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quarta-feira, 28 de abril de 2010

CURIOSIDADES ALVINEGRAS (1)

QUAL A FAMA DO CLUBE?

A superstição parece ser uma marca registrada do Botafogo. A partir da frase "há coisas que só acontecem ao Botafogo", tudo é permitido em General Severiano.
As histórias ganharam corpo a partir de Carlito Rocha e do roupeiro Aloísio (que amarravam as cortinas da sede em dias de jogo), derrotaram o incrédulo João Saldanha e prosseguiram nos dias atuais.
Em 1962, no clima tropical do Rio de Janeiro, o Botafogo jogou todo o Campeonato Carioca usando camisas de mangas compridas, sob a alegação (dizem que de Aloísio) de que "a coisa vinha regulando...".
Uma das mais antigas superstições alvinegras é a de sempre ter um ex-jogador do Flamengo para chegar ao título de campeão carioca. Foi assim em 1948 (Pirilo), 1957 (Servílio), 1961 (Dequinha), 1962 (Jadir), 1967 (Gérson), 1968 (Zequinha), 1989 (Vítor) e 1997 (Ailton).
Mas nenhuma superou a do mascote Biriba, em 1948. A partir do jogo em que o cachorrinho estreou, na segunda rodada, o Botafogo não mais perdeu e foi campeão.

Fonte: jornal O Dia.

O BOTAFOGO DE TODOS OS TEMPOS (2)

Seleção escolhida em enquete realizada pelo jornal O Dia, do Rio de Janeiro, no ano de 1997 (esquema 4-3-3):

MANGA

CARLOS ALBERTO TORRES
GONÇALVES
LEÔNIDAS
NILTON SANTOS

DIDI
GERSON
PAULO CÉSAR LIMA

GARRINCHA
HELENO DE FREITAS
JAIRZINHO

domingo, 25 de abril de 2010

OS TÍTULOS DO BOTAFOGO (1)

TORNEIO QUADRANGULAR INTERESTADUAL DE 1954

O Estádio do Maracanã foi inaugurado no dia 16 de junho de 1950, com um jogo que reuniu as seleções de novos da Guanabara e de São Paulo.
Somente quatro anos depois, o Botafogo viria a conquistar seu primeiro título no “maior estádio do mundo”.
Também seria o primeiro título de campeão do maior ponteiro-direito de todos os tempos, Garrincha.
Além do Botafogo, disputaram o torneio quadrangular interestadual as equipes do Fluminense, do Rio de Janeiro, Palmeiras, de São Paulo, e Internacional, de Porto Alegre (RS).
O torneio teve início no dia 17 de abril, quando o Botafogo venceu o Palmeiras, pelo placar de 4 x 3. Eis a ficha técnica desse jogo:
BOTAFOGO 4 x 3 PALMEIRAS
Data: 17.04.1954
Local: Maracanã, Rio de Janeiro
Árbitro: Eunápio Gouveia de Queiroz
Renda: Cr$ 172.222,30
Gols: Jayme, 12; Liminha, 20; Berto, 43; Dino da Costa, 65; Jayme, 67; Dino da Costa, 88 e Otávio, 89.
BOTAFOGO: Gílson (Amaury), Araty, Thomé (Orlando Maia) e Floriano; Bob e Ruarinho; Garrincha, Moacyr Vinhas (Paulinho), Dino da Costa, Jayme e Vinícius. Técnico: Gentil Cardoso.
PALMEIRAS: Cavani, Rubens e Juvenal; Waldemar Fiúme (Gérsio), Sarno e Dema (Manoelito); Nei, Liminha, Berto (Otávio), Jair Rosa Pinto e Moacir. Técnico: Cláudio Cardoso.
Fontes: Diário de Notícias e Almanaque do Palmeiras.

No dia seguinte (18), o Fluminense ganhou do Internacional, por 2 x 1, com gols de Telê e Waldo. Canhotinho marcou o gol gaúcho.

O torneio prosseguiu em 21 de abril, quando aconteceu empate em 2 x 2 entre Botafogo e Internacional.
Eis o resumo do jogo:
BOTAFOGO 2 x 2 INTERNACIONAL
Data: 21.04.1954
Local: Maracanã, Rio de Janeiro
Árbitro: Alberto da Gama Malcher
Renda: Cr$ 229.925,20
Gols: Canhotinho, 10; Dino da Costa, 28; Bodinho, 32 e Dino da Costa, 38.
BOTAFOGO: Amaury, Araty, Orlando Maia e Floriano; Bob e Juvenal; Garrincha, Paulinho, Dino da Costa, Jayme e Vinícius (Neyvaldo). Técnico: Gentil Cardoso
INTERNACIONAL: La Paz, Mossoró, Florindo e Oreco; Nélson Adams e Odorico; Sólis, Aírton, Bodinho, Jerônimo e Canhotinho.
Fontes: Diário de Notícias e Jornal do Brasil.

