domingo, 13 de novembro de 2022

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Bob


Filho de um escocês que casou com uma brasileira, Robert James Neil, o Bob, nasceu no dia 19 de outubro de 1928, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, onde começou a jogar futebol, primeiramente no Engenhoca e depois no Cocotá.

Sempre atuando como médio (hoje, equivalente a posição de volante), Bob era um jogador raçudo, daqueles que “molhavam a camisa com sangue”, como gostava de dizer o botafoguense Roberto Porto, e possuidor de um forte poder de marcação.

Como juvenil foi jogador de basquetebol do América, do Rio de Janeiro, por quatro temporadas, chegando a ser campeão carioca nos anos de 1944 e 1945 nessa categoria. Quando foi convocado para a seleção estadual que disputaria o Campeonato Brasileiro Juvenil de Basquetebol, não emplacou, pois teve problemas com a saúde, exatamente na oportunidade e não se apresentou para os treinamentos. Aborrecido com a pouca sorte, decidiu abandonar o basquetebol.

Passou, então, para o Botafogo. Já como jogador do alvinegro, Bob foi convocado, em julho de 1947, para integrar a seleção carioca que disputaria o Campeonato Brasileiro de Futebol Juvenil.

Se profissionalizaria em 1949 e ganharia mais espaço a partir de 1951. No Botafogo, teve bons momentos, mas o clube vivia um desagradável jejum de títulos.

Fez sua estreia no Botafogo em 8 de abril de 1951, com derrota de 4 x 1 para o Canto do Rio, jogo válido pelo Torneio Municipal, competição que acabaria sendo conquistada pelo alvinegro. Formou o Botafogo com Arízio, Jorge Carlos e Floriano; Britto, Bob e Adão; Mangaratiba, Quissamã, César (Careca), Baduca (Abel) e Walter Silva. Técnico: Carvalho Leite.

Até 1957 foram mais de 200 jogos com a camisa do Botafogo: 

ANO

J

V

E

D

GM

1951

11

7

3

1

0

1952

7

4

1

2

0

1953

41

22

10

9

0

1954

58

31

10

17

0

1955

46

25

11

10

1

1956

56

34

11

11

0

1957

10

4

2

4

0

TOTAL

229

127

48

54

1

No final de 1956, acabou ficando marcado por uma suspeita de suborno em uma derrota de seu clube para o Vasco da Gama, nunca confirmada.

Sua última partida pelo Botafogo, por coincidência, teve o mesmo placar negativo, contra o Palmeiras, em 27 de fevereiro de 1957. Naquela ocasião, o Botafogo atuou com Pereyra Natero, Beto e Abigail; Bob, Bauer e Pampolini; Neyvaldo (Ary Costa), João Carlos, Paulinho Valentim, Mário e Cañete.

Sem clima, transferiu-se para o Grêmio, de Porto Alegre (RS), no começo de 1957. Sua estreia no Grêmio foi em 19 de maio de 1957, na vitória de 2 x 1 sobre o Cruzeiro-RS, em jogo válido pelo Campeonato Citadino de Porto Alegre.

No final daquele ano, em entrevista à Manchete Esportiva, revelou que recebia, no Grêmio, os mesmos valores do Rio de Janeiro, somados os seus salários no Botafogo e em seu segundo emprego nas Óticas Lux.

No Grêmio, fez parte do grupo que conquistou cinco campeonatos gaúchos, de 1957 a 1960.

Faleceu em 1º de dezembro de 2004, vítima de um infarto.



Fontes:

Esporte Ilustrado

Grêmiopédia

Jornal dos Sports

Tardes de Pacaembu.



sábado, 12 de novembro de 2022

HÁ 100 ANOS NA HISTÓRIA DO BOTAFOGO: a decisão do Campeonato Carioca de Segundos Quadros – 1922


No destaque, Jolibel, o autor do gol do título


Há cem anos, no dia 12 de novembro de 1922, aconteceu a decisão do Campeonato Carioca de Segundos Quadros, entre Botafogo e Vasco da Gama, promoção da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres - LMDT

O Botafogo foi o campeão da Série A da Primeira Divisão, com 18 pontos ganhos, mesma pontuação do Flamengo (na decisão, o Botafogo venceu por 3 x 2). Essa série ainda contou com, além de Botafogo e Flamengo, América, Andarahy, Bangu, Fluminense e São Cristóvão.

