Começou nas peladas onde morava, Flexeiras, bairro da Ilha do Governador, no
Rio de Janeiro, ao lado de amigos, jogando na ponta esquerda, de pés descalços
e bolas de meia que, depois de tanto rateio, finalmente foi substituída por uma
de borracha. Seu condicionamento físico era fruto das braçadas do remo, levando
pescadores ao trabalho e sustento.
Aos 14 anos, foi para o Flexeiras Atlético Clube e passou a jogar de chuteiras.
Chegar ao Flexeiras era o sonho de seus colegas de infância. Sua felicidade, no
entanto, foi interrompida pelas forças do destino. Começou um trabalho de garçom
para ajudar na renda familiar, aproximando-se da bola novamente, nove anos
depois, em 1945, quando fez parte do time de oficiais da Aeronáutica, em seu
período nas Forças Armadas. Nilton Santos era o único soldado no meio dos
oficiais, privilégio conquistado pela sua habilidade com a bola.
Considerado um craque pelos colegas, em 1948, a convite de um sargento
tricolor, Nilton Santos foi treinar nas Laranjeiras. Não quis ficar. A segunda
oportunidade apareceu quando o time de oficiais derrotou o São Cristóvão em um
jogo amistoso. O convite para jogar no São Cristóvão foi recusado graças aos
conselhos do Coronel Honório Magalhães, que veio a ser o seu padrinho no
futebol. Então, foi levado a General Severiano, através do diretor social Bento
Ribeiro, tio do Coronel Magalhães. O treinador na época era Zezé Moreira e o
presidente Carlito Rocha.
Nilton Santos defendeu apenas um clube em toda a sua vida, o Botafogo. Foram
721 jogos (marcando 11 gols), em 16 anos.
Sua estreia como profissional foi em 21 de março de 1948, contra o América
Mineiro, em General Severiano, com derrota de 2 x 1. Apesar do resultado,
Nilton Santos não demorou muito para ganhar a posição de titular. Em seu ano de
estreia, conquistou o título estadual, algo que o Botafogo não fazia desde 1935.
Seu último jogo oficial foi contra o Flamengo, em 13 de dezembro de 1964. Como
homenagem, o rival reconheceu a importância de Nilton Santos para o futebol
nacional e entregou-lhe um belo troféu. Sua despedida dos gramados em
definitivo foi no amistoso contra o Bahia, em Salvador (BA), três dias depois.
Considerando os campeonatos, taças e torneios em que Nilton Santos atuou, foram
15 títulos.
Foi chamado de “A Enciclopédia”, por ser completo como jogador. Foi precursor
em arriscar subidas ao ataque através da lateral do campo. Revolucionou a
posição de lateral-esquerdo, utilizando-se de sua versatilidade ao defender e
atacar, inclusive marcando gols, numa época do futebol que apenas tinha a
função defensiva.
Integrou o plantel da Seleção Brasileira nos campeonatos mundiais de 1950,
1954, 1958 e 1962, tendo sido bicampeão nas duas últimas.
Em 1998, foi eleito o lateral-esquerdo da Seleção Mundial do Século, em Paris, França.
Em 2000, foi eleito pela FIFA como o melhor lateral-esquerdo de todos os
tempos.
Pela Seleção Brasileira foram 86 jogos (65 vitórias, 11 empates e 10 derrotas),
com quatro gols marcados. O primeiro jogo foi em 17 de abril de 1949, com
vitória de 5 x 0 sobre a Colômbia. O último, 17 de junho de 1962, na vitória de
3 x 1 sobre a Tchecoslováquia, final da Copa do Mundo desse ano. No total,
foram 13 títulos conquistados com a Seleção Brasileira.
Nilton Santos, junto com Djalma Santos, Garrincha e Pelé, são os únicos brasileiros
integrantes da seleção mundial de todos os tempos da Placar.
Após pendurar as chuteiras, em 1964, aos 39 anos, Nilton Santos peregrinou pelo
País em diversos projetos. Foi técnico do Galícia e do Vitória, ambos de
Salvador (BA); do Bonsucesso, do Rio de Janeiro, em 1982, e do São Paulo, do
Rio Grande do Sul, em 1984. Mas a carreira de treinador jamais deslanchou.
Em 1981 concluiu o curso de Treinador de Futebol.
Em 1983 foi convidado pelo presidente Juca Mello Machado para trabalhar no
Botafogo, na condição de seu assessor. Não demoraria para também trabalhar no
clube como Coordenador do Futebol.
Quando surgiu a oportunidade, em 1986, de Brasília ser a terceira capital do
País (as outras eram Rio de Janeiro e Recife) a ter escolinhas de futebol
patrocinadas pela Legião Brasileira de Assistência - LBA (onde Nilton Santos
trabalhava no Rio de Janeiro), ele foi para Brasília. Na mesma época, o Governo
do Distrito Federal, através do DEFER, entrou em contato com Nilton Santos para
ele ser o coordenador de um trabalho semelhante em Brasília.
Chegando a Brasília, recebeu o convite do presidente do Taguatinga, Froylan
Pinto, e como existiam condições de conciliar as duas funções, passou a
trabalhar também no Taguatinga como seu treinador.
No dia 30 de abril de 1987 assinou contrato para ser o treinador do Taguatinga.
Foi apresentado aos jogadores no dia seguinte.
Em Brasília Nilton Santos repetiu o mesmo trabalho que vinha fazendo em Uberaba
(MG). Ele tinha um contrato com a prefeitura local para ensinar futebol para
crianças em escolinhas.
Terminado seu contrato de trabalho com o Taguatinga, Nilton Santos permaneceu
residindo em Brasília, pois era contratado do GDF, como coordenador do Projeto
Re-Criança, programa de apoio e integração do menor na comunidade através da
prática do esporte, plano dirigido pelo DEFER.
Esforçou-se o quanto pode para manter a iniciativa, mesmo nas condições mais
adversas, mas foi obrigado a abandonar o programa quando deixou de ter um local
para abrigar os meninos.
Em 1990 foi condecorado com a Medalha do Mérito de Brasília pelo governador
Wanderley Vallim.
Na passagem pela cidade, foi ainda contratado como colunista do jornal Correio
Braziliense e acabou agraciado com o título de cidadão honorário de Brasília,
em 1997.
De volta ao Rio de Janeiro, Nilton Santos fixou residência na cidade de
Araruama, onde escreveu e lançou, em 1998, uma autobiografia de muito sucesso,
intitulada “Minha Bola, Minha Vida”, na qual conta detalhadamente todos os
passos da carreira.
Em 2000, desenvolveu um projeto social com jovens por meio do futebol no Estado
de Tocantins, oportunidade em que o governo local lhe homenageou com seu nome o
estádio em Palmas.
No ano de 2009, uma estátua de Nilton Santos foi inaugurada em frente às
catracas da ala oeste do Estádio Olímpico João Havelange, que posteriormente
seria rebatizado de Estádio Nilton Santos numa bela homenagem do Botafogo ao
grande ídolo.
Faleceu em 27 de novembro de 2013.










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