No dia 25 de abril aconteceu o jogo que decidiu o torneio, entre Botafogo e Fluminense.
Mesmo sofrendo um gol muito rápido, através de Waldo, o Botafogo reagiu e virou o marcador para 3 x 1, conquistando o título. Eis a resenha da partida:
BOTAFOGO 3 x 1 FLUMINENSE
Data: 25.04.1954
Local: Maracanã, Rio de Janeiro
Renda: Cr$ 251.189,10
Público: 16.803
Árbitro: Alberto da Gama Malcher
Gols: Waldo, 4; Dino da Costa, 60; Garrincha (de pênalti), 62 e Dino da Costa, 68.
BOTAFOGO: Amaury, Thomé (Araty) e Floriano; Orlando Maia, Bob e Ruarinho; Garrincha, Paulinho, Dino da Costa, Carlyle e Vinícius. Técnico: Gentil Cardoso.
FLUMINENSE: Adalberto, Píndaro e Duque; Jair Santana, Édson e Bigode; Telê, João Carlos, Waldo, Róbson e Esquerdinha. Técnico: Francisco de Souza Ferreira “Gradim”.
Fontes: Diário de Notícias e O Jornal.

Mesmo com o título decidido a favor do Botafogo, ainda houve o jogo Fluminense e Palmeiras, nas Laranjeiras, no dia 28 de abril. Vitória do Fluminense por 2 x 1. João Carlos e Waldo marcaram para o tricolor carioca, descontando Jair Rosa Pinto.
O último jogo do torneio, Palmeiras x Internacional, previsto para o dia 1º de maio, no Pacaembu, não foi realizado, após acordo entre as duas equipes, eis que o torneio já estava decidido a favor do Botafogo.

Colaboração de Pedro Alves Varanda.

RETRATO EM BRANCO E PRETO (1)