O adversário do Botafogo na final foi o Vasco da Gama, campeão da Série B, que teve como demais participantes Americano, Carioca, Mackenzie, Mangueira, Palmeiras e Villa Isabel.

De acordo com o regulamento, os vencedores das séries decidiriam entre si, em jogo único, quem seria o campeão do Campeonato Carioca dos Segundos Quadros.

O jogo foi realizado no campo do Andarahy A. C., à Rua Prefeito Serzedelo. Logo que entrou em campo, a equipe do Vasco da Gama ofereceu ao Botafogo uma artística “corbeille” de flores naturais.

Segundo o Correio da Manhã “O jogo despertou grande interesse por parte dos torcedores. Ambos os quadros agiram de um modo admirável, salientando-se, entretanto, os ataques do alvinegro, que eram mais contínuos e perigosos, dando um trabalho insano à defesa vascaína”.

A vitória coube ao Botafogo, por 1 x 0, ponto esse conquistado aos dois minutos de jogo, por Jolibel, depois de receber um passe da extrema.

O Imparcial afirmou: “É justo salientar a atuação admirável do “center-forward” da equipe alvinegra, o pequeno Bolívar, que foi o jogador que mais se destacou em campo, não só pela sua inteligência no comando do ataque, como também pela coragem”.

Virgílio Fedrighi, do América F. C., foi o árbitro do jogo e as duas equipes formaram assim:

BOTAFOGO: Almir, Nestor e Braga; Jair, Caruso e Baby; Maciel, Jolibel, Bolívar, Neco e Claudionor.

VASCO DA GAMA: Amaral, Van Erven e Carlinhos; Palamone, Jayme e Borges; Leão, Caminha, Medina, Godoy e Alberto.

 

Fontes:

Correio da Manhã

O Brasil (RJ)

O Imparcial (RJ)

 

 


sexta-feira, 11 de novembro de 2022

FORMAÇÕES DO BOTAFOGO: 1912


Quadro que enfrentou o Americano, em 6 de outubro de 1912.

Em cima, de pé: Edgard Dutra, Juca Couto, Álvaro Werneck, Lulu Rocha e Rolando de Lamare; 

Sentados: Carlos Villaça, Abelardo de Lamare, Décio Viccari, Hugh Edgard Pullen, Mimi Sodré e Lauro Sodré.


BOTAFOGO 0 x 3 AMERICANO-SP

Amistoso Interestadual

Data: domingo, 6 de outubro de 1912

Local: Praça Marechal Deodoro, São Cristóvão, Rio de Janeiro (RJ)

Árbitro: Antônio Luiz Werneck

Gols: Irineu Malta (2) e Eurico Mendes

BOTAFOGO: Álvaro Werneck, Hugh Edgard Pullen e Edgard Dutra; Rolando de Lamare, Lulu Rocha e Juca Couto; Carlos Villaça, Abelardo de Lamare, Décio Viccari, Mimi Sodré e Lauro Sodré.

AMERICANO: Hugo Moraes, Menezes e Itaborahy; Augusto Bertone, Juan Bertone e Sebastião Alves; Irineu Malta, Eurico Mendes, Octávio Bicudo, Alencar e Maurício.


Fonte: O Futebol no Botafogo 1904-1950, de Alceu Mendes de Oliveira Castro

 


