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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A FATÍDICA EXCURSÃO AO SUL EM 1932

O Botafogo conquistou o campeonato carioca de 1932 com cinco pontos de vantagem sobre o Flamengo, vice-campeão.
Pensando em premiar os jogadores campeões, a diretoria do Botafogo aceitou um convite para uma excursão ao Rio Grande do Sul.
Essa viagem, desgraçadamente, foi marcada pela fatalidade.
O grande craque Nilo, que acabara de ficar noivo, não quis viajar. O Botafogo convidou os jogadores Russinho, do Vasco da Gama, e Popó, do Andarahy.
No dia 9 de novembro de 1932, pelo vapor “Araçatuba”, a delegação do Botafogo seguiu para Porto Alegre, assim constituída: Chefes – Carlos Martins da “Carlito” Rocha e Alarico Maciel; Técnico – Nicolas Ladanyi; Jogadores (16) – Victor, Benedicto, Rodrigues, Afonso, Martim, Canalli, Álvaro, Paulinho, Carvalho Leite, Almir, Celso, Pedrosa, Rogério, Ariel, Russinho e Popó.
Com o quadro exausto, o Botafogo estreou no feriado de 15 de novembro, no estádio dos Eucaliptos, perdendo de 3 x 2 para o Internacional. Russinho e Álvaro marcaram para o Botafogo e Venenoso, duas vezes, e Tupan fizeram os gols do colorado gaúcho. Nestor Pereira foi o árbitro da partida. Assim formaram as equipes: BOTAFOGO: Victor, Benedicto e Rodrigues; Afonso (Ariel), Martim e Canalli; Álvaro, Almir, Carvalho Leite, Russinho e Celso.
INTERNACIONAL: Penha, Miro II e Risada; Alfredo, Mabília (Abbade) e Garnizé; Marreco, Venenoso, Tupan, Marroni e Patesko.
Apesar de mais descansado, o Botafogo foi novamente vencido cinco dias depois (20 de novembro), na Baixada, pelo Grêmio, pelo placar de 1 x 0, gol de Nenê.
O Botafogo efetuou algumas modificações em sua equipe, assim formada: Victor, Benedito e Rodrigues; Ariel, Martim e Canalli; Álvaro, Paulinho, Carvalho Leite, Russinho e Popó.
Já o Grêmio jogou com Lara, Dario e Sardinha I; Heitor, Poroto e Sardinha II; Lacy, Artigas, Luiz Carvalho, Foguinho e Nenê.
O árbitro da partida foi Heitor Deste.
O terceiro encontro do Botafogo em Porto Alegre aconteceu no dia 24 de novembro, na Chácara das Camélias, contra o Cruzeiro, de Porto Alegre. Vitória do Botafogo por 2 x 1, gols de Carvalho Leite e Martim, contra um de David. O time vencedor atuou com Victor, Benedito e Rodrigues; Ariel, Martim e Canalli; Álvaro, Paulinho, Carvalho Leite, Russinho (Almir) e Celso. O clube gaúcho levou a campo Baptista, Cauduro e Espir; Benê, Nestor e Russo; Javel, Ignácio, Octacílio, Fagundes e David. O árbitro foi Mário Cunha.
Para o grande encontro de 27 de novembro, contra a Seleção de Porto Alegre, no Eucaliptos, o time do Botafogo viu-se desfalcado, à última hora, de Carvalho Leite e Russinho que foram acometidos de violenta febre: era o terrível tifo!
Ainda assim, o Botafogo foi a campo e empatou brilhantemente o jogo em 1 x 1. Celso marcou o gol botafoguense e Ferreira o do selecionado porto-alegrense. Victor, Benedito e Rodrigues; Afonso, Ariel e Canalli; Álvaro, Paulinho, Martim, Russinho, Popó (Almir) (Rogério) e Celso defenderam as cores do Botafogo. O selecionado da capital gaúcha formou com Penha, Luiz Luz e Risada; Alfredo, Poroto e Benê; Ferreira, Tupan, Luiz Carvalho, Marroni e Patesko. Nestor Pereira foi o árbitro do jogo.
Foi aí que Victor, Martim, Paulinho, Canalli e Benedicto desligaram-se da delegação, seguindo por terra para Montevidéu (chefiados por Alarico Maciel), onde se juntariam à Seleção Brasileira que acabaria vencendo a Copa Rio Branco (2 x 1 no Uruguai), além de vencer os amistosos contra os dois mais poderosos clube do Uruguai: 1 x 0 Peñarol e 2 x 1 Nacional. Os jogos aconteceram nos dias 4, 8 e 11 de dezembro, respectivamente.
A alegria pelas vitórias no Uruguai contrastava-se com a tristeza em Porto Alegre, onde fôra confirmado o tifo nos jogadores Carvalho Leite e Russinho.
No dia 30 de novembro, com o quadro desfalcado, o Botafogo teve de recorrer ao empréstimo de seus antigos jogadores Luiz Carvalho, Octacílio e Benevenuto para formar a equipe que pudesse jogar contra o Força e Luz, em seu último compromisso na capital gaúcha. No estádio Moinhos de Vento, o Botafogo venceu por 3 x 2, tendo marcados os seus gols Luiz Carvalho (2) e Almir. Ferreira e Patesko (emprestado pelo Internacional) marcaram os tentos do Força e Luz. Formou o Botafogo com Pedrosa, Rogério e Rodrigues; Afonso, Ariel e Benevenuto; Álvaro, Octacílio (Almir), Luiz Carvalho, Popó e Celso. Atuaram pelo Força e Luz Lucindo, Luizelle e Amado; Lopes, Gradim e Álvaro; Ferreira, Negrito, Vanzetto, Dinga e Patesko.
A 1º de dezembro de 1932 embarcou de volta para o Rio de Janeiro a delegação do Botafogo, deixando Ariel para acompanhar os enfermos Carvalho Leite e Russinho, que ficaram no Hospital da Beneficência Portuguesa, entre a vida e a morte.
Mas, o pior estava por acontecer. Mal desembarcaram no Rio de Janeiro, adoeceram, vítimas do mesmo traiçoeiro tifo, Pedrosa, Álvaro, Almir, Benevenuto (que acompanhara os jogadores) e o zagueiro José Rodrigues que, não resistindo, faleceu a 7 de janeiro de 1933.

