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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

PERSONALIDADES ALVINEGRAS: ALCEU MENDES DE OLIVEIRA CASTRO


O primeiro e maior historiador do Botafogo, Alceu Mendes de Oliveira Castro, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), mais precisamente na rua São Clemente, no bairro de Botafogo, em 13 de agosto de 1906.
Aos nove anos de idade abandonou a coleção de selos e interessou-se pelo futebol, passando a colecionar recortes de jornais e revistas referentes ao Botafogo, que, apesar da idade, passou a selecionar cuidadosamente.
Nasceu daí o formidável arquivo que manteve durante anos, enriquecido por suas notas pessoais, tomadas em todos os jogos que assistia. Aos poucos, seu arquivo foi crescendo e se aprimorando: cadernos, com as descrições de todos os jogos e fotos referentes ao Botafogo, álbuns de fotografias, coleção completa e encadernada da revista “Vida Sportiva” (1917-1922), além de suas anotações pessoais, completando organizações de quadros e marcadores de gols.
Em 1922 Alceu passou a sócio-contribuinte e em 1929 a membro do Conselho Deliberativo e a diretor do clube, sendo chamado a exercer o cargo de 1º Secretário, cargo que ocupou até 31 de dezembro de 1930.
Pouco antes, em 8 de setembro de 1930, casou-se com Zaidie Frias.
Em janeiro de 1933, no mesmo cargo de 1º Secretário, voltou a trabalhar com Paulo Azeredo, o “Presidente de Ouro” e conheceu dias terríveis da cisão esportiva, provocada pela implantação do profissionalismo.
Nos intervalos da luta, fez uma descoberta preciosa: seu amigo Horácio Machado arrecadara na sede velha, situada sob as arquibancadas, uns baús semi-inutilizados por uma inundação. Neles encontrou o que tanto procurava: dados referentes à vida do clube de 1904 a 1915.
Foi uma lástima o dano provocado pela enchente, pois Alceu verificou que era bem organizado o antigo arquivo do clube, com registros de jogos em pequenos livros apropriados, com organizações de quadros e artilheiros. Copiou o que se salvou e melhorou consideravelmente o seu arquivo, que, ainda assim, no referido período, ficou cheio de omissões.
Em agosto de 1935, cansado e também sucumbido com o advento do profissionalismo, pois que era um amadorista absolutamente sincero, deixou espontaneamente a diretoria do clube, renunciado em plena sessão.
Firmemente disposto a abandonar o esporte, Alceu passou a frequentar menos o clube e recusou vários convites para voltar à administração. Por força do velho hábito da infância, entretanto, manteve sempre em dia o seu arquivo botafoguense, embora empobrecido no que concerne aos jogos das divisões inferiores, tão pouco noticiados na imprensa.
No começo de 1945, quando menos esperava, recebeu um convite que não pôde recusar: Alfredo d’Escragnolle Taunay, então Diretor de Propaganda do clube e que, como tal dirigia o Boletim, sabendo da existência de seu arquivo, pediu-lhe para escrever crônicas na revista mensal botafoguense sobre o passado do Botafogo.
Com súbito entusiasmo, pôs mãos à obra.
Seus artigos agradaram a muitos dos veteranos, que reviveram suas façanhas de outrora e que descreveu com a maior fidelidade. Foi um grande estímulo a escrever a vida do Botafogo. Revendo seu arquivo, faltava muita coisa ainda do período entre 1904 e 1915.
A partir de maio de 1945, passou a frequentar a Biblioteca Nacional, folheando, em suas horas de folga, as coleções dos jornais “Correio da Manhã”, “Jornal do Commercio”, “O Paiz” e “O Imparcial”, dentre outros.
Com enorme satisfação colheu dados completos sobre os campeonatos cariocas de 1910 e 1911, mas, quantos aos outros anos, encontrou muitas falhas: a imprensa da época limitava-se a dar o resultado de um jogo quando este se realizava em um mesmo dia de uma grande partida.
Em abril de 1947, surgiu a indicação inestimável de que os arquivos da Liga Metropolitana de Sports Athleticos achava-se depositado na CBD – Confederação Brasileira de Desportos.
Não hesitou um minuto e pediu socorro ao seu amigo Rivadávia Corrêa Meyer, Presidente da CBD e botafoguense como ele, para que autorizasse a consulta ao precioso arquivo, no que foi prontamente atendido.
Compareceu por três dias à sede da CBD e, em seis horas, copiou todas as súmulas da velha Metropolitana. Aumentou extraordinariamente o seu material, confrontando os dados novos com os que já possuía e ficou apto a escrever a grande obra sobre o Botafogo.
Em janeiro de 1948, convidado por seu amigo de todos os tempos Carlos Martins da Rocha, assumiu o cargo de diretor do Departamento de Comunicações e, com o velho entusiasmo, dedicou-se de corpo e alma ao Botafogo.
Na Secretaria reexaminou todo o arquivo do clube, extraindo notas preciosas de seus livros de atas de sessões de diretorias, assembleia geral e conselho deliberativo, relendo os antigos copiadores de ofícios e todos os relatórios, ficando, assim, senhor de impressionante material.
Num domingo em sua casa, 24 de abril de 1949, para ocupar o tempo, começou a redigir o primeiro capítulo da maior obra
até hoje editada sobre o clube (O Futebol no Botafogo 1904-1950)
e o entusiasmo apossou-se dele.
E, em seis meses, auxiliado pela boa memória que o conduzia diretamente às fontes, com relativa facilidade, frutificou o trabalho de trinta e quatro anos.
Foram perto de 1.400 páginas manuscritas em papel almaço, que três grandes amigos tiveram a espontaneidade e a paciência de datilografar em suas horas de folga: Horácio Machado, o veterano e exemplar chefe da Secretaria do Botafogo, sua dedicada e prestimosa auxiliar Maria Magdalena Pinto Rollo e a abnegada desportista Romacild Maria Roma, diretora do Departamento Feminino do clube.
No intervalo, decidiu diminuir as omissões relativas aos marcadores de gols e voltou à Biblioteca Nacional, sendo quase totalmente feliz, pois que examinou as coleções de “Gazeta de Notícias”, de 1906 a 1915, o melhor jornal desse período para descrição de jogos. Colheu dados impressionantes, que somente sua paciência fez pesquisar e que tudo indicava fossem inexistentes, como, por exemplo, os autores dos célebres 24 gols contra o Mangueira, em 1909, e referências apreciáveis ao caótico e quase esquecido campeonato de 1912, da Associação de Football do Rio de Janeiro, disputado pelo clube quando se achava separado da Metropolitana.
Alceu sempre deixou claro que redigiu “O FUTEBOL NO BOTAFOGO” na qualidade que mais prezava: na de simples torcedor do Botafogo e não na que ocupava na época, de seu diretor, nem na qualidade de sócio benemérito – título que lhe foi outorgado pelo Conselho Deliberativo, por proposta do Presidente Carlito Rocha, em sessão de 21 de novembro de 1949.
Era Diretor do Departamento de Comunicação do Botafogo quando faleceu, em 5 de outubro de 1962, no Rio de Janeiro.
O féretro saiu da sede do Botafogo de Futebol e Regatas, à avenida Wenceslau Braz, nº 72, para o cemitério de São João Batista.
No dia 7 de outubro de 1962, em General Severiano, o Botafogo venceu o Bonsucesso por 4 x 1. Os jogadores do Botafogo atuaram de luto, com braçadeiras negras pela morte de Alceu.
A Associação dos Cronistas Desportivas do Rio de Janeiro – ACD instituiu a Taça “Alceu Mendes de Oliveira Castro” para ser entregue a um dos finalistas do Torneio Início do Campeonato Carioca disputado em 23 de outubro de 1963. O Botafogo sagrou-se tricampeão do Torneio Início.
Alceu Mendes de Oliveira Castro também era advogado e em 1961 escreveu um outro livro: “Seleções Brasileiras Através dos Tempos de 1914 a 1960”, em parceria com José Carneiro Felipe Filho.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