CANALLI

Na virada do século 19 para o 20, Affonso Canalli, que era de Milão, e Lucinda Demarchi, natural de Verona, deixaram a Itália para tentar a vida no Brasil. Aqui se casaram e construíram uma família de cinco filhos. Um deles, Heitor Canalli, nasceu em Juiz de Fora (MG), no dia 31 de março de 1910.
Com um mês Canalli deixou Juiz de Fora e foi para Petrópolis, onde sua família se estabeleceu e foi pioneira na fabricação, no Brasil, de móveis de vime.
Mas a tradicional Fábrica de Móveis Canalli não encantava o garoto Heitor, que brilhava era nos campos, primeiro defendendo o Internacional (onde foi campeão da cidade em 1927) e depois o Petropolitano. Sua fama em Petrópolis logo chamou a atenção do Botafogo, do Rio, que subiu a serra para buscar um dos jogadores que mais orgulho sentiram em vestir a camisa alvinegra.
No dia 14 de setembro de 1929, na preliminar de Seleção Carioca 3 x 1 Bologna, da Itália, o Botafogo derrotou um combinado de jogadores da AMEA por 4 x 2, estreando quatro jovens que defendiam as cores do Petropolitano e ainda não tinham o passe e que nos anos seguintes, tornar-se-iam famosos no clube: os irmãos Fernando e Carlos Carvalho Leite, Canalli e Ariel Nogueira.
Em outubro desse ano, viajou com o time do Botafogo para dois amistosos em Vitória (ES).
Em 1930, disputou nove jogos do campeonato carioca dos segundos quadros e quatro pelo primeiro time. Sua estréia oficial e no time titular do Botafogo aconteceu em 9 de novembro de 1930, em jogo válido pelo Campeonato Carioca daquele ano, jogo em que o Botafogo venceu o São Cristóvão, por 3 x 2.
O Botafogo levantou brilhantemente o título de campeão carioca em 1930.
No ano seguinte, 1931, firmou-se como titular do Botafogo, disputando 18 dos 20 jogos que o clube realizou pelo campeonato carioca dos primeiros quadros.
Voltou a ser campeão carioca pelo Botafogo em 1932, quando disputou todos os 22 jogos realizados pelo clube. Nesse mesmo ano, integrou o selecionado brasileiro em dezessete ocasiões, sendo cinco oficiais, a primeira em 4 de dezembro de 1932, na vitória de 2 x 1 sobre o Uruguai, quando colaborou para a conquista da Copa Rio Branco.
No mês de abril de 1933, acompanhou (emprestado) o Flamengo em excursão ao Uruguai e Argentina, tendo disputado quatro jogos nos dias 2, 9, 13 e 15. Além desses amistosos, disputou outro no dia 12 de março, quando o Flamengo foi derrotado pelo São Cristóvão.
De volta ao Botafogo, disputou 9 jogos pelo campeonato carioca dos primeiros quadros, sendo o último em 23 de julho de 1933, na Rua Bariri, onde o Botafogo venceu o Olaria por 3 x 1.
Antes de sagrar-se bicampeão carioca, foi contratado pelo Torino, para disputar o Campeonato Italiano da Série A. Sua estréia aconteceu no dia 10.09.1933, com derrota para o Padova, por 1 x 0. Foi uma passagem rápida pelo clube italiano (9 jogos, nenhum gol). Deixou o clube com medo de ser convocado para o exército italiano, que lutava na Guerra da Abissínia.
De volta ao Brasil, chegou a ser contratado pelo América mas, atendendo a um pedido do Botafogo, aqui fez sua reestréia no dia 18 de março de 1934, num jogo-treino contra o Andaraí (vitória de 4 x 1). Não participou da campanha pelo tricampeonato carioca. Vivia-se o período de transição do amadorismo para o profissionalismo.
Havia duas entidades, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que era filiada à FIFA e defendia o amadorismo, e a Federação Brasileira de Futebol (FBF), que foi fundada com o profissionalismo. Como o Botafogo era o único grande clube filiado à CBD, foi a base da Seleção na Copa da Itália. Na Copa de 1934, o Botafogo foi a base da Seleção Brasileira. Assim, Canalli tornou-se o primeiro mineiro a participar de uma Copa do Mundo.
Nesse ano, Canalli disputou 18 jogos pela Seleção Brasileira, sendo 17 contra clubes e seleções estaduais.
Em 1935, de volta ao Botafogo, disputou 20 dos 22 jogos válidos pelo campeonato carioca, ajudando o clube a conquistar o quarto título consecutivo.
Nesse período de seis anos, de 1930 a 1935, quando foram conquistados cinco títulos cariocas, o Botafogo utilizou 69 jogadores. Canalli foi o quarto jogador a disputar mais jogos (73).
Nesse mesmo ano, também consagrou-se como campeão brasileiro jogando pela Seleção Carioca.
No começo de 1936, viajou com o Botafogo para a primeira excursão que o clube fez ao exterior. Foram nove jogos no México e Estados Unidos. No campeonato carioca daquele ano disputou 10 dos 12 jogos pelo Botafogo.
Sua última participação na Seleção Brasileira aconteceu em 3 de janeiro de 1937, na vitória de 6 x 4 sobre o Chile, marcando um dos gols.
No campeonato carioca do mesmo ano, Canalli disputou 21 do total de 22 jogos. Além desses, disputou mais 6 jogos pelo campeonato da Federação Metropolitana de Desportos (F.M.D.). Esse campeonato não terminou devido à pacificação entre as Ligas: a pirata Liga Carioca de Futebol e a oficial Federação Metropolitana de Desportos, filiada a CBD.
Em 1938, disputou todos os jogos oficiais em que o Botafogo tomou parte. Foram 16 pelo Torneio Municipal e mais 16 pelo campeonato carioca. Marcou um gol no Torneio Municipal. Ainda em 1938, sagrou-se novamente campeão brasileiro jogando pela Seleção Carioca.
No campeonato carioca de 1939, no qual o Botafogo ficou em segundo lugar, Canalli tomou parte de 23 dos 24 jogos disputados pelo clube.
O Botafogo ficou em quarto lugar no campeonato carioca de 1940. Canalli disputou 13 dos 24 jogos e marcou dois gols.
Seu último jogo com a camisa do Botafogo aconteceu em 1º de dezembro de 1940, nas Laranjeiras, com derrota para o Fluminense, por 3 x 1.
No ano seguinte, transferiu-se para o Canto do Rio Futebol Clube, de Niterói, onde encerrou sua carreira.
Não tentou a carreira de treinador.
Faleceu em Juiz de Fora (MG), no dia 21 de julho de 1990.