quinta-feira, 10 de novembro de 2022

OS PRESIDENTES: Ney Cidade Palmeiro


Natural de Uruguaiana (RS), onde nasceu no ano de 1910, Ney Cidade Palmeiro foi juiz, desembargador, professor e reitor universitário.
Chegou ao Rio de Janeiro em 1925.
Foi no campo do Fluminense que Ney assistiu à sua primeira partida de futebol no Rio de Janeiro. O Botafogo jogava contra o Fluminense, o clube mais aristocrático da cidade e seus amigos insistiam para ele torcer pelo tricolor. Mas Ney se apaixonou pelo preto e branco.
Daí para o ingresso no quadro social foi um pulo. Tão logo formou-se advogado, em 1933, entrou para o quadro de sócios do Botafogo.
As fugas para ver os jogos, as brigas em casa, os desentendimentos com os colegas, tudo o incentivou a tornar-se diretor durante doze anos.
Na sequência, foi eleito para o Conselho Deliberativo, mais tarde para o Conselho Fiscal e, depois, tornou-se Vice-Presidente do clube.
Em 15 de dezembro de 1959, quando Paulo Azeredo foi reeleito para a presidência do Botafogo, Ney foi escolhido para Vice-Presidente.
Ney Cidade Palmeiro foi eleito Presidente do Botafogo em 16 de dezembro de 1963. Os Vices-Presidentes foram Brandão Filho (Futebol), Nelson Mufarrej (Finanças) e Otávio Pinto Guimarães (Esportes Amadores).
O fato de dirigir naquela época a Faculdade de Filosofia da UEG-Universidade do Estado da Guanabara não o impediu de comparecer todos os dias ao seu gabinete no clube, como o Tribunal de Alçada não o afastou da presidência e das obrigações quase diárias junto a jogadores, diretores e funcionários.
O mais importante na sua gestão foi o espírito jovem da diretoria, refletindo-se na maneira de agir. Nem sempre a tese da renovação foi bem recebida, ainda mais quando a equipe de futebol alinhava grandes cartazes internacionais. Foi preciso algum tempo para mostrar que o caminho estava certo: em 1967, o Botafogo, além de vencer o campeonato carioca de futebol, ganhou três taças internacionais e mais de vinte títulos em diversas modalidades esportivas.
De 1964 a 1967 Ney foi conhecido como o Presidente de todos os esportes no Botafogo. Em sua gestão, dedicou especial atenção a cada competição em que o Botafogo estivesse envolvido.
No futebol, contratou uma grande equipe técnica que revelou para o Brasil Admildo Chirol e Zagalo, que ascenderam à direção dos profissionais pelas mãos de Ney, projetando uma geração de jogadores como Afonsinho, Carlos Roberto, Jairzinho, Roberto e Rogério, entre outros craques.
Sua família herdou-lhe a paixão, destacando-se seu filho, Mauro Ney Palmeiro, emérito, benemérito, grande benemérito e presidente do Botafogo quando da conquista da Conmebol, em 1993.
Ney Cidade Palmeiro foi o 12º Presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro – AMAERJ no biênio 1978/1979.




Fontes:
Botafogo O Glorioso Uma História em Preto e Branco
Manchete
Revista do Esporte. 

 

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

OLHO NO LANCE!



Lance do jogo Botafogo 2 x 0 Olaria, disputado no dia 18 de agosto de 1957, nas Laranjeiras, válido pelo Campeonato Carioca desse ano.

No lance, vemos o goleiro Valter, do Olaria, se esticando todo para tentar evitar o segundo gol do Botafogo, marcado por Didi, numa cobrança de falta.

 

BOTAFOGO 2 x 0 OLARIA

Data: domingo, 18 de agosto de 1957

Local: Laranjeiras, Rio de Janeiro (RJ)

Árbitro: Alberto da Gama Malcher

Renda: Cr$ 111.558,00

Gols: Paulinho Valentim e Didi

BOTAFOGO: Amaury, Thomé e Nilton Santos; Servílio, Beto e Pampolini; Garrincha, Didi, Paulinho Valentim, Édison e Quarentinha. Técnico: João Saldanha.

OLARIA: Valter, Joel e Renato; Rico, Wilson e Dodô; Augusto, Bera, César, Valdir e Mário.



terça-feira, 8 de novembro de 2022

A PRIMEIRA VEZ A GENTE NÃO ESQUECE: os primeiros jogadores do Botafogo a vestirem a camisa da Seleção Brasileira - 1914



Esse privilégio coube aos irmãos Rolando e Abelardo de Lamare, nascidos em Belém (PA), o primeiro em 3 de outubro de 1890 e o segundo em 26 de novembro de 1892.

