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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

EM 1957, O BOTAFOGO ENFRENTOU UM DOS TIMES MAIS FORTES DO MUNDO


No dia 23 de janeiro de 1957, no Maracanã, o Botafogo enfrentou o famoso time húngaro do Honved, clube do Exército da Hungria. Tricampeão húngaro de 1954 a 1956 e base da seleção magiar, que encantou a todos com ótimas apresentações na Copa do Mundo de 1954, cedendo-lhe nada menos que sete jogadores: Grosics, Lorant, Bozsik, Budai II, Kocsis, Puskas e Czibor, com certeza um dos times mais fortes de todos os tempos.
Com isso, desafiou, como já fizera o Flamengo, uma proibição da FIFA, já que o time europeu havia abandonado seu país, em protesto contra a invasão das tropas da União Soviética.
Quatro dias antes, o Honved havia perdido do Flamengo por 6 x 4.
Na sua segunda apresentação em gramados brasileiros, conseguiu a sua primeira vitória. Venceu o Botafogo por 4 x 2. O Botafogo, mesmo contando com os reforços dos quatro jogadores pertencentes à seleção carioca, não resistiu ao melhor jogo dos húngaros.
No primeiro tempo, ainda houve equilíbrio entre alvinegros e magiares. Mas no segundo período o Honved mostrou-se mais senhor de si, predominando no gramado. O Botafogo, é verdade, não merecia perder por diferença de dois tentos, pois desperdiçou inúmeras oportunidades, que se aproveitadas mudariam a fisionomia do placar.

LANCES DO JOGO

O primeiro a entrar no gramado – em fila indiana – foi o quadro do Honved. Os húngaros fizeram a saudação ao público no círculo do centro do campo.
Coube a saída ao Botafogo. O primeiro ataque pertenceu aos alvinegros, tendo Paulinho Valentim perdido tento certo após falha tremenda da defesa húngara.
Os húngaros logo a seguir atacam e Puskas aplica uma “bicicleta” para fora.
A partida, à altura do décimo minuto, decorria equilibrada, quando Puskas, em excelente jogada, centro otimamente para Kocsis. Este cabeceou a bola, desviando-a do goleiro Amaury, para depois abrir a contagem, de “virada” sem ângulo.
Logo após o gol de Kocsis, Budai, em entrada fulminante, atirou um “sem pulo” quase aumentando o escore, não fosse a defesa de Amaury.
Aos 15 minutos, Paulinho Valentim quase igualou a contagem, perdendo o lance , pois atirou em cima do goleiro Grosics.
Aos 20 minutos, Garrincha desperdiçou um ataque do Botafogo, atirando alto.
Aos 24, o Botafogo empatou sensacionalmente. Garrincha foi o autor do tento de empate, com tiro potentíssimo de fora da área.
Aos 33 minutos, Czibor experimentou o arremate de longa distância, tendo Amaury segurado com firmeza.
Aos 35, o árbitro Mário Vianna deixou de assinalar um pênalti de Nilton Santos em Sandor. O ponteiro-direito foi tirado da jogada na hora em que se levantava para fazer o gol.
A seguir, a linha do Botafogo atacou e o zagueiro Rackozi, do Honved, praticou “hands-penalty” não marcado por Mário Vianna.
Aos 40 minutos, Bauer experimentou um tiro de longa distância. Disparou o “canhão”, porém Grosics colocou para escanteio.
Logo após, Kocsis perdeu tento certo, dando oportunidade a que Pampolini conjurasse o perigo.
Aos 42 minutos, Mário Vianna marcou pênalti contra o Botafogo. Nilton Santos aterrara Kocsis, evitando um lance perigoso para Amaury. Puskas bateu o pênalti com maestria e assinalou o segundo gol do Honved. O primeiro tempo terminou com o escore de 2 x 1 para os húngaros.
O primeiro ataque do 2º tempo pertenceu ao Honved. O ponteiro Szolbök, que entrara no lugar de Czibor, atirou forte, para Amaury defender bem.
Até os dez minutos de jogo, os magiares estiveram melhores que os botafoguenses.
Aos 15 minutos, graças a uma excelente jogada de Garrincha, o Botafogo empatou a partida. Garrincha centrou esplendidamente, após livrar-se de Dudai e, Paulinho Valentim, que vinha na corrida, colocou alto: 2 x 2.
Após o tento de empate, o Botafogo cresceu de produção. Esteve mais perigoso. Perdeu dois tentos certos, um com Didi, o outro com Paulinho Valentim.
O meia Didi chegou a marcar um gol mas estava em posição de impedimento.
Aos 32 minutos, Kocsis cabeceou por cima, após receber de Puskas ótimo centro.
Aos 39 minutos, o goleiro húngaro salvou tento certo, colocando para escanteio.
Aos 40 minutos, Kocsis, em impedimento, cabeceou para marcar o terceiro gol do Honved. O centro foi dado por Bozsik, e o meia, na frente dos zagueiros alvinegros, desempatou ilegalmente.
Aos 43 minutos, o Honved assinalou o seu quarto gol, por intermédio de Kocsis, outra vez. O meia-direita magiar passou pela defesa alvinegra, driblou o goleiro Amaury e colocou rasteiro no fundo do arco botafoguense, dando números finais ao encontro: 4 x 2.
Destacaram-se na equipe do Honved o goleiro Grosics e os atacantes Puskas, Sandor e Kocsis, principalmente este último, autor de 3 tentos dos 4 obtidos pelos húngaros.
No Botafogo, sobressaíram Amaury, Didi e Garrincha, principalmente este último.
Os dois quadros formaram assim constituídos:
BOTAFOGO: Amaury, Orlando Maia, Bob e Nilton Santos; Bauer e Pampolini; Neivaldo (João Carlos), Didi, Paulinho Valentim (Gato), Garrincha e Cañete.
HONVED: Grosics, Rackozsi, Baniay e Dudas; Bozsic e Kotazs; Sandor, Kocsis, Budai, Puskas e Czibor (Szolbök).
O árbitro do encontro foi Mário Vianna, com atuação regular. Deixou de marcar dois pênaltis, um para cada lado e validou o “gol” ilegal de Kocsis (o terceiro).
A renda somou a quantia de Cr$ 2.346.047,70.
Na preliminar, defrontaram-se as equipes infanto-juvenis do Flamengo e do Botafogo. Vitória dos garotos botafoguenses por 2 x 1.
Antes do encontro, a Escola de Samba “Estação Primeira de Mangueira” fez evoluções no gramado.
Os húngaros passaram vinte dias no Rio de Janeiro, hospedados no Hotel Glória, e jamais tiveram sossego.
A temporada inesquecível os levou a romper definitivamente com seu país e a se espalhar por clubes da Europa. Ferenc Puskas, estrela maior da companhia, ingressou no Real Madrid, naturalizou-se espanhol e só regressou à Hungria em 1981.

Fonte: Jornal do Brasil.

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