Fontes:
O Futebol no Botafogo (1904-1950), de Alceu Mendes de Oliveira Castro
Jornal Hoje em Dia

Registro
O vigor e a disposição de Canalli encantavam torcedores e jornalistas da época. Assim, mesmo que não houvesse a briga entre Confederação Brasileira e os clubes de São Paulo, qualquer seleção séria que se montasse no País obrigatoriamente deveria ter seu nome.

sábado, 24 de abril de 2010

JOGOS INESQUECÍVEIS (1)

Tá certo que pretendo colocar nessa seção os grandes jogos do Botafogo, mas resolvi inaugurá-la com esse, pois tem um gostinho especial: afinal de contas, não é todo dia que a Seleção Brasileira goleia a Argentina e tem, entre seus onze titulares, oito jogadores de um time só, o Botafogo.

FONTE: JORNAL DO BRASIL, DE 08.08.1968

BRASIL DÁ DE 4 a 1 NA ARGENTINA COM EXCELENTE EXIBIÇÃO

A seleção do Brasil, representada por jogadores do futebol carioca, venceu a seleção da Argentina por 4 a 1, ontem à noite, no Maracanã, com ótima exibição, principalmente no segundo tempo, quando proporcionou espetáculo extra para a torcida, fazendo rolar a bola de pé em pé durante cinco minutos sem que os adversários a tocassem.
Os gols foram marcados por Valtencir, aos 41 minutos do primeiro tempo, Roberto aos 5 e 32, Jairzinho aos 43 e Basile aos 44 do segundo tempo.
O árbitro foi Armando Marques e a renda somou NCr$ 122.300,75, com 39.365 pagantes.

INÍCIO FRACO

As equipes jogaram assim: Brasil – Félix, Moreira (Murilo), Brito, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gerson; Nado, Roberto (Nei Oliveira), Jairzinho e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo. Argentina – Sanchez, Obberti, Perfumo, Basile e Malbernat; Rendo, Aguirre e Solari (Savoy); Yazalde, Veglio (Minitti) e Más. Técnico: José Maria Minella.

Nota do blog:

Esses jogadores pertenciam aos seguintes clubes:
Botafogo: Moreira, Leônidas, Valtencir, Carlos Roberto, Gerson, Jairzinho, Roberto e Paulo César Lima.
Vasco da Gama: Brito, Nado e Nei Oliveira.
Fluminense: Félix.
Flamengo: Murilo.

Os primeiros três minutos foram apenas de estudos, pois nenhum dos ataques conseguiu penetrar na área adversária. Os argentinos, bem plantados na defesa, com Perfumo na sobra e três jogadores no trabalho de vaivém, formavam uma massa compacta que impedia todas as manobras do ataque brasileiro, que insistia nas jogadas pelo miolo.
Os brasileiros, embora com zagueiros jogando em linha, mantinham Carlos Roberto e Gerson à frente da área, contando ainda o trabalho defensivo com o recuo de Paulo César e Nado para auxílio no trabalho de desarmar.
Até os 20 minutos, o panorama não se modificou, com os argentinos um pouco mais perigosos, principalmente porque ganhavam a maioria das bolas divididas e exploravam muito bem as indecisões de Moreira, Brito e Valtencir, notadamente os laterais.
Na altura dos 25 minutos, Félix fez duas defesas excelentes, salvando dois gols certos em jogadas consecutivas, a primeira de pé em última instância, e a segunda mergulhando no canto direito para espalmar a corner.
Nado, muito esquecido nas manobras ofensivas e colocando-se em impedimento quando era lançado, começou a melhorar de produção a partir dos 35 minutos, vencendo sistematicamente seu severo marcador, Malbernat.
Félix e Brito salvaram um gol certo aos 40 minutos, estourando a bola com Yazalde, que entrava livre pela área. No minuto seguinte, depois de uma trama do ataque brasileiro, a bola sobrou na esquerda para Valtencir, que chutou de primeira, fora da área, e inaugurou a contagem, passando a bola por um bolo de jogadores para penetrar no canto esquerdo do goleiro.