Jogadores do Botafogo desde 1905 (Rolando) e 1908 (Abelardo), foram convocados pela então Federação Brasileira de Sports, entidade criada por clubes cariocas e paulistas em 8 de junho de 1914 (a CBD-Confederação Brasileira de Desportos só seria fundada em 20 de agosto do mesmo ano).

Para enfrentar o Exeter City F. C., clube de profissionais da 3ª Divisão da Inglaterra, a FBS escolheu os melhores jogadores em atividade no Rio de Janeiro e São Paulo, os grandes centros do futebol brasileiro na época.

Vindo de uma excursão pela Argentina (onde venceu cinco jogos e perdeu um), o Exeter City chegou ao Brasil no mês de julho de 1914. A simples presença dos inventores do futebol agitou a cidade do Rio de Janeiro. Milhares de pessoas costumavam ficar horas a fio em frente ao hotel onde a delegação inglesa se encontrava hospedada, na esperança de ver os jogadores britânicos.

Antes da partida contra a Seleção Brasileira, os ingleses disputaram dois amistosos: no dia 18 de julho de 1914 derrotaram um combinado de jogadores ingleses que atuavam no futebol carioca por 3 x 0. No dia seguinte, venceram a Seleção Carioca por 5 x 3. Os resultados os credenciavam como adversários fortes para os padrões que os torcedores estavam acostumados a ver.

 

BRASIL 2 x 0 EXETER CITY FC (Inglaterra)

Amistoso

Data: 21 de julho de 1914

Local: Campo da Rua Guanabara (Laranjeiras), no Rio de Janeiro (RJ)

Público estimado: 5.000 espectadores

Árbitro: Harry Robinson (Inglaterra)

Gols: Osvaldo Gomes, 28 e Osman, 36

BRASIL: Marcos de Mendonça (América), Píndaro (Flamengo) e Nery (Flamengo); Sylvio Lagreca (A. A. São Bento-SP), Rubens Salles (Paulistano) e Rolando de Lamare (Botafogo); Abelardo de Lamare (Botafogo), Oswaldo Gomes (Fluminense), Friedenreich (Ypiranga-SP), Osman (América) e Formiga (Ypiranga-SP). Comissão Técnica: Sylvio Lagreca e Rubens Salles (capitão).

EXETER CITY: Reg Loran, Jack Fort e Sam Strettle; Jimmy Rigby, Jimmy Lagan e Augustus Harding; Harry Holt, Fred Whittaker, Billy Hunter, Billy Lovett e Fred Goodwin. Técnico: Arthur Chadwick.

 

Fontes:

Site da CBF

RSSSF Brazil

O Paiz (RJ).

domingo, 6 de novembro de 2022

RETRATO EM PRETO E BRANCO: Tião Macalé


Sebastião dos Santos, por alguns chamado de Macalé, por outros de Tião Macalé, nasceu em Santa Rosa, bairro de Niterói, no dia 23 de agosto de 1936.

Seu pai trabalhava numa fábrica de vidros em São Gonçalo e não ganhava o suficiente para manter, com conforto, a esposa e cinco filhos.

Macalé tinha 14 anos quando começou a jogar no Santa Cruz, time do bairro.

Tendo sua família se transferido para o Fonseca, bairro da Zona Norte de Niterói, Macalé ingressou nos juvenis do São Januário F. C. Passou para o segundo quadro e, logo após, para o primeiro. Por sugestão de Zé Pequeno, treinador, ficou jogando de centroavante, embora se sentisse mais à vontade na meia-esquerda.

Dali foi para os juvenis do Fluminense, de Niterói. Foi campeão, convocado pelo Cúri, que era o técnico do primeiro time do Fonseca, jogou pela seleção de Niterói no Campeonato do Estado do Rio.

Chiquinho, um amigo, o levou para os juvenis da Portuguesa, do Rio de Janeiro, em fins de 1955. Disputou o campeonato carioca da categoria de 1956, assinalando dez gols.

O treinador Denoni Pereira Alves elevou-o aos aspirantes em 1956 e logo a seguir Tião Macalé assinou contrato "de gaveta" com a lusa carioca. Passando Lourival Lorenzi a técnico, Tião foi lançado no time titular contra o Bonsucesso, em 22 de setembro de 1957, pelo primeiro turno do campeonato carioca desse ano.

