Registrado na então Confederação Brasileira de Desportos - CBD sob o número
4.697, Lugano chegou ao Brasil para jogar no E. C. Uruguaiana (RS), em 1952.
O treinador Alípio Rodrigues o viu em ação em dois jogos pelo Campeonato do
Interior e o levou para o Guarany, de Bagé. O Uruguaiana, jogando em casa,
derrotou o Grêmio Bagé por 2 x 1. Uma semana depois, em Bagé, o clube local
venceu por 1 x 0. E Lugano teve atuação destacada nos dois jogos.
Rapidamente se tornou um dos melhores goleiros do futebol gaúcho, chegando a
ser chamado de “mito” por todos aqueles que tiveram a oportunidade de vê-lo
jogar.
A estreia de Lugano pelo Guarany aconteceu em 7 de janeiro de 1953, na vitória
de 3 x 1 sobre o Grêmio, de Porto Alegre, no festival de inauguração dos
refletores do estádio Estrela D’Alva.
No mesmo ano, em Porto Alegre, no dia 12 de julho de 1953, pelo “Dia do
Cronista”, o Guarany ganhou do grande time do Internacional, que estava 30
jogos sem perder, por 3 x 2. Lugano foi a maior figura em campo.
Defendeu as cores do Guarany, de Bagé (RS) nos anos de 1953 e 1954. Embora seja
considerado até hoje como o melhor goleiro que pisou nos gramados de Bagé,
Lugano não conseguiu nenhum título pelo Guarany. O Bagé foi bicampeão em 1953 e
1954.
Em maio de 1954 surgiram notícias nos jornais gaúchos de que o Santos teria
mandado um emissário com a incumbência de levar Lugano para o clube da Vila
Belmiro. A equipe do Guarani encontrava-se em pleno campeonato e não se desfez
do goleiro.
Até que em um clássico contra o Bagé, no dia 31 de outubro de 1954, quando o
Guarany foi goleado por 4 x 1, responsabilizaram Lugano pela derrota e o
desligaram imediatamente da equipe. Lugano arrumou as malas e voou para a
Capital do País, Rio de Janeiro, onde passou a fazer um período de experiência
no Botafogo, dirigido por Gentil Cardoso. Seu primeiro coletivo aconteceu no
dia 18 de janeiro de 1955, atuando na equipe de suplentes. Joselias defendeu a
equipe titular. Agradou bastante os dirigentes cariocas, tratando o Botafogo de
iniciar as negociações para adquirir Lugano em definitivo.
Lugano teria assinado um contrato com o Botafogo e retornou para seu clube de
origem a fim de esperar o término de seu contrato.
Em seu segundo coletivo, defendendo o quadro de aspirantes, recebeu os
seguintes elogios do Jornal dos Sports: “E o goleiro Lugano, no arco dos
aspirantes, operou defesas difíceis e sensacionais”.
No apronto de 11 de fevereiro de 1955, Lugano já treinou entre os titulares.
No dia 4 de março de 1955, a CBD comunicou à Federação Metropolitana de Futebol
haver concedido a transferência de Lugano, do Guarany, de Bagé, para o quadro
de profissionais do Botafogo.
O clube gaúcho entrou com um recurso não concordando com essa transferência
Posteriormente, a CBD, apreciando o caso da transferência de Lugano para o
Botafogo e que teve seu passe negado pelo Guarany, deu ganho de causa ao clube
carioca, razão pela qual Lugano passou a ter sua situação legalizada.
Sua estreia no Botafogo aconteceu no dia 18 de março de 1958, no amistoso
realizado no estádio Adolpho Rollemberg, em Aracaju (SE), com vitória de 5 x 0
sobre o Confiança local. O Botafogo atuou com Lugano, Orlando Maia e Thomé;
Ruarinho (Brandãozinho), Danilo Alvim e Rubens Bimba; Neyvaldo, Quarentinha
(Paulinho Omena), Carlyle (Ariosto), Vinícius (Basílio) e Hélio Pinto
(Mangaratiba). Técnico: Zezé Moreira.
