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sábado, 29 de setembro de 2012

AS DECISÕES: CAMPEONATO CARIOCA DE 1997


Dirigido por Joel Santana, o Botafogo conquistou o conturbado Campeonato Carioca de 1997. Conturbado, por causa de uma série de recursos e liminares, principalmente por parte do Vasco da Gama, que contava com o apoio de Eduardo Vianna, presidente da FERJ. Tendo sempre à frente o polêmico dirigente Eurico Miranda, o Vasco da Gama conseguiu paralisar o campeonato, em virtude de haver cedido quatro jogadores à seleção brasileira. Botafogo, Flamengo e Fluminense não concordaram. A bagunça foi tanta que o Flamengo se recusou a entrar em campo para jogar contra o Americano e o Vasco da Gama e perdeu seus jogos por WO.
Durante a competição, o Botafogo completou 13 vitórias em 13 jogos, superando o recorde que era do Vasco da Gama, estabelecido em 1968, com 10 vitórias em 10 jogos. Além disso, manteve uma invencibilidade de 22 jogos em 105 dias e, ainda, venceu dois dos três turnos do campeonato.
Outros dois fatos dignos de registro ocorreram nesta competição. O primeiro deles na noite de 26 de março, quando o Botafogo venceu o Flamengo com um time de reservas. O rubro-negro estava com sua formação máxima: Romário, Sávio e companhia, mas o resultado foi 1 x 0 para o Botafogo, com gol marcado por Renato. Um resultado difícil de ser esquecido, em função da rivalidade entre as duas torcidas.
O segundo se deu na primeira partida da final contra o Vasco da Gama, no dia 5 de julho, que o time cruzmaltino venceu por 1 x 0. Num determinado momento do jogo, o atacante Edmundo parou a bola na linha de fundo diante do zagueiro Gonçalves e, em tom de deboche e falta de respeito profissional, rebolou na frente do companheiro. O fato causou revolta e desejo de vingança entre os alvinegros.
E a vingança não tardou. Três dias depois, na segunda partida da final, irritados com a atitude de Edmundo, os jogadores alvinegros se desdobraram na partida. Venceram com um gol de Dimba e conquistaram o título. Ao apito final, todos os jogadores alvinegros correram em direção à torcida cruzmaltina e rebolaram. O Botafogo era o campeão estadual e estava vingado.
Com a manchete “Botafogo rebola por último”, o Jornal do Brasil destaca em suas linhas:
“Quem rebola por último, rebola melhor. Quer dizer, quem rebola por último, tem mais chances de fazer a festa. E foi exatamente isso que o Botafogo fez, ao derrotar o Vasco da Gama por 1 x 0 (gol de Dimba, aos 33 minutos do segundo tempo) e garantir o título de campeão estadual de 1997, quebrando um jejum que vinha desde 1990. A conquista, no fim das contas, serve de prêmio à equipe que foi mais regular durante toda a competição, tendo vencido os dois primeiros turnos e permanecido por mais de 20 jogos invicta.
No fim da partida, nada mais justo do que uma forra contra a irônica dança feita por Edmundo na primeira partida da final. A reboladinha coletiva lavou a alma dos botafoguenses e calou de vez os vascaínos que viram seu time ficar muito perto da vitória e acabaram tristes.
No primeiro tempo, enquanto o time de Joel Santana se mostrava totalmente intranquilo, apelando para faltas até desleais, Edmundo, Juninho e Ramón comandavam a equipe que parecia saber o que desejava.
Uma grande defesa de Wagner e o que era impressão passou a ser quase certeza: “o gol é questão de tempo”, pensaram os vascaínos.
Outra grande defesa de Wagner e a quase certeza passou a ser temor, afinal, quando um grande goleiro começa a fechar o gol... E foi isso que aconteceu.
O Vasco da Gama perdeu o tempo, o impacto e os primeiros 45 minutos se arrastaram até o apito final do bom árbitro Sidrack Marinho dos Santos.
No segundo tempo, o Botafogo decidiu adotar uma postura mais ofensiva, ou melhor, mais de jogo. O que era só-deixar-o-tempo-passar foi trocado por um-pouco-mais-de-disposição.
Só que o Vasco da Gama continuava mais ligado na partida – embora continuasse sem marcar.
Aos 30 minutos, os dois times pareciam estar satisfeitos com o empate, que levaria a final ao terceiro jogo. Pareciam. Uma jogada monumental de Dimba, até aquele momento certamente um dos piores homens em campo, acabou resultado no gol do título. Uma bomba indefensável estabeleceu no placar a superioridade mínima que, se era pouco verdadeira para o que foi exibido nesse jogo, retratava com alguma fidelidade todo o bom desempenho do Botafogo ao longo da competição.
Os doze últimos minutos de jogo – e do Estadual – foram, como era de se esperar, de sofrimento. O Vasco da Gama precisava de pelo menos um gol para adiar a decisão. O Botafogo contava segundos para ficar com seu título. Talvez até inconscientemente os jogadores do Vasco da Gama diminuíram seu ritmo. Um reconhecimento ao melhor desempenho do rival em toda a competição.
Chutões, bola para qualquer lado, valia tudo para o tempo passar. Encerrada a partida, os jogadores do Botafogo correram em direção à torcida do Vasco da Gama. De costas para a galera adversária, acompanhados por torcedores, rebolaram. Como Edmundo fizera no sábado. Ontem, porém, com o título nas mãos...
Assim jogaram as equipes:
BOTAFOGO – Wagner, Wilson Goiano, Jorge Luís, Gonçalves e Jefferson; Marcelinho Paulista (França), Pingo, Djair e Aílton (Marcelo Alves); Bentinho e Dimba (Robson). Técnico: Joel Santana.
VASCO DA GAMA: Caetano, Pimentel, Moisés, Alex e Felipe; Luisinho, Fabrício, Juninho (Luís Cláudio) e Ramon (Brener); Edmundo e Pedrinho. Técnico: Antônio Lopes.
Como dissemos, o árbitro foi Sidrack Marinho dos Santos. O público foi de 16.854 pagantes, que proporcionaram a renda de R$ 248.370,00.

Fontes: Jornal do Brasil e Botafogo de Futebol e Regatas Histórias, Conquistas e Glórias no Futebol, de Antônio Carlos Napoleão.

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