AS DECISÕES: CAMPEONATO CARIOCA DE 1932



Apesar do calor senegalês da tarde de 2 de outubro de 1932, o pequeno campo na Estrada do Norte, na estação de Bonsucesso, conseguiu apanhar uma casa cheia, quase repleta.
É que ali se feriria um dos mais importantes embates dessa temporada de futebol, dadas as circunstâncias especiais que envolviam o jogo.
Vencendo a partida, o Botafogo conquistaria o campeonato. Empatando ou perdendo, resultaria um pequeno alento para as esperanças vagas do Flamengo, segundo colocado na tabela.
Grandes eram, portanto, as responsabilidades dos dois contendores. Um, por certo, empregaria os seus esforços para vencer a sagrar-se campeão. O outro haveria de empenhar-se a fundo, com entusiasmo e alta compreensão de seus deveres esportivos, para triunfar sobre o time que enfrentava.
Desse triunfo dependeria a sorte definitiva do campeonato. O numeroso público, ávido de sensações, teve bem recompensado o seu sacrifício, suportando a canícula impiedosa e comprimindo-se nas acomodações deficientes do pequeno campo.
E disso deu sobejas provas, porque todas as fases do encontro mereceram fartos aplausos e o incitamento dos adeptos dos dignos adversários.
O Botafogo levou a melhor. Venceu porque jogou com mais apuro do que o Bonsucesso.
No primeiro tempo, houve equilíbrio de forças. Os vencedores iniciaram a peleja levando evidente vantagem sobre o adversário. Todo o quadro alvinegro agia com entusiasmo e em perfeita técnica.
O primeiro gol da tarde foi conquistado por Nilo, aos cinco minutos de jogo, após uma entrada fulminante e com tiro bem colocado e indefensável.
Coube ainda a Nilo marcar o segundo tento da tarde, cobrando um pênalti cometido por Loló. Chutou forte e Pinheiro nada pôde fazer.
Nos quinze minutos finais do primeiro tempo, porém, os locais reagiram vigorosamente, apesar da diferença de dois gols a favor dos visitantes, que acusava o placar e passaram a fazer perigosas cargas sobre o gol de Victor.
O Bonsucesso fez o seu primeiro gol, de pênalti cometido por Martim.
Decorrem quinze minutos e Leônidas da Silva, aproveitando-se com inteligência e decisão de uma confusão na área do Botafogo, entra e faz aninhar a bola nas redes do alvinegro.
Instantes depois, servindo-se de um escanteio bem batido por Carlinhos e devolvido por Canalli, Loló finaliza com com tiro alto e bem colocado, entrando a bola no ângulo direito superior do gol de Victor.
O Bonsucesso conservou até o fim do primeiro tempo a vantagem de 3 x 2.
Veio o segundo tempo. Os alvinegros dão mostras, desde a saída, do desejo firme de empatar para depois vencer.
A um minuto de jogo, depois de um ataque rapidíssimo e levado ao campo contrário em combinação primorosa, Nilo obriga a Pinheiro, goleiro adversário, a praticar magnífica defesa.
Passam-se mais três minutos e o gol de empate é obtido: Nilo escorando oportuno passe de Ariel.
Mais sete minutos e o Botafogo desempata em seu favor. O gol foi conquistado por Paulinho. Depois de um belo ataque alvinegro, o meia-direita do Botafogo escora belo centro de Celso e chuta de modo indefensável, com todo o êxito.
Até esse momento, notou-se evidente supremacia dos visitantes. O Bonsucesso, porém, duro na queda, volta a reagir. Registram-se bons ataques dos locais, até que ao fazer uma defesa precipitada, Rodrigues mete a mão na bola dentro da área, visivelmente sem intenção, mas a falta foi punida pelo árbitro. Leônidas da Silva bate a penalidade e o jogo fica de novo empatado.
O dia, porém, era dos pênaltis. Estava escrito que o Botafogo deveria vencer. Os ataques incisivos que os atacantes alvinegros levaram a efeito com o fim de desempatar novamente a partida foram, afinal, novamente coroados de êxito.
Forma-se uma confusão na porta do gol do Bonsucesso. Marcelo, do Bonsucesso, acossado por Almir e Álvaro, mete a mão na bola. O árbitro pune a falta máxima, que Nilo transforma no gol da vitória.
Como se vê, houve dois pênaltis de lado a lado.
Inegavelmente esse segundo tempo foi francamente favorável ao Botafogo, que jogou melhor e com mais ardor do que o Bonsucesso.
Os times tiveram a seguinte constituição: BOTAFOGO – Victor, Benedicto e Rodrigues; Ariel, Martim e Canalli; Álvaro, Paulinho (Almir), Carvalho Leite (Paulinho), Nilo e Celso. Técnico: Nicolas J. Ladanyi. BONSUCESSO – Pinheiro, Fernandes (Congo) e Barcelos; Loló, Oto (Eurico) e Marcelo; Carlinhos, Gradim, Prego, Leônidas da Silva e Miro. Técnico: Gentil Cardoso.
Nota: não foi com facilidade que o jogo teve um árbitro. O senhor Luiz Neves, que fora caçado nas arquibancadas, recusou-se a arbitrar a partida, apesar dos pedidos insistentes que foram feitos. Por fim, na falta de árbitro competente, o Bonsucesso apelou para o íntegro e acatado árbitro, Carlos Martins da “Carlito” Rocha, do Botafogo, que procurou resistir a todo tipo de apelo. Depois de meia hora de muita insistência, quando se previa a hipótese de não ser efetuado o jogo por falta de árbitro, Carlito Rocha se viu obrigado a pisar o gramado para apitar, o que fez visivelmente contrariado.
A atuação de Carlito Rocha foi a mais imparcial possível.
Comemorando o levantamento do campeonato, os diretores, associados e jogadores do Botafogo reuniram-se, à noite, na aristocrática sede de seu clube, onde se realizou um animado e elegante jantar dançante, que foi muito concorrido.

Fonte: Correio da Manhã.



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A PRIMEIRA VEZ A GENTE NÃO ESQUECE: O PRIMEIRO JOGO CONTRA O FLAMENGO


Além de ser o primeiro jogo contra o Flamengo, a partida também marcou a volta do Botafogo à Liga Metropolitana de Sports Athleticos e a inauguração do estádio de General Severiano.
O jogo, realizado no dia 13 de maio de 1013, foi válido pelo Campeonato Carioca daquele ano.
Assim falou “O Imparcial”:
Realizou-se no elegante campo do Botafogo, o melhor jogo de futebol que até hoje assistimos.
E tinha razão de o ser, porque as duas equipes que se apresentaram em campo houveram-se com impecável correção, tanto mais quanto só se verificaram no decorrer do jogo duas faltas.
À sede do clube, que se acha instalada em magnífico terreno e ponto superior do bairro de Botafogo, afluíram umas três mil pessoas, tendo estado suas vastas arquibancadas literalmente repletas do que mais “chic” existe na nossa sociedade.
O comandante Palmeiras, distinto “gentleman”, é digno presidente do Botafogo Football Club e proporcionou, com agradável cortesia, ao nosso representante todos os meios de que necessitasse para o seu noticiário.
O encontro dos primeiros times revestiu-se de verdadeiro delírio por parte dos que apreciam o “sport” britânico.
Os jogadores foram recebidos com estrepitosa salva de palmas.
A fim de dar o pontapé inicial, foi o representante do Club Naval de Lisboa, comodoro Charles Bleck, convidado pelos capitães das duas equipes, cerimônia essa que teve os aplausos da assistência.
Iniciado o jogo por parte do time preto e banco, a equipe do Flamengo faz rigorosa carga ao gol do Botafogo e assim Borgerth com violento chute procura, sem resultado, atingir o gol defendido por Álvaro.
A magnífica linha esquerda do Botafogo, de posse da bola, faz rigorosa carga ao gol do Flamengo e assim Cazuza defende-se, embora obrigado a ceder um corner. Villaça cobra o escanteio e acontece um intenso bate-rebate, quando Mimi Sodré, divisando uma pequena passagem, envia a esfera que se aninha na rede do Flamengo. Assim, foi feito o primeiro e único gol do Botafogo.
Em seguida, o árbitro dá por encerrado o primeiro tempo.
Após o descanso de praxe, o árbitro Mário Pernambuco chama novamente para o gramado os dois times.
Essa segunda fase do jogo foi executada debaixo de forte aguaceiro.
O Flamengo pressionou bastante mas não conseguiu marcar nenhum gol no segundo tempo, terminando assim o jogo com o placar de 1 x 0 a favor do Botafogo.