Daí em diante foi titular, até a grande excursão que o Botafogo realizou à
Europa, de 15 de maio a 16 de julho de 1955. O Botafogo realizou jogos na
Espanha (6), França (3), Dinamarca (1), Holanda (1), Suíça (1), Itália (2) e
Tchecoslováquia (4), num total de 18 amistosos. Somente em dois deles, Lugano
revezou a meta do Botafogo com Gilson, ainda assim porque sofreu uma séria
contusão no joelho por ocasião do amistoso em Valencia, Espanha.
Em entrevista concedida ao Jornal dos Sports, o grande atacante Vinícius
afirmou que Lugano foi o maior goleiro que já viu atuar. Complementando, disse:
“Se o Lugano jogasse sempre, não teríamos perdido um jogo sequer”.
A excursão teve saldo de onze vitórias, cinco empates e duas derrotas tendo
sido assinalados 54 gols e sofridos 28.
Uma das grandes atuações de Lugano foi contra o Real Madrid, no dia 15 de maio
de 1955, quando aconteceu empate em 2 x 2.
No dia 16 de agosto de 1955, Lugano embarcou para a Argentina, atendendo a uma
chamada da família, pois sua mãe se encontrava gravemente enferma. Dez dias
depois, sem nenhuma satisfação por parte do goleiro, o Botafogo deu entrada na
secretaria da Federação Metropolitana de Futebol o ofício solicitando a suspensão
do contrato de Lugano.
Até o treinador Zezé Moreira se pronunciou ponderando que era preferível contar
com um jogador de inferiores qualidades, mas disciplinado, a um craque sem
noção de responsabilidade.
Somente retornou em 10 de setembro de 1955. No dia 16 do mesmo mês aconteceria
o julgamento de Lugano no Tribunal de Justiça Desportiva, mas esse, a pedido do
jogador e com concordância do advogado do Botafogo, pediu adiamento do
julgamento para a próxima sessão do TJD.
No dia 30 de setembro de 1955, o TJD deu ganho de causa ao Botafogo,
rescindindo o contrato de Lugano.
Posteriormente, Lugano chegou a um acordo com o Botafogo, assinou novo
compromisso e, no dia 7 de outubro de 1955, treinou com seus companheiros em
General Severiano. Passou a ser reserva de Edgard. Retornou ao gol do Botafogo
em 9 de outubro de 1955, na derrota de 1 x 0 para a Portuguesa, pelo Campeonato
Carioca, tendo Lugano falhado na marcação desse gol.
Ainda acompanhou a delegação do Botafogo na excursão a Recife (PE), de 14 a 18
de outubro de 1955 (participando de dois dos três jogos), disputou mais quatro
jogos até o dia 20 de novembro de 1955, quando disputou sua última partida na
meta do Botafogo, no Maracanã, no empate em 2 x 2 com o Fluminense, em jogo
válido pelo Campeonato Carioca.
Em sua passagem pelo Botafogo foram 40 jogos, com 19 vitórias, 12 empates e 9
derrotas.
No dia 19 de dezembro de 1955, o Botafogo comunicou à FMF ter rescindido o
contrato de Lugano em comum acordo entre as partes.
Depois que deixou o Botafogo Lugano atuou nos seguintes times: Nacional-SP
(1956), Portuguesa Santista-SP (1957 a 1958), Juventus-SP (1958 a 1959),
América, de São José do Rio Preto-SP (1959 a 1961) e Tupã-SP (1961 a 1963).
Retornou ao Rio Grande do Sul em 1963, treinando no Bagé e acabando por ser
contratado. Houve atraso na condição de jogo. Disputou apenas uma partida, no
dia 22 de setembro de 1963, na derrota de 2 x 0 para o São Paulo, em Rio Grande.
Em novembro de 1963, na preliminar de um jogo entre Guarany x Rio Grande,
Lugano vestiu a camisa do time amador do Bola Sete, quando se envolveu em
discussão com um torcedor.
Em 1964 foi acolhido no apartamento de Luiz Carlos Deibler, em Porto Alegre, a
pedido de amigos. Ele já passava por dificuldades financeiras.
No final dos anos 70, no Rio de Janeiro, Lugano foi encontrado pelo antigo
amigo Antônio Maria Filho, como mendigo, morando nas pedras da Urca. Levado a
um hospital, com tuberculose avançada, o grande goleiro faleceu no dia 25 de
junho de 1978.
Nilo Dias
Izan Muller da Silva
Sérgio Galvani.





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