A partir desse jogo é que passou a ser chamado de Tião Macalé. Na Portuguesa já havia um médio esquerdo chamado Tião. Para evitar a confusão do tipo Tião I e Tião II, resolveram acrescentar o Macalé em seu apelido (segundo algumas versões, por lembrar o ator/comediante), passando a ser conhecido como Tião Macalé.

Surgiu a proposta do Santos, que se interessou também por outro jogador da Portuguesa, Lua. O Santos não concordou em pagar o montante solicitado pela Portuguesa pelos dois jogadores. Também apareceu o Flamengo querendo contratá-lo. Então aconteceu um jogo amistoso entre o Botafogo e a Portuguesa, nas Laranjeiras, no dia 4 de abril de 1959, cujo resultado foi um empate em 2 x 2, no qual Tião Macalé atuou muito bem, dando o passe para Ronaldo marcar o primeiro gol e assinalando o de empate.

Nesse dia, o Fluminense também se manifestou, mas Macalé acabou assinando contrato de dois anos com o Botafogo. Cinco dias depois do amistoso, 9 de abril, estrearia no Botafogo, contra o Santos, no Maracanã, em jogo válido pelo Torneio Rio-São Paulo de 1959. No intervalo, substituiu Zagalo, mas não pôde ajudar a evitar a derrota de 4 x 2. O Botafogo formou com Ernani, Cacá, Florindo e Paulistinha; Ronald e Pampolini; Garrincha, Didi, Paulinho Valentim, Quarentinha e Zagalo (Tião Macalé). Técnico: João Saldanha.

Contratado para ser o substituto de Didi no Botafogo, depois que este se transferiu para o Real Madrid, Macalé não chegou a impressionar, sentindo, naturalmente, o peso da responsabilidade. Mostrou-se acanhado, em algumas vezes vaiado impiedosamente pela torcida do Botafogo.

Depois que João Saldanha, responsável por sua ida para General Severiano, deixou o clube, Macalé foi rebaixado para os aspirantes, onde conquistaria seu primeiro título com a camisa do Botafogo, o Campeonato Carioca dessa categoria, em 1959. Também neste ano, na equipe principal, participou de 17 jogos na campanha de vice-campeão estadual.

Sua passagem pelo Botafogo foi essa:

 

ANO

J

V

E

D

GM

1959

37

25

2

10

5

1960

11

7

3

1

1961

7

5

1

1

TOTAL

55

37

6

12

5

 

Sua última partida pelo time principal do Botafogo foi em 14 de dezembro de 1961, com vitória de 1 x 0 sobre o Fluminense, em um dos dois jogos disputados por Macalé válidos pelo Campeonato Carioca de 1961, certame conquistado pelo Botafogo.

Nesse dia o Botafogo atuou com Manga, Rildo, Zé Maria, Nilton Santos e Chicão; Ayrton e Didi; Garrincha, Tião Macalé, Amarildo e Zagalo. Técnico: Marinho Rodrigues.

Transferiu-se para o Guarani, de Campinas (SP), em março de 1962. No clube paulista estreou de forma oficial em 8 de julho de 1962, no primeiro turno do Campeonato Estadual, com vitória sobre a Portuguesa de Desportos, no Brinco de Ouro, por 2 x 0, um dos gols marcados por Tião Macalé. Formou o Guarani com Dimas, Ferrari, Ditinho e Diogo; Ilton e Eraldo; Telê, Vicente, Paulo Leão, Tião Macalé e Osvaldo. O Guarani terminou o campeonato paulista na oitava colocação.

No clube campineiro, Tião Macalé desinibiu-se e mostrou o bom futebol que exibia na Portuguesa carioca.