O “Correio da Manhã” disse:
Com uma assistência superior a 3.000 pessoas, realizou-se no campo do Botafogo F. C. o encontro entre este clube e o C. R. do Flamengo.
Desde muito cedo o novo campo da rua General Severiano principiou a encher-se de gente e às 3 horas da tarde o seu aspecto era encantador.
Desde 1910 não tínhamos assistido a um encontro tão sensacional e tão concorrido. As arquibancadas estavam repletas de famílias e cavalheiros de nossa melhor sociedade, que, ansiosos, aguardavam com impaciência o início da luta dos primeiros times.
Eram 4 horas da tarde quando Mário Pernambuco, do Fluminense F. C., faz soar o apito, chamando os jogadores às suas posições.
Uma uníssona salva de palmas se fez ouvir e os capitães tiram a sorte, cabendo a saída ao Botafogo, que convidou para dar o pontapé inicial o comodoro Charles Bleck, presidente do Club Naval de Lisboa.
Depois de muitos lances de ambas as partes, acontece o gol do Botafogo.
Nery, ao defender um centro de Lauro, ocasiona um corner. Este é bem cobrado por Lauro. Facchine escora com a cabeça, Cazuza defende. Abelardo torna a chutar e é ainda defendida. Mimi Sodré, que se achava a pouca distância, não demora em enviar a bola à rede do Flamengo.
Termina o primeiro tempo com a superioridade do Botafogo no placar: 1 x 0.
Durante o intervalo, o presidente do Botafogo fez servir uma taça de champagne ao senhor Charles Bleck.
Após regular descanso, voltaram para o campo os dois times.
Recomeçada a luta, esta é titânica, e ao ataque dobram-se de ambas as partes.
Os dois contendores desenvolvem um jogo belíssimo.
Nos últimos momentos de jogo a equipe do Flamengo ataca muito o gol do Botafogo, esbarrando na ótima defesa deste.
O jogo termina com a vitória de 1 x 0 do Botafogo.
O árbitro foi muito bem, concorrendo bastante para o brilhantismo do jogo.
Abrilhantou o jogo com sua presença a harmoniosíssima banda musical do 10º Batalhão da Guarda Nacional, que foi alvo dos maiores elogios por parte dos espectadores.
Após o jogo foi servido ao time do Flamengo uma taça de champagne.

As equipes formaram assim:
BOTAFOGO: Álvaro, Dutra e Pullen; Pino, Rolando e Couto; Villaça, Abelardo, Facchine, Mimi Sodré e Lauro Sodré.
FLAMENGO: Cazuza, Píndaro e Nery; Gallo, Amarante e Lawrence; Baiano, Borgerth, Figueira, Del Nero e Raul.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

DUAS GRANDES GOLEADAS NO MESMO ADVERSÁRIO, NO MESMO CAMPEONATO

Em condições normais, uma supergoleada não é um placar que acontece sempre. Quando acontece uma goleada num primeiro turno, normalmente esse adversário toma suas precauções para que o desastre não volte a ocorrer no segundo.
Mas não foi o que se viu no Campeonato Carioca de 1936, competição disputada em dois turnos: o Botafogo aplicou duas grandes goleadas no Olaria.
A primeira aconteceu no jogo que foi adiado devido ao mau tempo. Foi realizada no feriado de 7 de setembro de 1936, no campo da rua General Severiano. Facilmente, o Botafogo se impôs pelo placar de 7 x 0. Loris Cordovil, o árbitro, marcou três pênaltis, sendo dois contra o Olaria e um contra o Botafogo.
O primeiro tempo terminou com a contagem de 4 x 0, com os gols marcados nesta ordem: 1º Carvalho Leite, 2º Enéas, contra; 3º Carvalho Leite e 4º Russinho.
No segundo tempo, Russinho (5º), Armando (6º) e Russinho (7º) definiram o marcador.
As equipes formaram assim:
BOTAFOGO: Aymoré Moreira, Brum e Octacílio; Affonso, Martim e Canalli; Álvaro, Armando, Carvalho Leite, Russinho e Patesko.
OLARIA: Ubiratan, Caraúna (Salim) e Joaquim; Aristotelino, Enéas e Nonô; Ary, Gago, Euclydes (Fraga), Horácio e Pierre.

Cumprindo o último compromisso do returno, no dia 29 de novembro de 1936 o Botafogo desenvolveu outra atuação de destaque contra o Olaria.
O jogo foi realizado no campo do Olaria, à rua Cândido Silva.
Quem assistiu aos primeiros quinze minutos do período decisivo, viu o Olaria agir com grande desenvoltura, com ânimo forte e muita disposição, chegaram a impressionar mesmo tendo pela frente um Botafogo em bom dia.
Aos 8 minutos de jogo o Botafogo inaugurou o marcador, depois que Álvaro cruzou uma bola para Carvalho Leite, este fintou e deixou a bola para Russinho, que marcou o primeiro gol do Botafogo.
Cinco minutos depois, Carvalho Leite marcou o segundo gol do alvinegro.
Dada nova saída, o Botafogo recupera a bola. Álvaro corre pela extrema e passa a Russinho, que marca o terceiro gol da tarde.
Pouco tempo depois, Patesko assinala o quarto gol do Botafogo.
Faltando poucos minutos para o término do primeiro tempo, Russinho recebe a bola e passa para Patesko que escapa, deslocando-se para o centro, para marcar o quinto gol do Botafogo. O primeiro tempo termina com o placar de 5 x 0 a favor do Botafogo.
Com cinco minutos de jogo no segundo tempo, ao ser cobrado um escanteio contra o Botafogo, Gago marca, de cabeça, o primeiro gol do Olaria. Os locais se animam com o feito e desenvolvem uma atuação impressionante pela rapidez, atacando com ânimo.
Aos dez minutos de jogo, o árbitro assinala pênalti de Octacílio em Cebinho. Gato cobra a penalidade, conseguindo marcar o segundo e último gol do Olaria.
Pouco tempo depois, o Botafogo consigna o sexto gol, por intermédio de Carvalho Leite, ao ser cobrada uma falta por Patesko. E os visitantes voltam a dominar, diminuindo o entusiasmo dos suburbanos.
Álvaro corre com a bola, passa a Carvalho Leite, que marca o sétimo gol do Botafogo.
Logo em seguida, Patesko encerra a contagem, assinalando o oitavo gol do Botafogo. Placar final: Botafogo 8 x 2 Olaria.
Sob as ordens de Loris Cordovil, que agiu a contento, os quadros atuaram assim constituídos:
BOTAFOGO: Aymoré Moreira, Octacílio e Nariz; Luciano, Zezé Moreira e Canalli; Álvaro, Martim, Carvalho Leite, Russinho e Patesko.
OLARIA: Adolpho Madeira, Enéas e Alberto (Herculano); Lamas, Nunes (Joaquim) e Aristotelino; Ary, Gato, Pierre (Gago), Cebinho e Motta.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A PRIMEIRA VEZ A GENTE NÃO ESQUECE: O PRIMEIRO JOGO DO BOTAFOGO FOOTBALL CLUB


O Botafogo Football Club foi fundado em 12 de agosto de 1904, por um grupo de rapazes de 14 anos, em média, com o nome de Electro Club. A 18 de setembro de 1904 realizou-se uma assembléia, na qual foi aprovado o nome Botafogo Football Club.
Às 15 horas de um domingo, dia 2 de outubro de 1904, o Botafogo disputou o seu primeiro jogo regular, enfrentando o Football and Athletic Club, no campo deste, à rua Haddock Lobo, esquina de Campos Sales, onde existia o Velo Club.
O Botafogo, vencido por 3 x 0, vestia camisas de malha branca e calções brancos e o Athletic, camisas de pano vermelho, tendo sido este o conjunto do Botafogo: Flávio Ramos, Victor Faria e João Leal; Basílio Vianna, Octavio Werneck e Adhemaro de Lamare; Norman Hime, Itamar Tavares, Álvaro Soares, Ricardo Rêgo e Carlos Bittencourt.
Desse jogo, o fato pitoresco foram as meias cor de abóbora de Flávio Ramos e a atitude do Barão de Werneck, pai de Octavio e Álvaro, assistindo o jogo de guarda-sol aberto.
O árbitro do jogo foi Mário Bessa, do Fluminense F. C.
O Football and Athletic Club formou com Nascimento, Luiz Maia e Hildebrando Paranhos; Leite, Oscar Fagundes e Alvarenga I; Pereira, Aurélio Silva, Kock, Alvarenga II e Barbosa.

