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domingo, 13 de junho de 2010

JOGOS INESQUECÍVEIS (3)

O TIME DE RESERVAS QUE VENCEU O SUPERTIME DO FLAMENGO

No campeonato carioca de 1997, o Botafogo venceu o primeiro turno (Taça Guanabara) de forma invicta (12 jogos e 12 vitórias). Para coroar essa bela campanha, o Glorioso conseguiu um feito inacreditável.
No dia 26 de março, com um time formado inteiramente por reservas, o Botafogo derrotou o Flamengo por 1 x 0, no Maracanã, e qualificou-se para decidir o título do primeiro turno com o Vasco da Gama (que acabaria vencendo por 1 x 0).
O gol foi marcado por Renato, o que nem os botafoguenses se lembravam de estar por lá. A freqüência dos torcedores na arquibancada mostrou bem o que se esperava dos dois times. Pelo lado do Flamengo estavam lá uns 15 mil apaixonados, enquanto pelo lado do Botafogo o coro não passava de duas mil vozes. Eram poucos e confiantes. Quando a bola rolou a confiança aumentou.
Havia um Botafogo bem armado – dirigido à beira do campo pelo assistente-técnico Valinhos – e um Flamengo completamente perdido em campo. Apático, o time rubro-negro assistia a evolução do Botafogo. A bola ia da direita para a esquerda com incrível facilidade. Tanto espaço levou o Botafogo a marcar seu gol aos 25 minutos do primeiro tempo. Serginho tocou para Renato, que de fora da área mandou a bola no ângulo direito de Fábio Noronha.




O gol fez o Flamengo sair da apatia para a intranqüilidade. O time errava seguidamente passes e para culminar Mancuso, num gesto infantil e não compatível com um jogador de sua experiência, deu uma cotovelada em Zé Carlos. Como tinha sido advertido com cartão amarelo antes – ofendera o árbitro Ubiraci Damásio – foi punido com o vermelho.
Todos esperavam que no segundo tempo o Flamengo viesse mais determinado – o empate já bastaria para estar na final. Mas o time permaneceu confuso, com os laterais sem saber o que fazer e o Botafogo, apesar do cansaço da maioria dos jogadores, não se via ameaçado.
Tanto que a melhor oportunidade do time da Gávea só surgiu aos 44 minutos. Romário entrou na área e chutou rente a trave direita de Alex. Passada esta oportunidade, a torcida do Flamengo começou a se desesperar ainda mais. Os gritos de incentivo foram substituídos pelas vaias. Irritados, os torcedores não perdoavam a apatia do time que diante de uma equipe formada inteiramente por reservas não conseguiu ameaçar nem uma vez sequer. Já para o Botafogo, a vitória além de ter um sabor especial pelo fato de ser sobre um arquirival, deu ao time 100% de aproveitamento. Foram 11 jogos e 11 vitórias, campanha inédita para qualquer time.
Eis a súmula desse jogo:
BOTAFOGO 1 x 0 FLAMENGO
Data: 26 de março de 1997
Local: Maracanã
Árbitro: Ubiraci Damásio
Renda: Cr$ 176.560,00
Público pagante: 17.024
Gol: Renato, 25.
Cartões amarelos: Serginho, Fábio Baiano, Renato, Alemão, Mancuso, Robson, Zé Carlos, Fabiano e Alex.
Cartões vermelhos: Mancuso e Renato.
BOTAFOGO: Alex, Bruno Carvalho (Arcelino), Grotto, Marcelo Augusto e Alexandre Seixas; Alemão, França, Renato e Zé Carlos (Sidclei); Robson (Clayton) e Serginho. Técnico: Valinhos.
FLAMENGO: Fábio Noronha, Fábio Baiano, Junior Baiano, Fabiano e Athirson (Leonardo); Bruno Quadros, Mancuso, Iranildo (Marco Aurélio) e Lúcio (Maurinho); Romário e Sávio. Técnico: Junior.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A ESTRÉIA DE HELENO DE FREITAS NO BOTAFOGO

