 1 para o Flamengo.
Mas, nesse mesmo ano de 1972, pode se vingar ao marcar dois gols na goleada de 6 x 0 sobre esse mesmo Flamengo, em 15 de novembro de 1972, no Maracanã.
Terminou 1972 como vice-campeão brasileiro. Apesar do temperamento forte, embora introvertido, fez boa dupla com Jairzinho. Foram 35 jogos e 10 gols.
Em 1973, esteve na campanha semifinalista da Libertadores com o Botafogo: em uma primeira fase duríssima em que só o primeiro colocado avançava, o Botafogo eliminou a dupla uruguaia Peñarol (com Fischer marcando no Rio de Janeiro e em Montevidéu) e Nacional e ainda o Palmeiras. Mas a vaga na final foi perdida na fase seguinte quando jogou contra Colo Colo, do Chile, e Cerro Porteño, do Paraguai.
Disputou 56 jogos e marcou 16 gols.
O Botafogo não conseguiu títulos nos anos (1972 a 1976) em que Fischer o defendeu, se aprofundando no famoso jejum de 21 anos, mas Fischer fez sucesso: por décadas foi o estrangeiro com mais gols no Brasileirão, só sendo superado pelo sérvio Dejan Petkovic, que jogou muito mais vezes.
Com seus 68 gols, ainda é o maior artilheiro de outro País a jogar pelo Botafogo, à frente de Loco Abreu e Herrera.
Por muitos anos foi o estrangeiro que mais atuou pelo Botafogo (superado mais tarde por Joel Carli e Gatito Fernández).
No total, foram 180 jogos disputados e 68 gols marcados.
Sua última partida foi em 31 de janeiro de 1976, com vitória de 4 x 0 no amistoso contra a Seleção de Juiz de Fora (MG), também marcando seu último gol pelo Glorioso. Formou o Botafogo com Wendell (Ubirajara Alcântara), Miranda (Waltencir), Chiquinho Pastor (Osmar), Nilson Andrade e Marinho Chagas; Carlos Roberto (Carbone), Ademir Vicente e Manfrini (Artur); Antônio Carlos, Fischer e Nivaldo. Técnico: Telê Santana.
Ainda em 1976, Fischer foi jogar no Vitória, onde passou a ser treinado pelo mesmo técnico do San Lorenzo de 1968 e que bancara a transferência junto ao Botafogo: Elba de Pádua Lima, o Tim.
Se não pôde quebrar o domínio estadual do Bahia, o atacante ao menos deixou ótima impressão no Vitória: 31 gols em 41 jogos por um elenco que soube liderar seu grupo no Brasileirão, acima do próprio rival e da dupla Botafogo e Fluminense.
Em 10 de junho de 1976 Fischer atuou contra um combinado do Resto do Mundo, onde estavam os ex-companheiros de San Lorenzo: Doval e o goleiro Buttice.
Fischer voltou ao San Lorenzo em 1977. E, já veterano, conseguiu somar mais onze gols e ser artilheiro do clube no Metropolitano. Ficou mais um ano e totalizou 141 gols em 272 jogos. Faltou só um gol para ser o terceiro maior artilheiro do San Lorenzo. Um setor do estádio do San Lorenzo leva o nome de Fischer.
Seguiu carreira no Once Caldas, da Colômbia.
O último título veio no Sarmiento em 1980, vencendo a Segunda Divisão da Argentina (o que colocou esse time pela primeira vez na elite).
Fischer se gabava com estilo: “Alfredo Di Stéfano disse que eu poderia jogar em qualquer parte e esse é o maior elogio que recebi”.
Fischer pendurou as chuteiras em 1981, na Liga de Córdoba, pelo Sportivo Belgrano, da cidade de San Francisco.
Faleceu em 16 de outubro de 2020, aos 76 anos, após travar uma batalha contra o câncer.




Fonte:
Futebol Portenho.


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