Fontes: O Futebol no Botafogo 1904-1950 e pesquisador Pedro Varanda.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

JOGOS INESQUECÍVEIS: A ESTRÉIA DE GARRINCHA



Segundo o jornal A Noite “não foi um grande espetáculo o que ofereceram os quadros do Botafogo e do Bonsucesso na peleja travada na tarde de 19 de julho de 1953, no estádio General Severiano”.
No entanto, valeu o prélio pela movimentação, pela combatividade que sempre caracterizou as jogadas e sobretudo pelas peripécias desconcertantes que culminaram com a goleada de 6 x 3 imposta ao modesto mas lutador quadro leopoldinense.
A partida, até os primeiros quinze minutos do segundo período, esteve indefinida. Basta dizer que, até então, vencia o Bonsucesso por 2 x 1 e, apesar da pressão fortíssima que fazia o alvinegro, resistiam os leopoldinenses.
Depois do empate foi que o Botafogo acertou o caminho da vitória. E do empate à goleada final de 6 x 3 foi apenas um salto. Foi liquidado o Bonsucesso sem maiores delongas: consequência lógica que os rubro-anis teimavam em não querer acreditar. Foi em peso o Botafogo para a frente e aí se verificou a seqüência de tentos que obrigaram ao arqueiro Ari buscar a bola nas redes.
O Botafogo, apesar da goleada imposta ao time orientado por Pirilo, seu ex-defensor, não chegou a corresponder inteiramente. Tanto houve cochilos na defesa como se verificou, até o início da arrancada para a goleada, deficiência na coordenação da ofensiva. Valeu, entretanto, como nota favorável o espírito de luta que, afinal, pôde proporcionar o resultado tão expressivo. Nilton Santos e Arati, na defesa, Garrincha, Geninho e Vinícius, no ataque, os mais eficientes do grupo vencedor.
Aos quatro minutos de jogo, verificou-se uma falta de Bob em Soca. Simões cobrou colocadamente e depois de tocar a bola em Nilton Santos foi às redes. Era o primeiro gol do Bonsucesso.
Aos 9 minutos, Garrincha cobrou um escanteio para o Botafogo e Vinícius, de cabeça, mandou sensacionalmente a bola para dentro da meta leopoldinense, empatando a peleja.
Dois minutos depois, Ariosto marcou um tento que o árbitro anulou por impedimento.
Aos 30 minutos, Gerson dos Santos concedeu corner. Benedito cobrou e Lino, recebendo, atirou para marcar o segundo tento do Bonsucesso.
Logo depois, é assinalado outro gol do Botafogo, de autoria de Garrincha, também anulado por impedimento.
Com a vantagem de 2 x 1 favorável ao Bonsucesso, encerrou-se o primeiro período.
Aos 14 minutos do segundo tempo o jogador do Bonsucesso, Urubatão, cometeu pênalti em Vinícius. Garrincha cobrou e marcou o segundo tento do Botafogo.
Aos 29 minutos, o Botafogo atacou. Ariosto recebeu de Nilton Santos e cedeu a Dino da Costa, que colocou a bola nas redes do Bonsucesso pela terceira vez.
Aos 30, Garrincha cobrou uma falta do limite da área e venceu o arqueiro Ari, assinalando o quarto tento do Botafogo.
Aos 32, Garrincha escapa pela direita, cede a Ariosto e este passa a Dino da Costa que venceu novamente a meta do Bonsucesso. Era o quinto tento do Botafogo.
Aos 36, Benedito, com um tiro longo, marcou o terceiro gol do Bonsucesso.
Aos 47 minutos, Garrincha recebeu de Geninho, invadiu a área e marcou o sexto e último gol do Botafogo.
Estava decretada a vitória do alvinegro através de uma goleada, depois de terem passado por um susto tremendo os torcedores do campeão de 1948.

GARRINCHA, A SENSAÇÃO DA PARTIDA E O ARTILHEIRO

Uma das notas de relevo desse prélio que mexeu com os nervos dos torcedores foi a estréia do jovem e já tão falado ponteiro direito Garrincha. A começar pelo seu andar desajeitado e torto, o novo dianteiro alvinegro tornou-se figura central. E conseguiu maior projeção ainda por ter sido o artilheiro da tarde, com três tentos, sendo um de cobrança de pênalti, muito bem executada.
Garrincha não é um craque, ainda. Tem muito que aprender e se aperfeiçoar. Mas é indiscutível que possui qualidades para vencer em nosso futebol. A sua amostra, ontem, foi excelente. É lutador, impetuoso e tem visão de gol. Foi, enfim, um feliz lançamento feito pelo Botafogo.

O “Correio da Manhã” destacou:
“Botafogo, depois de experimentar sensações pouco agradáveis, acabou derrotando o Bonsucesso com categoria por 6 x 3, fazendo estrear o ponteiro Gualicho de maneira convincente”.

A “Gazeta de Notícias” afirma: “Flamengo, Botafogo e Bangu venceram com categoria”. Quando relaciona os gols do Botafogo também informa Gualicho.

Já o “Diário de Notícias” preferiu dar outro tipo de destaque. Vejamos:
“O vento foi o maior adversário encontrado pelos conjuntos do Botafogo e do Bonsucesso, em General Severiano. Os locais, no primeiro tempo, lutaram infrutiferamente contra esse elemento da natureza, sendo mesmo traídos, baqueando nessa etapa por 2 x 1. No período final, explorando bem a situação que o prejudicara no primeiro tempo, o Botafogo foi de “vento em popa” e acabou por subjugar decididamente o Bonsucesso”.
Relaciona o jogador “Garricho” na ponta-direita do Botafogo e, na anotação dos gols, “Garrido”.

As equipes formaram assim:
BOTAFOGO: Gilson, Gerson dos Santos e Nilton Santos; Arati, Bob e Juvenal; Garrincha, Geninho, Dino da Costa, Ariosto e Vinícius. Técnico: Gentil Cardoso.
BONSUCESSO: Ari, Duarte e Mauro; Urubatão, Décio e Serafim; Lino, Wilson, Simões, Soca e Benedito. Técnico: Pirilo.

Sobre a atuação do árbitro, Erick Westman, o ponto comum foi que ele não atuou bem.
Disse “A Noite”: “Atuação sofrível. Falhou outra vez na repressão ao jogo violento, deixando-se envolver pelos jogadores. Também falhou em várias marcações técnicas.
A arrecadação foi de Cr$ 68.577,40.

sábado, 18 de agosto de 2012

O BOTAFOGO NO CAMPEONATO CARIOCA DE 1964 - Súmulas


BOTAFOGO 1 x 0 OLARIA
Data: 05/07/1964
Local: General Severiano, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Wilson Lopes de Souza
Renda: Cr$ 1.925.378,00
Gol: Gérson
BOTAFOGO: Manga, Joel, Paulistinha, Nilton Santos e Rildo; Élton e Gérson; Roberto, Arlindo, Jairzinho e Zagalo. Técnico: Zoulo Rabello.
OLARIA: Manguito, Ouraci, Mafra, Nésio e Casemiro; Valtinho e Oton; Valter, Pacoti, Luís Carlos e Roberto Peniche.

BOTAFOGO 0 x 0 AMÉRICA
Data: 12/07/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Gualter Portela Filho
Renda: Cr$ 9.880.966,00
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Élton e Gérson; Garrincha, Arlindo, Jairzinho e Zagalo. Técnico: Zoulo Rabello.
AMÉRICA: Ari, Luciano, Flodoaldo, Wilson Santos e Itamar; Carlos Pedro e João Carlos; Gilbert, Fernando Cônsul, Zezinho e Abel. Técnico: Zizinho.

BOTAFOGO 1 x 3 CAMPO GRANDE
Data: 22/07/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Valdemar Meireles
Renda: Cr$ 2.294.576,40
Gols: Gérson / Nodir (2) e Jairo
BOTAFOGO: Manga, Joel, Paulistinha, Nilton Santos e Rildo; Élton e Gérson; Garrincha, Arlindo, Jairzinho e Zagalo. Técnico: Zoulo Rabello.
CAMPO GRANDE: Edmar, Paulo, Guilherme, Décio Esteves e Darci Santos; Domingos e Norival; Ércio, Jairo, Guaraci e Nodir. Técnico: Miguel Pimenta.

BOTAFOGO 2 x 1 BANGU
Data: 26/07/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Gualter Portela Filho
Renda: Cr$ 7.558.734,50
Gols: Quarentinha e Sicupira / Cabralzinho
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Élton e Gérson; Sicupira, Jairzinho, Quarentinha e Zagalo. Técnico: Zoulo Rabello.
BANGU: Ubirajara Motta, Fidélis, Mário Tito, Dirceu e Nilton dos Santos; Ocimar e Roberto Pinto; Paulo Borges, Vermelho, Parada e Cabralzinho. Técnico: Martim Francisco.