O NAUFRÁGIO DO ARAÇATUBA

A embarcação que levou o Botafogo até Porto Alegre, o Araçatuba, era um paquete do Lloyd Brasileiro.
Pouco tempo depois, mais precisamente em 5 de fevereiro de 1933, colidiu contra o molhe leste da Barra de Rio Grande. Alguns disseram que o acidente teria ocorrido à noite, devido à inexistência de um prático a bordo e deficiências na sinalização. Outras fontes relatam que a causa da colisão teria sido um forte temporal. A bordo, passageiros e mercadorias como tecidos, pneus, confete e lança perfume (para ser utilizado no Carnaval de Rio Grande). Todos os passageiros e tripulantes foram salvos. O Araçatuba foi mais um entre as dezenas de naufrágios na costa gaúcha.

RETRATO EM BRANCO E PRETO: NARIZ




 
Zagueiro, marcador duro e às vezes violento e que compôs a defesa do Botafogo conhecida como "Esquadrão de Cavalaria" na década de 30, Álvaro Lopes Cançado, o Nariz, nasceu em Campo Florido, na época distrito de Uberaba (MG), no dia 8 de dezembro de 1912.
O Instituto Granbery, de Juiz de Fora, sempre teve a tradição de revelar grandes atletas em várias modalidades. Um deles foi Nariz, em 1928, que logo depois passou a defender o Tupi, onde foi bicampeão de Juiz de Fora em 1930 e 1931.
Transferiu-se, ainda em 1931, para o Atlético Mineiro, onde fez seu primeiro jogo em 22 de março de 1931, no amistoso Atlético Mineiro 3 x 0 Palestra Itália (atual Cruzeiro). Sagrou-se campeão estadual em 1931 e 1932. Além disso, disputou o Campeonato Brasileiro de 1931 pela Seleção Mineira.
Seu último jogo no Atlético Mineiro aconteceu em 20 de novembro de 1932, no amistoso Atlético Mineiro 0 x 0 Vasco da Gama. Foram 32 jogos no Atlético Mineiro, sem marcar gols.
Passou, então, a defender o Fluminense. Sua estréia aconteceu em 16 de abril de 1933, no amistoso contra o Corinthians, com empate de 4 x 4. Esse foi o primeiro jogo do Fluminense como time profissional. Nariz sagrou-se vice-campeão carioca nesse mesmo ano.
No Fluminense disputou 46 jogos. O último deles, em 29 de novembro de 1934, no empate de 1 x 1 com o Bangu, nas Laranjeiras.
Ainda em 1934, deixaria o Fluminense e se transferiria para o Botafogo. Seu primeiro jogo com a camisa do Botafogo foi um amistoso realizado em 9 de dezembro de 1934, em São Januário, contra o Vasco da Gama (1 x 1). Indeciso, acanhado nos primeiros 40 minutos, firmou-se depois, brilhando na fase final.
Ainda em 1934 foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira, mas não chegou a jogar.
A estréia em competições oficiais somente aconteceu meses depois, em 12 de maio de 1935, no campeonato carioca daquele ano. No campo do Olaria, na rua Cândido Silva, o Botafogo venceu por 5 x 2.
Bicampeão carioca pelo Botafogo, em 1935 e 1936. Nesse ano, também sagrou-se campeão brasileiro pela Seleção Carioca.
A primeira participação na Seleção Brasileira aconteceu no Campeonato Sul-Americano (atual Copa América) disputado em Buenos Aires, Argentina. O primeiro jogo, em 3 de janeiro de 1937, com vitória de 6 x 4 sobre o Chile. Depois, mais dois, contra o Paraguai (5 x 0, em 13.01.1937) e contra a Argentina (0 x 1, em 30.01.1937).
Sua última participação na Seleção Brasileira aconteceu em 14 de junho de 1938, com vitória de 2 x 1 sobre a Tchecoslováquia, em jogo válido pela Copa do Mundo, em Bordeaux (França). Nesse jogo, o técnico Adhemar Pimenta escalou dez reservas, permanecendo no time apenas Leônidas da Silva. O Brasil ficou em terceiro lugar. Nariz entrou no lugar do zagueiro titular Machado.
