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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A PRIMEIRA VEZ A GENTE NÃO ESQUECE: A ESTRÉIA DE QUARENTINHA NO BOTAFOGO

O Botafogo estava precisando de uma vitória como a conseguida no dia 26 de junho de 1954, em jogo válido pelo Torneio Rio-São Paulo. Na verdade os alvinegros desde muito vinham merecendo, apesar de opiniões em contrário, sorte melhor.
Seja como for, o que se viu no jogo de sábado foi uma equipe bem armada, valente, composta dos mesmos jogadores que sempre pertenceram ao plantel com uma única exceção, que foi, justamente, Quarentinha, estreante.
E ninguém poderia dizer que foi esse jogador o responsável pelo triunfo, muito embora ele tenha atuado muito bem.
E para os que costumam ver no técnico o responsável por tudo que acontece de mal ao clube, principalmente nos dias de derrota, essa vitória deve ter sido bastante amarga, porque veio mostrar, antes de mais nada, que Gentil Cardoso tem cabeça e sabe usá-la, que tem visão e conhece o jogador sabendo se ele é bom ou não.
O encontro bem merecia um público mais numeroso, principalmente porque o Botafogo apresentou bom futebol, fazendo, mesmo, reviver o esquadrão dos melhores dias do campeonato passado, apesar da falta sensível que Nilton Santos ainda faz ao time.
O São Paulo bem que ensaiou alguns ataques à meta do Botafogo, mas encontrou em Gilson uma barreira intransponível, um arqueiro perfeitamente recuperado e disposto a manter o zero no marcador.
Aos 12 minutos, surgiu o primeiro gol do Botafogo. A jogada nasceu nos pés de Garrincha, que esticou para Carlyle, na entrada da grande área. Sem perda de tempo, Carlyle serviu a Dino da Costa, com um passe curto para o centro. Dino da Costa teve tempo suficiente para preparar o chute, escolher o canto e deixar o goleiro Poy sem ação.
A partir deste lance, o Botafogo se animou e tentou aumentar o placar, mas os jogadores do São Paulo se defendiam com bravura e contra-atacavam seguidamente numa reação que só não foi coroada de êxito porque o trio final alvinegro demonstrou um espírito de luta notável e foi crescendo à medida que o tempo se esgotava.
Aos 31 minutos, o Botafogo faz cerrada carga sobre a meta de Poy. Cabe a Carlyle atirar para o gol, com o goleiro caído e dois defensores esperavam o tiro de misericórdia. Carlyle quis colocar e atirou muito fraco contra as redes. De Sordi salva, Carlyle torna a chutar e Poy rebate. A bola acaba sobrando sobrando para Neyvaldo, na extrema, que completamente desmarcado cruzou para a área, indo a bola ao encontro de Dino da Costa que, com um tiro seco e forte assinala o segundo tento para os seus.
O Botafogo não dá trégua ao São Paulo. Aos quarenta minutos cabe ao estreante Quarentinha demonstrar, mais uma vez no decorrer da partida, que a sua aquisição foi das mais acertadas. Estava o Botafogo inteiro no ataque e Dino da Costa atira violentamente contra a trave. A bola volta para a risca que marca a grande área e Quarentinha a recupera e tenta driblar um marcador, mas ainda assim insiste e consegue recuperar a bola. Então, numa virada sensacional atira contra o arco inesperadamente. A bola choca-se com violência contra o travessão e bate na mão de Poy antes de voltar à pequena área, onde Carlyle, bem colocado, emenda de primeira marcando o terceiro tento para o Botafogo.
Pouco depois terminou a primeira etapa com o Botafogo apresentando um futebol muito superior.
Os primeiros vinte minutos do segundo tempo mostraram um São Paulo disposto a recuperar o terreno perdido. Mas a defesa botafoguense, com Gerson dos Santos jogando muito bem e orientando, com sua experiência, os mais novos, era um obstáculo difícil de ser ultrapassado.
Por intermédio de Canhoteiro, o São Paulo conseguiu escapar. Frente à frente com o arqueiro botafoguense, Canhoteiro atirou com violência. Gilson recebeu o chute em pleno rosto e caiu inconsciente. Alguns segundos depois, quando o perigo ainda era grande dentro da área, foi com surpresa que se viu Gilson, evidentemente movido pelo seu subconsciente, erguer-se do solo e correr para o gol. E ali permaneceu por mais alguns segundos, até que a bola foi chutada para fora e o perigo completamente afastado. Então, Gilson tornou a cair, novamente inconsciente.
Gilson tentou recuperar-se e permanecer no arco, mas era impossível continuar. Pouco depois, Pianowsky o substituiu e o jogo transcorreu sem outra anormalidade até que Dino da Costa e De Sordi, trocando pontapés, foram expulsos pelo árbitro Juan Carlos Armenthal.
Aos 32 minutos, Paulinho recebe na pequena área, completamente abandonado pelos marcadores. Entra entre dois zagueiros e atira, com força, para o gol, a dois passos da linha. A bola bate na trave superior, quica no chão onde o goleiro Poy estava caído, voltando ao travessão e acaba morrendo nas redes. Era o quarto gol alvinegro.
O quinto veio aos trinta e oito minutos, de pênalti, praticado por Nilo em Garrincha e cobrado por Quarentinha que teve, assim, nova ocasião de evidenciar qualidades. Só que desta vez mostrando-se dono de um autêntico canhão.
Pouco tempo depois Carlyle é expulso de campo ao dirigir palavras pouco amáveis a um adversário. Dois minutos depois surgiu o tento de honra do São Paulo, marcado por Dino, com um tiro cruzado, que Pianowsky não pôde evitar.
As equipes atuaram com as seguintes constituições:
BOTAFOGO: Gilson (Pianowsky), Gerson dos Santos e Bulau; Bob, Ruarinho e Juvenal; Garrincha, Dino da Costa, Carlyle, Quarentinha e Neyvaldo (Paulinho).
SÃO PAULO: Poy, Clélio e De Sordi; Pé de Valsa, Vítor e Turcão; Haroldo (Nilo), Marucci (Lanzoninho), Rodrigo (Aldo), Gino e Canhoteiro. Técnico: Jim Lopes.
A renda foi de Cr$ 65.017,60.

Fonte: Última Hora.

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