BOTAFOGO 3 x 1 SÃO CRISTÓVÃO
Data: 02/08/1964
Local: Figueira de Melo, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Frederico Lopes
Renda: Cr$ 1.545.150,00
Gols: Quarentinha, Sicupira e Bira / Valdemar
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Élton e Gérson; Sicupira, Jairzinho, Quarentinha e Bira. Técnico: Zoulo Rabello.
SÃO CRISTÓVÃO: Franz, Ari, Renato, Élton e Moisés; Valdir e Jair; Valdemar, Jorge, Aladim e Fraga. Técnico: Danilo Alvim.

BOTAFOGO 3 x 0 MADUREIRA
Data: 09/08/1964
Local: General Severiano, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: José Gomes Sobrinho
Renda: Cr$ 2.068.225,00
Gols: Quarentinha (2) e Jairzinho 
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Élton e Gérson; Garrincha, Jairzinho, Quarentinha e Bira. Técnico: Zoulo Rabello.
MADUREIRA: Humberto, Esteves, Alfredo, Jalmir e Aloísio; Nilo e Farah; Nenem, Batata, Quarenta e Alfredinho.

BOTAFOGO 3 x 2 PORTUGUESA
Data: 15/08/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Valdemar Meireles
Renda: Cr$ 3.476.353,00
Gols: Gérson, Bira e Quarentinha / Edmur e Inaldo
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Élton e Gérson; Sicupira, Jairzinho, Quarentinha e Bira. Técnico: Zoulo Rabello.
PORTUGUESA: Jorge Reis, Bruno, Reginaldo, Luizão e Tião; Laerte e Valter; Sabará, Edmur, Inaldo e Zé Carlos. Técnico: Gentil Cardoso.

BOTAFOGO 2 x 0 VASCO DA GAMA
Data: 19/08/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Frederico Lopes
Renda: Cr$ 12.047.074,80
Gols: Jairzinho e Quarentinha
BOTAFOGO: Manga, Joel, Paulistinha, Nilton Santos e Rildo; Élton e Gérson; Sicupira, Jairzinho, Quarentinha e Bira. Técnico: Geninho.
VASCO DA GAMA: Marcelo, Joel, Caxias, Fontana e Barbosinha; Alcir e Maranhão; Zezinho, Célio, Mário e Da Silva. Técnico: Duque.

BOTAFOGO 6 x 0 CANTO DO RIO
Data: 23/08/1964
Local: Caio Martins, Niterói (RJ)
Árbitro: Wilson Lopes de Souza
Renda: Cr$ 4.139.175,00
Gols: Jairzinho (4), Quarentinha e Gérson
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Nilton Santos e Paulistinha; Élton e Gérson; Jairzinho, Quarentinha, Didi e Bira. Técnico: Zoulo Rabello.
CANTO DO RIO: João Batista, Marinho, Mateus, Décio Leal e Azul; Niraldo e Jardel; Antonio Carlos, Ari, Ramos e Ramon.

BOTAFOGO 1 x 2 BONSUCESSO
Data: 30/08/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Wilson Lopes de Souza
Renda: Cr$ 9.283.168,00
Gols: Quarentinha / Carlinhos (2)
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Nilton Santos e Paulistinha; Élton e Gérson; Jairzinho, Didi, Quarentinha e Bira. Técnico: Zoulo Rabello.
BONSUCESSO: Cláudio, Marcelo, Luís Carlos, Jerri e Nélson; Jaime e Hélio; João José, Antoninho, Carlinhos e Escurinho. Técnico: Daniel Pinto.

BOTAFOGO 0 x 2 FLUMINENSE
Data: 06/09/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Frederico Lopes
Renda: Cr$ 33.750.000,00
Gols: Amoroso (2)
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Nilton Santos e Jailton; Élton e Gérson; Garrincha, Didi, Jairzinho e Quarentinha. Técnico: Zoulo Rabello.
FLUMINENSE: Castilho, Carlos Alberto, Procópio, Altair e Nonô; Oldair e Denílson; Amoroso, Evaldo, Ubiraci e Mateus. Técnico: Tim.

BOTAFOGO 0 x 1 FLAMENGO
Data: 20/09/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Frederico Lopes
Renda: Cr$ 39.920.639,90
Gol: Paulo Chôco
BOTAFOGO: Manga, Joel, Paulistinha, Nilton Santos e Rildo; Élton e Gérson; Jairzinho, Arlindo, Quarentinha e Zagalo. Técnico: Zoulo Rabello.
FLAMENGO: Marcial, Murilo, Ditão, Ananias e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Carlos Alberto, Airton, Paulo Chôco e Oswaldo II. Técnico: Flávio Costa.

BOTAFOGO 1 x 0 OLARIA
Data: 27/09/1964
Local: Rua Bariri, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: José Gomes Sobrinho
Renda: Cr$ 1.381.575,00
Gol: Quarentinha
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Nilton Santos e Paulistinha; Didi e Gérson; Sicupira, Jairzinho, Quarentinha e Zagalo. Técnico: Zoulo Rabello.
OLARIA: Ari, Décio Brito, Viana, Nézio e Casemiro; Valtinho e Othon; Chicão, Oldack, Hélio e Toni.

BOTAFOGO 3 x 1 AMÉRICA
Data: 01/10/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Frederico Lopes
Renda: Cr$ 4.500.883,00
Gols: Jairzinho (2) e Quarentinha / Wilson Santos
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Nilton Santos e Paulistinha; Didi e Gérson; Sicupira, Jairzinho, Quarentinha e Zagalo. Técnico: Zoulo Rabello.
AMÉRICA: Mauro, Luciano, Wilson Santos, Leônidas e Itamar; Amorim e João Carlos; Zezinho, Campinense, Paulo Leão e Abel. Técnico: Zizinho.

BOTAFOGO 1 x 0 CAMPO GRANDE
Data: 04/10/1964
Local: General Severiano, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: José Gomes Sobrinho
Renda: Cr$ 2.765.100,00
Gol: Quarentinha
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Nilton Santos e Jailton; Didi e Gérson; Sicupira, Jairzinho, Quarentinha e Zagalo. Técnico: Geninho.
CAMPO GRANDE Edmar, Paulo, Guilherme, Geneci e Darci Santos; Domingos e Norival; Ercio, Chico, Guaraci e Nodir. Técnico: Miguel Pimenta.

BOTAFOGO 3 x 4 BANGU
Data: 11/10/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Amílcar Ferreira
Renda: Cr$ 6.591.048,00
Gols: Gérson, Jairzinho e Luís Alberto (contra) / Bianchini (2) e Parada (2)
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Nilton Santos e Rildo; Didi e Gérson; Sicupira, Jairzinho, Quarentinha e Zagalo. Técnico: Geninho.
BANGU: Ubirajara Motta, Fidélis, Mário Tito, Luís Alberto e Nilton dos Santos; Ocimar e Roberto Pinto; Paulo Borges, Bianchini, Parada e Aladim. Técnico: Martim Francisco.

BOTAFOGO 1 x 1 SÃO CRISTÓVÃO
Data: 17/10/1964
Local: General Severiano, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Valdemar Meireles
Renda: Cr$ 1.959.250,00
Gols: Bira / Petit
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Didi e Gérson; Sicupira, Arlindo, Jairzinho e Bira. Técnico: Geninho.
SÃO CRISTÓVÃO: Franz, Ari, Renato, Moisés e Ailton; Élton, Valter e Jair; Jorge, Petit e Fraga.

BOTAFOGO 3 x 1 MADUREIRA
Data: 25/10/1964
Local: Conselheiro Galvão, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: José Gomes Sobrinho
Renda: Cr$ 1.846.650,00
Gols: Didi, Zagalo e Arlindo / Alfredinho
BOTAFOGO: Miguel, Joel, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Didi e Gérson; Bira, Arlindo, Jairzinho e Zagalo. Técnico: Geninho.
MADUREIRA: Humberto, Jorge, Alfredo, Jalmir e Esteves; Nei e Alfredinho; Neném, Batata, Beto e Jair.

BOTAFOGO 1 x 1 PORTUGUESA
Data: 01/11/1964
Local: Laranjeiras, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Gualter Gama de Castro
Renda: Cr$ 1.339.725,00
Gols: Quarentinha / Mário Breves
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Didi e Gérson; Bira, Arlindo, Quarentinha e Zagalo. Técnico: Geninho.
PORTUGUESA: Wagner, Bruno, Djalma, Luizão e Tião; Laerte e Mário Breves; Inaldo, Edmur, Mauro e Zé Carlos. Técnico: Gentil Cardoso.

