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quarta-feira, 18 de julho de 2012

A PRIMEIRA VEZ: A ESTRÉIA DE HELENO DE FREITAS


Na noite de ontem, 17 de julho, na Livraria Cultura, do Casa Park, aqui em Brasília, fui ao lançamento da nova edição do livro “Nunca Houve Um Homem Como Heleno”, de Marcos Eduardo Mendes. Aproveitei e também comprei o DVD “Heleno”.
Como disse o autor do livro, este é um daqueles livros que você começa a ler e não quer mais parar. Ainda ontem foram várias páginas “devoradas”.
Por curiosidade, fui até o sumário de jogos e gols. Assim como foi sua vida, com final trágico, sua estréia no Botafogo foi uma tragédia.
Recorri a alguns jornais do dia seguinte ao do jogo para saber o que falaram dele.
O jogo ocorreu em 21 de dezembro de 1939, no estádio de São Januário, no Rio de Janeiro. O resultado foi uma goleada de 5 x 1 a favor do clube argentino San Lorenzo, que realizava excursão pelo Brasil.
Os dois times entraram em campo com as seguintes formações:
BOTAFOGO: Aymoré, Graham Bell e Nariz; Zezé Procópio, Zezé Moreira e Canalli; Álvaro, Heleno de Freitas, Carvalho Leite, Perácio e Patesko.
SAN LORENZO: Gualco, Tersolo e González; Zubieta, Farias e Colombo; Fattoni, Waldemar de Brito, Langara, Ballesteros e Nuñez.
Segundo o Jornal do Brasil, “O jogo transcorreu francamente favorável ao San Lorenzo, cujo quadro movimentou-se com regular precisão, pondo em prática os seus jogadores um jogo bem controlado. Os argentinos atacaram muito maior número de vezes e com muito melhor visão do arco”.
Continua: “O quadro do Botafogo, neste tempo, atuou abaixo de qualquer crítica, não parecendo absolutamente o mesmo quadro que vimos no campeonato”.

“Houve como que uma desarticulação geral de todos os seus elementos. Em seu aspecto geral a partida não agradou, justamente pela diversidade de atuação dos dois adversários”.
“Alguns jogadores do Botafogo entregaram-se a condenáveis excessos de jogo “pesado” e os argentinos disso se aproveitaram, em vez de se amedrontarem.
É justo salientar, no quadro do San Lorenzo, o ótimo jogo de Langara, Fattoni, Nuñez, Zubieta, Valdemar e Farias.
Do Botafogo, apenas Nariz, Graham Bell, Patesko e Carvalho Leite salvaram-se”.
Detalhe: Martim substituiu Heleno de Freitas aos 30 minutos de jogo, quando o placar ainda estava em 0 x 0.

O Imparcial disse: “O Botafogo jogou mal, principalmente quando viu presente a sua derrota. Somente Nariz, Graham Bell, Canalli e Patesko jogaram com técnica.
Além da sua substituição, a única menção do jornal a Heleno foi a seguinte: “Gualco, aos seis minutos de jogo, se machuca, ao defender uma bola de Heleno”.

A Noite falou ainda menos da estréia de Heleno: “Aliás, todo o quadro do Botafogo, com exceção de Patesko, Graham Bell e Perácio (este sem chutar) falhou...
A indiferença veio no seguinte texto: “Aos 32 minutos de jogo, o Botafogo faz a segunda substituição: entra Martim na meia direita” (nota: ou seja, no lugar de Heleno!).

Com a manchete “Esmagadora Vitória do San Lorenzo sobre o Botafogo”, a Folha da Noite, de São Paulo, praticamente faz os mesmos comentários sobre o jogo. Diz: “O Botafogo, embora procurasse se antepor ao valoroso quadro portenho, não teve atuação digna de louvores. Seus homens, na maioria, lançavam mão de jogadas brutas para conter a técnica adversária”.
“Apenas Nariz salientou-se na equipe alvinegra, trabalhando para evitar a queda por mais vezes do posto guardado por Humberto (que substituiu o titular Aymoré, contundido logo no início do jogo), que esteve abaixo da crítica”.
Termina dizendo “Martim substituiu Heleno, que nada produziu de aproveitável”.

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