Em 1939, foi vice-campeão carioca pelo Botafogo. Participou de 22 dos 24 jogos disputados pelo clube.
No ano em que o Botafogo comemorou o seu 36º aniversário (1940), também aconteceu a inauguração de seu Departamento Médico, confiado à direção do Dr. Álvaro Lopes Cançado. Este foi o primeiro departamento médico de um clube de futebol no Brasil. Para ser médico do Botafogo, Nariz tinha um contrato simbólico.
No campeonato carioca do mesmo ano, Nariz disputou metade dos jogos do Botafogo: 12.
O ano de 1941 foi o último como jogador do Botafogo. No mês de fevereiro, ajudou o Botafogo a conquistar a Copa Burgos, no México.
O último jogo pelo Campeonato Carioca (no qual o Botafogo chegou em terceiro lugar) aconteceu em 4 de maio de 1941, em General Severiano. Após estar vencendo por 4 x 3, o Botafogo permitiu a virada do Bangu para 5 x 4.
No Botafogo, Nariz disputou um total de 165 jogos.
Depois que abandonou o futebol, tornou-se ortopedista conceituado.
Em 1954 foi instalada a Escola de Medicina de Uberaba. Nariz foi o primeiro professor. Esta escola deu origem à atual Universidade Federal do Triângulo Mineiro.
No dia 10 de junho de 1972, o doutor Álvaro Lopes Cançado foi um dos convidados especiais para os festejos inaugurais do Estádio “Uberabão”. Ele deu a volta olímpica no gramado, conduzindo a bola do jogo entre as Seleções Brasileiras, a principal e olímpica, que teve o pontapé inicial desferido por Tostão.
Participou do movimento para criação da Sociedade Brasileira de Médicos de Futebol, em maio de 1977.
Em 19 de Setembro de 1984, suicidou-se com um tiro no peito, na sua fazenda em Campo Florido, sem que se soubesse as razões de tão inesperado gesto. Deixou dois filhos, ambos médicos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

OS DEZ MAIS DO BOTAFOGO

Mesmo sabendo tratar-se de uma tarefa quase impossível escolher os dez melhores jogadores de um time centenário e de tantas glórias, sempre que tomo conhecimento de uma pesquisa ou de uma obra publicada a respeito, procuro tirar algo de proveitoso.
Recentemente, adquiri o livro OS DEZ MAIS DO BOTAFOGO, o sexto livro da Coleção Ídolos Imortais, da Maquinária Editora. Esse mesmo tipo de edição com outros grandes clubes do futebol brasileiro já circulam por todo País.
Esses foram os escolhidos do Botafogo (em ordem alfabética):

DIDI
GARRINCHA
GERSON
HELENO DE FREITAS
JAIRZINHO
MANGA
NILTON SANTOS
PAULO CÉSAR LIMA
TÚLIO
ZAGALO

Votaram: Armando Nogueira, Arthur Dapieve, Elena Landau, Gustavo Poli, João Moreira Salles, Luiz Mendes, Marcos Penido, Roberto Porto e Sérgio Augusto, além do autor, Paulo Marcelo Sampaio.
Outros jogadores lembrados foram: ALEMÃO, AMARILDO, BABY, BASSO, CARLOS ALBERTO TORRES, CARVALHO LEITE, GONÇALVES, LEÔNIDAS, MARINHO CHAGAS, MAURÍCIO, MAURO GALVÃO, MENDONÇA, MIMI SODRÉ, NILO, PAULINHO CRICIÚMA, PAULINHO VALENTIM, PAULO SÉRGIO, QUARENTINHA e ROBERTO MIRANDA.
Não fôra a presença do goleiro Baby, não haveria nenhuma surpresa. Já vi vários tipos de pesquisas semelhantes, de Placar, Lance e outros mais e é a primeira vez que vejo Baby entre os melhores do Botafogo. Sérgio Augusto, autor do livro “Botafogo Entre o Céu e o Inferno”, foi quem votou em Baby. O curioso é que neste livro, não há nenhuma menção a Baby!