BOTAFOGO 2 x 0 VASCO DA GAMA
Data: 07/11/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Frederico Lopes
Renda: Cr$ 23.163.894,50
Gols: Quarentinha e Arlindo
BOTAFOGO: Miguel, Joel, Zé Carlos, Paulistinha e Rildo; Didi e Gérson; Jairzinho, Arlindo, Quarentinha e Zagalo. Técnico: Geninho.
VASCO DA GAMA: Miltão, Joel, Caxias, Fontana e Barbosinha; Maranhão e Lorico; Mário, Célio, Saulzinho e Zezinho. Técnico: Eli do Amparo.

BOTAFOGO 5 x 0 CANTO DO RIO
Data: 15/11/1964
Local: General Severiano, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Valdemar Meireles
Renda: Cr$ 1.435.795,00
Gols: Quarentinha (2), Élton (2) e Jairzinho
BOTAFOGO: Manga, Mura, Zé Carlos, Nilton Santos e Rildo; Élton e Gérson; Jairzinho, Arlindo, Quarentinha e Zagalo. Técnico: Geninho.
CANTO DO RIO: Paulo, Osvaldo, Carlos Martins, Mateus e Procópio; Jardel e Niraldo; Antonio Carlos, Pingo, Fernando Pinto e Carlos Pio.

BOTAFOGO 1 x 1 BONSUCESSO
Data: 21/11/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Wilson Lopes de Souza
Renda: Cr$ 2.919.240,00
Gols: Arlindo / Antoninho
BOTAFOGO: Manga, Joel, Zé Carlos, Nilton Santos e Rildo; Élton e Gérson; Jairzinho, Arlindo, Quarentinha e Zagalo. Técnico: Geninho.
BONSUCESSO: Cláudio, Marcelo, Claudionor, Luís Carlos e Nélson; Jaime e Helinho; João José, Carlinhos, Antoninho e Escurinho. Técnico: Daniel Pinto.

BOTAFOGO 1 x 0 FLUMINENSE
Data: 29/11/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Frederico Lopes
Renda: Cr$ 31.361.392,40
Gol: Jairzinho
BOTAFOGO: Manga, Mura, Zé Carlos, Nilton Santos e Rildo; Élton e Gérson; Jairzinho, Arlindo, Roberto e Humberto. Técnico: Geninho.
FLUMINENSE: Castilho, Carlos Alberto, Procópio, Altair e Nonô; Oldair e Denilson; Amoroso, Joaquinzinho, Ubiraci e Gilson Nunes. Técnico: Tim.

BOTAFOGO 1 x 0 FLAMENGO
Data: 13/12/1964
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Eunápio de Queirós
Renda: Cr$ 90.286.500,00
Gol: Roberto
BOTAFOGO: Manga, Mura, Zé Carlos, Nilton Santos e Rildo; Élton e Gérson; Jairzinho, Arlindo, Roberto e Humberto. Técnico: Geninho.
FLAMENGO: Marcial, Murilo, Ditão, Joubert e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho; Amauri, Airton, Paulo Chôco e Oswaldo II. Técnico: Flávio Costa.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

FRASES SOBRE O BOTAFOGO


"Há coisas que só acontecem ao Botafogo."
- Ditado popular

"O Botafogo tem a vocação do erro."
- Augusto Frederico Schmidt, ex-presidente do clube, em conversa com Santhiago Dantas.

"Sabe duma coisa? Eu não gosto de futebol, gosto é do Botafogo."
- Lúcio Rangel, jornalista.

"No Rio, a formação da identidade passa, também, pela eleição de um time de futebol. O poeta, fiel à sua infância, escolhe o 'Botafogo Futebol Clube'. Não freqüenta os estádios. Não lê o noticiário. Não ouve as transmissões pelo rádio. Mas, se perguntarem seu time, afirma: 'Botafogo'. Não se trata de uma paixão, mas de uma senha para a cidadania."
- Vinícius de Moraes, músico brasileiro.

"O Botafogo é um menino de rua perdido na poética dramaticidade do futebol."
- Paulo Mendes Campos, escritor brasileiro.

"O Botafogo é o clube mais passional, mais siciliano, mais calabrês do futebol brasileiro."
- Nélson Rodrigues, cronista brasileiro.

"Se o Botafogo fosse uma esposa minha com certeza receberia muitas flores."
- Zé Roberto, ex-jogador do clube orgulhoso por atuar no time.

"Não me separo nunca de minhas fotos com a camisa do Botafogo."
- Cetale, ex-zagueiro, em entrevista em 2008, quase 50 anos após deixar o clube.

"Às vezes torcemos para o Botafogo apesar do Botafogo."
- Luiz Fernando Veríssimo, escritor brasileiro.

"Nós amamos o Botafogo, mas ele, inexplicavelmente, nos odeia."
-Alexandre Kirilos.

"Ser Botafogo é escolher um destino e dedicar-se a ele. Não se pode ser Botafogo como se é outro clube: você tem que ser de corpo e alma."
- Mário Filho, jornalista brasileiro.

"O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha? O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal? O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?"
- Vinícius de Moraes, músico brasileiro.

"O Botafogo tem tudo a ver comigo: por fora, é claro-escuro, por dentro, é resplendor; o Botafogo é supersticioso, eu também sou. O Botafogo é bem mais que um clube - é uma predestinação celestial. Seu símbolo é uma entidade divina. Feliz da criatura que tem por guia e emblema uma estrela. Por isso é que o Botafogo está sempre no caminho certo. O caminho da luz. Feliz do clube que tem por escudo uma invenção de Deus."
- Armando Nogueira, jornalista.

"Assim é o botafoguense. Ele não sofre, se purifica. Os invejosos desafiam, dizem que os alvinegros são poucos. Equívoco; são relíquias. E preciosidade não se encontra às pencas no boteco da esquina."
-Autoria desconhecida.

"E ninguém cala esse nosso amor, e é por isso que eu canto assim: É por ti Fogo!"
-Cântico da torcida do Botafogo.

"Essa estrela, colada ao coração de quem seu manto sagrado veste, não é apenas símbolo ou referência. É muito mais. É fogo, que incendeia a paixão imortal de quem, um dia, a adotou como força, fé e religião."
-Fernanda Grillo.

"A estrela é solitaria apenas em seu jargão."
-Fernanda Grillo.

"E comunico nesta hora a Albano que a sua última partida resultou numa nítida vitória. O tempo que resta do jogo interrompido, os nossos jogadores não disputarão mais. Todos nós queremos que o jovem lutador desaparecido parta para a grande noite como um vitorioso. E é assim que o saudamos."
- Augusto Frederico Schmidt, após uma partida de basquetebol entre o clube que presidia, Club de Regatas Botafogo, e o Botafogo Football Club que culminou na morte no atleta Armando Albano deste clube. Com esta declaração Schmidt iniciava o processo de fusão entre os dois clubes que criou o Botafogo de Futebol e Regatas.

"Nas disputas entre os nossos clubes só pode haver um vencedor: o Botafogo!"
-Eduardo Góes Trindade, presidente do Botafogo Football Club acenando para Augusto Frederico Schmidt a real vontade de fusão entre os clubes que presidiam.

"O que mais é preciso para que os nossos dois clubes sejam um só?"
- Augusto Frederico Schmidt, ratificando a Eduardo Góes Trindade o projeto de fusão.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

RETRATO EM BRANCO E PRETO: MANGA



Considerado o melhor goleiro da história do Botafogo, Haílton Corrêa de Arruda, o Manga, tinha físico privilegiado, coragem, elasticidade, mãos enormes - que sofreriam inúmeras fraturas -, firmeza no jogo aéreo, ótima colocação e reflexo.
O “Dia do Goleiro” é comemorado em homenagem ao dia do seu aniversário, 26 de abril.
T
erceiro filho do casal José e Élida, Manga nasceu em 26 de abril de 1937, no Pina, bairro do Recife (PE).
Sua infância foi normal, sem nenhum acidente que mereça ser registrado, a não ser que gostava muito de futebol e sempre que havia uma bola de meia (Manga sabia fazê-la, e bem) as peladas começavam, onde houvesse um lugar: terreno baldio, rua pouco movimentada etc. Manga era atacante e fazia seus gols, embora fosse grosso para controlar a bola ou dar um passe. Marcava os gols no peito e na raça.
As aulas sempre deram vez às peladas e Manga não hesitava em deixar de ir à escola para correr atrás da bola.
A pouca intimidade com a bola e sua altura (1,86 m) fizeram com que, quando resolveu trocar os estudos pelo futebol, optasse pela posição de goleiro. Em 1954, aos 17 anos, chegou à equipe juvenil do Sport Recife, onde foi campeão juvenil invicto ao lado de Almir Pernambuquinho.