Tião Macalé foi convocado para a Seleção Brasileira que disputou o Campeonato Sul-Americano de 1963, na Bolívia, quando o Brasil foi representado por uma seleção “C”. O técnico Aymoré Moreira foi designado a fim de suprir a ausência de Flávio Costa, que se encontrava com a Seleção principal na Europa. Participou de cinco jogos, o primeiro deles em 3 de março, com empate de 2 x 2 com o Paraguai, em amistoso preparatório. Formou a Seleção Brasileira com Marcial, Jorge (Massinha), William, Procópio e Geraldino; Ilton Vaccari (Hilton Chaves) e Tião Macalé; Almir, Joaquinzinho (Marco Antônio), Flávio e Osvaldo (Ary). Técnico: Aymoré Moreira.

Os outros quatro jogos de Macalé na Seleção Brasileira foram válidos pelo Campeonato Sul-Americano: 10.03 – 1 x 0 Peru, 14.03 – 5 x 1 Colômbia, 17.03 – 0 x 2 Paraguai e 31.03, com derrota para a Bolívia, por 5 x 4.

Teve uma rápida passagem pela Ferroviária, de Araraquara, em 1966, quando foi, inclusive, campeão paulista da Segunda Divisão).

Depois do encerramento do Campeonato Paulista de 1968 (disputou seu último jogo em 13 de junho de 1968, com vitória sobre o Palmeiras, por 3 x 1), o Guarani emprestou Tião Macalé ao Paulista, de Jundiaí.

Estreou no Paulista em 30 de junho de 1968, no empate com o maior rival do Guarani, a Ponte Preta, em 0 x 0, sendo expulso de campo no segundo tempo. O Paulista formou com Sérgio, Miranda, Jurandir, Valdir e Cido; Tião Macalé e Foguinho (Mineiro); Raimundinho, Ademir, Zé Luís (Nilo) e Vagner. No hexagonal final, de 18 de novembro a 6 de dezembro) as equipes se enfrentaram, todos contra todos, em turno único, em jogos realizados no estádio Palestra Itália, em São Paulo. O Paulista conquistou o título de forma invicta e garantiu o inédito acesso à Divisão Especial de Profissionais do Estado de São Paulo, após vinte anos de espera.

Retornou ao Guarani em 1969 e disputou o campeonato paulista. Depois, foi para o União Bandeirante, do Paraná, onde encerrou sua carreira em 1972.

Ganhou dinheiro, que rapidamente foi perdido.

Em 1979, uma reportagem do Jornal dos Sports o mostrou em meio ao matagal, capinando o campo do São José, de Niterói, time pobre, sem recursos, defendido por meninos da região.

Dias depois, o botafoguense Agnaldo Timóteo disse que iria entregar bolas e material para o time dirigido por Tião Macalé.

Tião Macalé faleceu em Niterói (RJ), em 27 de novembro de 1981.




Fontes:

Datafogo

Jornal dos Sports

O Caminho da Bola II Volume 1953-1982.

Revista do Esporte.

 

 

sábado, 5 de novembro de 2022

HÁ 100 ANOS NA HISTÓRIA DO BOTAFOGO: o Torneio Início de 1922


Equipe do Botafogo que disputou o Torneio Início de 1922


No dia 26 de março de 1922, no estádio das Laranjeiras, foi disputado o Torneio Início do Campeonato Carioca desse ano.

Treze equipes participaram: América, Americano, Andarahy, Bangu, Botafogo, Carioca, Flamengo, Fluminense, Mackenzie, Mangueira, Palmeiras, Vasco da Gama e Villa Isabel.

O sexto jogo do dia reuniu Botafogo e Bangu.

O placar foi inaugurado por Arlindo, do Botafogo, com um forte chute. A seguir, Antenor empatou a partida. No segundo tempo, Anchises deu a vitória por 2 x 1 para o Bangu.

Serviu de árbitro Jayme Barcellos, do América, e as equipes formaram assim:

BOTAFOGO: Almir, Palamone e Alemão; Pollice, Alfredinho e Lagreca; Leite de Castro, Alkindar, Arlindo, Petiot e Celso.

BANGU: Eulálio, Cláudio e L. Antônio; Oswaldo, Antenor e Waldemiro; Fred, Anchises, Miranda, Pastor e Antenor.

O Flamengo foi o campeão do Torneio Início.

 

Fontes:

O Paiz

O Futebol no Botafogo de 1904 a 1950.

 

Foto: Careta.