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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

JOGOS INESQUECÍVEIS: A ESTRÉIA DE GARRINCHA



Segundo o jornal A Noite “não foi um grande espetáculo o que ofereceram os quadros do Botafogo e do Bonsucesso na peleja travada na tarde de 19 de julho de 1953, no estádio General Severiano”.
No entanto, valeu o prélio pela movimentação, pela combatividade que sempre caracterizou as jogadas e sobretudo pelas peripécias desconcertantes que culminaram com a goleada de 6 x 3 imposta ao modesto mas lutador quadro leopoldinense.
A partida, até os primeiros quinze minutos do segundo período, esteve indefinida. Basta dizer que, até então, vencia o Bonsucesso por 2 x 1 e, apesar da pressão fortíssima que fazia o alvinegro, resistiam os leopoldinenses.
Depois do empate foi que o Botafogo acertou o caminho da vitória. E do empate à goleada final de 6 x 3 foi apenas um salto. Foi liquidado o Bonsucesso sem maiores delongas: consequência lógica que os rubro-anis teimavam em não querer acreditar. Foi em peso o Botafogo para a frente e aí se verificou a seqüência de tentos que obrigaram ao arqueiro Ari buscar a bola nas redes.
O Botafogo, apesar da goleada imposta ao time orientado por Pirilo, seu ex-defensor, não chegou a corresponder inteiramente. Tanto houve cochilos na defesa como se verificou, até o início da arrancada para a goleada, deficiência na coordenação da ofensiva. Valeu, entretanto, como nota favorável o espírito de luta que, afinal, pôde proporcionar o resultado tão expressivo. Nilton Santos e Arati, na defesa, Garrincha, Geninho e Vinícius, no ataque, os mais eficientes do grupo vencedor.
Aos quatro minutos de jogo, verificou-se uma falta de Bob em Soca. Simões cobrou colocadamente e depois de tocar a bola em Nilton Santos foi às redes. Era o primeiro gol do Bonsucesso.
Aos 9 minutos, Garrincha cobrou um escanteio para o Botafogo e Vinícius, de cabeça, mandou sensacionalmente a bola para dentro da meta leopoldinense, empatando a peleja.
Dois minutos depois, Ariosto marcou um tento que o árbitro anulou por impedimento.
Aos 30 minutos, Gerson dos Santos concedeu corner. Benedito cobrou e Lino, recebendo, atirou para marcar o segundo tento do Bonsucesso.
Logo depois, é assinalado outro gol do Botafogo, de autoria de Garrincha, também anulado por impedimento.
Com a vantagem de 2 x 1 favorável ao Bonsucesso, encerrou-se o primeiro período.
Aos 14 minutos do segundo tempo o jogador do Bonsucesso, Urubatão, cometeu pênalti em Vinícius. Garrincha cobrou e marcou o segundo tento do Botafogo.
Aos 29 minutos, o Botafogo atacou. Ariosto recebeu de Nilton Santos e cedeu a Dino da Costa, que colocou a bola nas redes do Bonsucesso pela terceira vez.
Aos 30, Garrincha cobrou uma falta do limite da área e venceu o arqueiro Ari, assinalando o quarto tento do Botafogo.
Aos 32, Garrincha escapa pela direita, cede a Ariosto e este passa a Dino da Costa que venceu novamente a meta do Bonsucesso. Era o quinto tento do Botafogo.
Aos 36, Benedito, com um tiro longo, marcou o terceiro gol do Bonsucesso.
Aos 47 minutos, Garrincha recebeu de Geninho, invadiu a área e marcou o sexto e último gol do Botafogo.
Estava decretada a vitória do alvinegro através de uma goleada, depois de terem passado por um susto tremendo os torcedores do campeão de 1948.

GARRINCHA, A SENSAÇÃO DA PARTIDA E O ARTILHEIRO

Uma das notas de relevo desse prélio que mexeu com os nervos dos torcedores foi a estréia do jovem e já tão falado ponteiro direito Garrincha. A começar pelo seu andar desajeitado e torto, o novo dianteiro alvinegro tornou-se figura central. E conseguiu maior projeção ainda por ter sido o artilheiro da tarde, com três tentos, sendo um de cobrança de pênalti, muito bem executada.
Garrincha não é um craque, ainda. Tem muito que aprender e se aperfeiçoar. Mas é indiscutível que possui qualidades para vencer em nosso futebol. A sua amostra, ontem, foi excelente. É lutador, impetuoso e tem visão de gol. Foi, enfim, um feliz lançamento feito pelo Botafogo.

O “Correio da Manhã” destacou:
“Botafogo, depois de experimentar sensações pouco agradáveis, acabou derrotando o Bonsucesso com categoria por 6 x 3, fazendo estrear o ponteiro Gualicho de maneira convincente”.

A “Gazeta de Notícias” afirma: “Flamengo, Botafogo e Bangu venceram com categoria”. Quando relaciona os gols do Botafogo também informa Gualicho.

Já o “Diário de Notícias” preferiu dar outro tipo de destaque. Vejamos:
“O vento foi o maior adversário encontrado pelos conjuntos do Botafogo e do Bonsucesso, em General Severiano. Os locais, no primeiro tempo, lutaram infrutiferamente contra esse elemento da natureza, sendo mesmo traídos, baqueando nessa etapa por 2 x 1. No período final, explorando bem a situação que o prejudicara no primeiro tempo, o Botafogo foi de “vento em popa” e acabou por subjugar decididamente o Bonsucesso”.
Relaciona o jogador “Garricho” na ponta-direita do Botafogo e, na anotação dos gols, “Garrido”.

As equipes formaram assim:
BOTAFOGO: Gilson, Gerson dos Santos e Nilton Santos; Arati, Bob e Juvenal; Garrincha, Geninho, Dino da Costa, Ariosto e Vinícius. Técnico: Gentil Cardoso.
BONSUCESSO: Ari, Duarte e Mauro; Urubatão, Décio e Serafim; Lino, Wilson, Simões, Soca e Benedito. Técnico: Pirilo.

Sobre a atuação do árbitro, Erick Westman, o ponto comum foi que ele não atuou bem.
Disse “A Noite”: “Atuação sofrível. Falhou outra vez na repressão ao jogo violento, deixando-se envolver pelos jogadores. Também falhou em várias marcações técnicas.
A arrecadação foi de Cr$ 68.577,40.

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