Realizou-se na noite de 21 de dezembro de 1939, no Estádio de São Januário, de propriedade do C. R. Vasco da Gama, a partida internacional entre o San Lorenzo de Almagro, da Argentina, e o Botafogo F. C., do Rio de Janeiro.
A assistência que compareceu ao local foi apenas regular.
E de forma melancólica Heleno de Freitas fez sua estréia no time principal do Botafogo. Atuou na meia-direita, para logo ser substituído. Um fiasco.
Essa estréia amarga, em um compromisso internacional, foi um salutar batismo de fogo. Atingido em sua segurança, salvou-se pelo amor próprio. O revés, porém, em nada afetou a posição alcançada junto aos dirigentes. Pelo contrário, os veteranos é que foram responsabilizados pela fragorosa derrota.
O jogo transcorreu francamente favorável ao San Lorenzo, cujo quadro movimentou-se com regular precisão, pondo em prática os seus jogadores um jogo bem controlado.
Os argentinos atacaram muito maior número de vezes e com muito melhor visão do arco.
O quadro do Botafogo atuou abaixo da crítica, não parecendo absolutamente o mesmo quadro que disputou tão bem o campeonato carioca daquele ano, quando alcançou o vice-campeonato. Nem mesmo os seus pontos altos, a ala esquerda e a linha média, fizeram qualquer coisa de apreciável.
Houve como que uma desarticulação geral de todos os seus elementos.
Em seu aspecto geral a partida não agradou, justamente pela diversidade de atuação dos dois adversários.
Alguns jogadores do Botafogo entregaram-se a condenáveis excessos de jogo “pesado” e os argentinos disso se aproveitaram, em vez de se amendrontarem.
O San Lorenzo alcançou um triunfo nítido, insofismável, pois atuou sempre muito melhor que o adversário, que, só no final conseguiu equilibrar as ações.
Os dois times formaram com as seguintes organizações:
BOTAFOGO: Aymoré Moreira, Graham Bell e Nariz; Zezé Procópio, Zezé Moreira e Canalli; Álvaro, Heleno de Freitas, Carvalho Leite, Perácio e Patesko.
SAN LORENZO: Gualco, Tersolo e González; Zubieta, Farias e Colombo; Fattoni, Valdemar, Langara, Ballesteros e Nuñez.
Humberto substituiu Aymoré Moreira aos 15 minutos de jogo.
Martim substituiu Heleno de Freitas aos 30 minutos de jogo.
No segundo tempo, no início, César substituiu Martim.
Aos 25 minutos, Brettini substituiu Valdemar.

OS GOLS

Aos 35 minutos de jogo, Canalli faz uma falta perto da área. Fattoni bate muito bem e Langara, com magistral cabeçada, aninha a bola no centro da meta, anulando qualquer ação de Humberto.
Aos 40 minutos, em um ataque bem organizado, Fattoni produz ótimo centro e novamente Langara, com forte cabeçada e contando com a falha do goleiro Humberto, assinala o segundo gol argentino.
O primeiro tempo terminou com o placar de 2 x 0 a favor do San Lorenzo.
No segundo tempo, aos 15 minutos de jogo, Nariz falha e Langara marca pela terceira vez, com arremesso de pé esquerdo.
Um minuto após, em um bom ataque, Álvaro consegue centrar, César entra firme e marca o gol do Botafogo.
Aos 25 minutos do segundo tempo, Brettini arremessou de longe. Humberto atrapalhou-se e deixou que a bola fosse inesperadamente às redes, sendo assim marcado o quarto gol do San Lorenzo.
No último minuto de jogo, Langara ainda consegue marcar, após uma série de passes, o quinto gol do San Lorenzo, com um arremesso de meia altura.
O jogo finalizou, pois, com a vitória do San Lorenzo, por 5 x 1.

O ÁRBITRO

O árbitro argentino Eduardo Forte teve ótima atuação. Foi justo, imparcial e marcou com precisão os “hands” e “off-sides”.

FONTES:
JORNAL DO BRASIL
O HOMEM QUE SONHOU COM A COPA DO MUNDO, de Carlos Rangel, 1970.