Sua estréia na equipe principal do Sport aconteceu durante uma excursão que o clube pernambucano fez ao exterior, iniciada em 6 de abril de 1957. Manga era um dos três goleiros que embarcaram, juntamente com Oswaldo Baliza e Carijó.
Oswaldo Baliza contundiu-se em Lisboa e Manga assumiu o arco do rubro-negro recifense, estreando no dia 22 de abril de 1957 em Haifa, Israel, quatro dias antes de completar 20 anos de idade. O Sport venceu o Haifa Maccabi, de Israel, por 5 x 1.
Neste mesmo ano, tornou-se titular absoluto do gol do Sport a partir de 7 de julho, num amistoso contra o Náutico (0 x 0). Disputou 39 jogos em 1957.
Em 1958 disputou 54 jogos e sagrou-se campeão pernambucano.

No ano seguinte, foram mais 43 jogos pelo Sport, sendo que no dia 5 de julho de 1959 disputou a última partida no Sport, na vitória de 4 x 3 sobre o Ferroviário, válido pelo primeiro turno do campeonato pernambucano.
Foi contratado pelo Botafogo, onde fez sua estréia no dia 18 de julho de 1959, no Maracanã, na vitória de 2 x 0 sobre a Portuguesa, em jogo do campeonato carioca daquele ano.
Nos quase nove anos que permaneceu no Botafogo, Manga conquistou muitos títulos. Foi campeão carioca nos anos de 1961, 1962, 1967 e 1968; do Torneio Início do Rio de Janeiro em 1961 e 1962; do Torneio Rio-São Paulo em 1962, 1964 e 1966; do Torneio Governador Magalhães Pinto, em Belo Horizonte (MG) em 1964 e da Taça Guanabara em 1967. Também conquistou diversos torneios internacionais, tais como Triangular Internacional da Costa Rica (1961), Pentagonal do México (1962), Torneio de Paris (1963), Jubileu de Ouro da Associação de Futebol de La Paz, Bolívia (1964), Quadrangular do Suriname
(1964), Taça Círculo de Periódicos Esportivos de Caracas (1966),
Taça Carranza de Buenos Aires (1966), Triangular de Caracas (1967) e Hexagonal do México (1968).
Ao todo, foram 442 jogos disputados e 394 gols sofridos.
Disputou quinze jogos pela Seleção Brasileira, sendo doze oficiais, entre 6 de junho de 1965 (o primeiro), na vitória de 2 x 0 sobre a Alemanha Ocidental, e 19 de setembro de 1967, último jogo pela Seleção Brasileira, na vitória de 1 x 0 sobre o Chile.
Disputou a Copa do Mundo de 1966, jogando apenas contra Portugal.
Sua despedida do Botafogo aconteceu em 28 de abril de 1968, no Maracanã, com derrota de 2 x 0 diante do Vasco da Gama, pelo campeonato carioca.
Transferiu-se para
o Nacional, de Montevidéu, Uruguai, onde jogou de 7 de setembro de 1968 (sua estréia contra o Danubio) a junho de 1974, sempre como titular. Foi tetracampeão uruguaio de 1969 a 1972, campeão da Libertadores da América e do Mundial Interclubes em 1971.
Em 1971, recebeu o título de "Desportista do Ano" no Uruguai.
Em 1972, recebeu distinção maior: o "Charrua de Ouro", para o melhor jogador.
No dia 30 de maio de 1973, jogando pelo Nacional, no Estádio Centenário, em Montevidéu, ao rebater uma bola em sua área, encobriu o goleiro Posadas e marcou um dos sete gols da goleada que o Nacional impôs ao Racing pelo campeonato uruguaio.
Por suas atuações, a imprensa local ainda o tem como o melhor goleiro que apareceu no país.
Retornou ao Brasil em 1974, contratado pelo Internacional, de Porto Alegre (RS), onde estreou no dia 24 de julho de 1974, no Morumbi, contra o Santos, perdendo por 2 x 1.
Até 1976, fez 210 jogos pelo Internacional, sofrendo 109 gols. Ganhou três títulos gaúchos (1974 a 1976) e dois Campeonatos Brasileiros (1975 e 1976).
Em 1977, ganhou o campeonato estadual do Mato Grosso do Sul e disputou o Campeonato Brasileiro pelo Operário, levando a equipe de Campo Grande
às semifinais dessa competição.
No Coritiba, foi campeão paranaense em 1978.
Concluindo sua trajetória no Brasil, ele defendeu o Grêmio, de Porto Alegre e voltou a ganhar mais um título, o de campeão gaúcho de 1979.
Dois anos depois, Manga sagrou-se campeão no equatoriano Barcelona, de Guayaquil, encerrando a carreira em 1982, aos 45 anos. E passou a trabalhar por lá na função de treinador de goleiro, indo depois para Miami, nos Estados Unidos, onde trabalharia em escolinhas de futebol, aposentou-se e passou a viver tranqüilamente em Little Havana, em Miami, na Flórida.
Eleito o melhor goleiro do Botafogo e do Internacional em todos os tempos, segundo pesquisa realizada pela revista esportiva Placar, entre jornalistas, dirigentes, jogadores e torcedores, no ano de 1982.
Sua performance fez Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol, confessar: "Foi o melhor goleiro que passou pelo Botafogo desde que me conheço por gente". E é possível que Garrincha, Didi e Amarildo, outros artistas e ídolos do alvinegro, pensassem o mesmo do goleiro, a quem chamavam carinhosamente de Manguinha.
Mas, viciado e perdedor no baralho, Manga tomava empréstimos para cobrir dívida da jogatina. E depois pedia mais dinheiro ao clube. Para o jornalista João Saldanha, tal penúria expunha seu frágil caráter - e, adiante, isso seria o estopim da desavença entre eles.
Embora instável, Manga - pelo que fez no Botafogo e na seleção brasileira - cativava a todos. O seu porte físico e o arrojo impunham respeito, e era admirado pela elegância.
Há estudiosos do futebol que o vêem como o melhor goleiro nacional de todos os tempos.
No dia 1º de maio de 2010, Manga saiu de Guayaquil, onde estava vivendo e mantinha uma escolinha de goleiros, contratado pelo Internacional, de Porto Alegre, com o objetivo de suprir a carência na formação de novos goleiros, colaborando na preparação de goleiros das categorias de base do clube, além de participar de festas do Internacional no interior do Estado e pelo País.
Manga também tinha três irmãos boleiros: Manguito, Dedé e Alemão, que se destacaram no futebol pernambucano. O último, inclusive, era zagueiro central e atuou no América, do Rio de Janeiro, sendo bom batedor de faltas e pênaltis. Dedé brilhou no Sport Club do Recife.

sábado, 11 de agosto de 2012

JOGADORES QUE ATUARAM, QUANTIDADE DE JOGOS E GOLS MARCADOS NO CAMPEONATO CARIOCA DE 1961

JOGADOR
JOGOS
GOLS
ADEMAR
5

AMARILDO
25
18
AMOROSO
12
8
AUGUSTO MACARRÃO
1

AYRTON
20
1
CACÁ
11

CHICÃO
17
1
CHINA
8
6
DIDI
23
7
ÉDSON
3

GARRINCHA
21
6
MANGA
25

NEIVALDO
12
3
NILTON SANTOS
23

PAMPOLINI
5
1
PAULISTINHA
2

RILDO
16

TIÃO MACALÉ
2

ZAGALO
21
2
ZÉ MARIA
25

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

ENQUETES & PESQUISAS: O TIME DO SÉCULO

Em 1999, a convite da edição especial da revista Lance “Série Grandes Clubes”, jogadores e técnicos que já defenderam as cores do Botafogo, jornalistas, artistas ou simples torcedores, num total de trinta, elegeram o TIME DO SÉCULO do Botafogo.
Eis os escolhidos:
Goleiro: Manga, 27 votos (outros mais votados: Zé Carlos, 2, e Wagner, 1)
Lateral-Direito: Carlos Alberto Torres, 21 (outros: Joel Martins e Josimar, 2, e Cacá, 1)
Zagueiros: Leônidas, 16 (outros: Basso e Brito, 6, e Zé Carlos, 2) e Nilton Santos, 26 (outros: Mauro Galvão, 7, Nariz, 2 e Negrinhão, 1)
Lateral-Esquerdo: Marinho Chagas, 11 (outros: Rildo, 4 e Canalli, 1)
Meio-de-campo: Gérson, 28 (Pampolini e Martim, 1), Didi, 26 (Carlos Roberto, 3 e Tovar, 1) e Paulo César Lima, 17 (Zagalo, 8, Mendonça e Patesko, 1)
Atacantes: Garrincha, 27 (Rogério, Paraguaio e Bebeto, 1), Amarildo, 12 (Quarentinha e Túlio, 4, e Amoroso, 1) e Jairzinho, 22 (Heleno de Freitas, 5, Roberto, 4 e Paulo Valentim, 1).
Técnico: Zagalo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

AS DECISÕES: O CAMPEONATO CARIOCA DE 1948


A imprensa não acreditava e poucas pessoas esperavam a sensacional vitória do Botafogo sobre o Vasco da Gama, no dia 12 de dezembro de 1948, no Estádio General Severiano, na decisão do campeonato carioca daquele ano.
Através de enquetes, entrevistas, bate-papos e outros meios utilizados pelo noticiário dos jornais na semana anterior ao jogo, verificava-se que mesmo os torcedores do Botafogo encontravam-se receiosos do poderio vascaíno. No máximo encontrava-se um outro mais arrojado que declarava o Botafogo ser mais perigoso no segundo tempo, pois possuidor de uma forma física excepcional, não se abateria nos quarenta e cinco minutos do período derradeiro, principalmente já por estar habituando as famosas viradas, reações prodigiosas que por duas vezes, uma contra o Olaria e outra contra o Flamengo, o público teve ocasião de assistir.
Esperava-se, portanto, um Botafogo cauteloso a se desvencilhar de um Vasco da Gama agressivo, guardando energias para o final, ou então, procurando da melhor forma possível tirar proveito das falhas dos comandados de Flávio Costa. Isso na melhor das hipóteses, pois na realidade, era crença geral de que o Vasco da Gama entraria em campo dominando totalmente o Botafogo, sem se aperceber de suas qualidades e conquistando, desta forma, um ambicionado bicampeonato.
Mas o que se sucedeu, ultrapassou a todas as expectativas. Ao invés de um Vasco da Gama agressivo, viu-se foi um Vasco da Gama cauteloso, defensivo, enquanto por sua vez o Botafogo era uma chama de entusiasmo distribuída por onze homens dispostos a arrasar o adversário logo de saída. Não dava a impressão que o Botafogo estava enfrentando o Vasco da Gama, tal o desembaraço com que os pupilos de Zezé Moreira levavam o jogo.
O primeiro gol do Botafogo, com menos de dois minutos de bola correndo, nasceu de um centro do ponteiro-esquerdo Braguinha, depois de dominá-lo na corrida ao receber um magnífico passe de Pirilo. Cruzada a bola para trás, Paraguaio entrou de cabeça para inaugurar o marcador.
Com o Botafogo jogando espetacularmente, com a defesa e o ataque numa das suas tardes mais felizes, o Vasco da Gama não parecia estar ainda derrotado. Nem mesmo com a conquista do segundo tento do Botafogo (de parceria desta feita entre Pirilo e Braguinha; Pirilo marcaria o tento, mas Braguinha entrando no lance, antes da bola alcançar a linha do gol, entrou com bola e tudo na ânsia de ampliar o escore), dava essa impressão, pois ainda esperava-se que ao ter início o segundo período os vascaínos reagissem e o jogo viesse ainda a acabar empatado. Ninguém ignorava o verdadeiro valor do conjunto vascaíno que, mesmo perdendo, mesmo jogando mal, ainda sobressaía-se tal era o número elevado de seus valores.
Mas o clube vascaíno regressou ao gramado com pouco entusiasmo. A tarde era mesmo do Botafogo. Quando, então, Octávio conquistou o terceiro tento, com cinco minutos de jogo, todos passaram a acreditar na vitória final. Nem mesmo o gol contra, de Ávila, conseguiu animar os cruzmaltinos.
Ainda que com dez elementos em campo, pois Gerson dos Santos não resistiu ao esforço feito e teve que abandonar o campo, passando o ponteiro Paraguaio a atuar de zagueiro.
E foi esse mesmo Paraguaio que participou de um lance primordial, lance que poderia colocar fogo no jogo. Uma bola chutada por Ipojucan ia diretamente ao gol, tendo passado por Osvaldo Baliza que não a alcançou. Quando parecia certo o segundo tento do Vasco da Gama, aparece a cabeça de Paraguaio desviando a bola para fora.
O Botafogo foi senhor absoluto do gramado. Ao Vasco da Gama restou esperar pelo final de jogo, reconhecendo a superioridade do Botafogo. O que não tardou, pois finalmente Mário Vianna trilou o apito dando por encerrada uma das mais curiosas e surpreendentes partidas de futebol do último tempo.
Deixamos para falar no final, do quadro do Botafogo, o herói deste campeonato, conjunto que no início do ano era olhado como um dos mais fracos pretendentes ao honroso título. É o mesmo quadro que alguns entendidos olhavam como fraco para a campanha, mas que Carlito Rocha soube demonstrar que só faltava para completar o seu poderio, um técnico brasileiro sem cartaz, gemada todos os dias e... um cachorro dos mais vira-latas e que atende pela alcunha de Biriba!
Não deveríamos destacar um jogador botafoguense mais do que o outro, pois a verdade é que todos cumpriram bem os seus papéis.
Ainda assim, façamos uma apreciação geral dos elementos que atuaram na decisão do campeonato.
De Osvaldo Baliza não se pode dizer muita coisa. Não teve oportunidade de demonstrar a sua forma, pois saldo dois chutes e assim mesmo dos mais fracos de Friaça, não o vimos intervir em jogada alguma.
Quanto aos zagueiros, cumpre ressaltar Nilton Santos, que sem um jogo espetacular, desempenhou bem a sua função de marcador e rebatedor. Gerson dos Santos, enquanto esteve em campo, foi utilíssimo, apesar de todos saberem as suas precárias condições físicas.
Na linha média, Juvenal destacou-se dos demais. Foi uma figura impressionante no gramado, podendo-se dizer sem medo de errar que jogou uma das maiores partidas de sua carreira futebolística. Mesmo marcando um gol contra contra, Ávila se agigantou no gramado. Outro que jogou muito bem foi Rubinho, que apagou por completo a atuação de Chico, o que por si só diz tudo.
No ataque também não houve pontos baixos. Braguinha, muito vivo e correndo sempre, mesmo nos derradeiros minutos. O veterano Geninho ainda mais uma vez não decepcionou os seus admiradores. Jogou muito o atacante mineiro que parece ter recuperado a juventude.
Quanto a Pirilo, é necessário que se assinale mais do que uma boa atuação. Um jogador que foi desprezado pelo Flamengo como decadente e inútil, e que consegue recuperar a sua forma antiga, é difícil de apreciar no futebol. Mas a verdade é que Pirilo foi incansável, sendo o arquiteto dos ataques, não se deixando marcar nunca, deslocando-se com grande desembaraço e agilidade.
Octávio, o mesmo de sempre, isto é, ótimo. Seu gol valeu a tarde de domingo.
Finalmente, Paraguaio, o preferido da torcida botafoguense, parece já se ter firmado como o melhor extrema direita da cidade. Tanto como atacante, como substituindo Gerson dos Santos, brilhou o excelente ponteiro alvinegro.

BOTAFOGO 3 x 1 VASCO DA GAMA
Data: 12 de dezembro de 1948
Local: Estádio General Severiano, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Mário Gonçalves Vianna
Renda: Cr$ 570.000,00
Gols: Paraguaio, 2; Braguinha, 40; Octávio, 50 e Ávila (contra), 52.
BOTAFOGO: Oswaldo Baliza, Gerson dos Santos e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, Pirilo, Octávio e Braguinha. Técnico: Zezé Moreira.
VASCO DA GAMA: Barbosa, Augusto e Wilson; Eli, Danilo e Jorge; Friaça, Ademir Menezes, Dimas, Ipojucan e Chico. Técnico: Flávio Costa.
Obs.: Aos quinze minutos da etapa complementar, o zagueiro Gerson dos Santos, ao disputar uma bola alta com Dimas, sofreu uma queda que resultou no seu afastamento de campo. O ponteiro Paraguaio foi jogar no seu lugar.

Fontes: Correio da Manhã, Diário Carioca e A Noite.