ESPETÁCULO NO FIM

Com a desvantagem no marcador, os argentinos tiveram que desmanchar o seu sistema rigidamente defensivo para partir em busca do gol do empate. Isso facilitou enormemente a tarefa dos brasileiros, que passaram a ter mais espaço para os lançamentos aos atacantes.
Logo aos 5 minutos, Nado fez um cruzamento longo da direita e Roberto, quase junto a trave direita, cobriu o goleiro com uma linda puxeta, colocando a bola no canto esquerdo e aumentando o placar para 2 x 0.
Os brasileiros cresceram ainda mais de produção, com Gerson brilhando todas as vezes que se lançava às manobras ofensivas, ao mesmo tempo que Paulo César conseguia boas investidas pelo seu setor, vencendo sempre o seu marcador.
Aos 20 minutos, Savoy entrou no lugar de Solari e dois minutos depois Murilo substituiu Moreira, que saiu contundido. Nado voltou a ser acionado mais constantemente a partir dos 24 minutos e arrancou aplausos da torcida. Roberto perdeu gol certo ao tentar cobrir Sanchez, frente a frente com ele, após passe de Jairzinho, aos 28 minutos. Minitti entrou no lugar de Solari no minuto seguinte e Roberto marcou o terceiro gol do Brasil aos 32 minutos. A jogada nasceu com Gerson, num “rush” sensacional pela esquerda, deixando para Paulo César, que cruzou forte e rasteiro para a área. Na marca do pênalti, Roberto parou, ajeitou e chutou forte para o ângulo direito do goleiro.
Nei substituiu Roberto. Pouco depois, os brasileiros iniciaram um “olé” de 2 minutos e 30 segundos, quando foram trocados 53 passes, a partir do 38º minutos, que só terminou com a marcação do quarto gol, um dos mais bonitos vistos no Maracanã, culminando com uma tabelinha entre Nei e Jairzinho, tendo este completado para as redes, sob o delírio da torcida brasileira.
Os argentinos foram à frente após a nova saída e quando parecia que o placar não sofreria mais nenhuma alteração, pois o relógio assinalava o último minuto do jogo, Minitti cobrou um corner da direita, Basile, como nas vezes anteriores, havia se adiantado e entrou para cabecear firme para o ângulo direito, sem defesa para Félix.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O BOTAFOGO DE TODOS OS TEMPOS (1)

As tentativas de estabelecer uma relação dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos - a que se têm entregue inúmeros teóricos do esporte - trazem, sempre, resultados discutíveis, aceitos por uns e rejeitados por outros. Isso se deve, em grande parte, ao fato de os critérios de avaliação adotados por aqueles teóricos se apoiarem, muitas vezes, em dados subjetivos: o gosto pessoal, a experiência, o modo de analisar jogos e jogadores, o próprio temperamento de quem está julgando. Tais dados, somados ao entusiasmo ou mesmo paixão que o futebol habitualmente desperta, não apenas no torcedor comum, mas também no observador neutro, tornam qualquer relação questionável, sendo seu valor, por isso, relativo.
O desempenho de um jogador em determinada partida, no curso de um campeonato e, sobretudo, ao longo de sua carreira, não é matematicamente mensurável. Nele, não existe o recorde, o número absoluto que permite comparações de performances registradas em épocas e lugares diversos. Mesmo quando os critérios de avaliação se baseiam em dados objetivos, de ordem técnica, tática ou estratégica, uma seleção dos "maiores jogadores de futebol de todos os tempos" será sempre polêmica, o melhor para um crítico não o sendo para outro; do mesmo modo, em todos os países, quando se forma uma seleção nacional, raramente se consegue para ela aprovação unânime, de um lado o selecionador indicando os seus 22 melhores, do outro a imprensa e a opinião pública discordando da escolha deste ou da omissão daquele jogador.
A seção O BOTAFOGO DE TODOS OS TEMPOS pretende, apenas, incluir alguns dos jogadores em torno de cuja importância histórica sempre houve certa unanimidade por parte da crítica nacional. Por sua técnica, feitos, fama e inovações introduzidas na prática do jogo, todos eles podem situar-se entre os melhores em suas posições, em todos os tempos.

O BOTAFOGO DE TODOS OS TEMPOS (1)

Iniciamos essa seção com uma pesquisa realizada pela revista Placar, no ano de 1982.
Em seu número 652, de 19.11.1982, foram computados 30 votos, dentre os quais dez jornalistas (Armando Nogueira, Oldemário Touguinhó, Luís Mendes, João Saldanha, Luís Carlos Melo, Sandro Moreyra, Geraldo Romualdo da Silva, Haroldo Habib, Waldir Amaral e Luís Roberto Porto), cinco torcedores ilustres (Osvaldo Sargentelli, Agnaldo Timóteo, Régis Cardoso, Otávio Pinto Guimarães e Jerônimo Bastos), três ex-jogadores (Nilton Santos, Emmanuel Viveiros de Castro-Maninho e Paraguaio) e sete dirigentes/membros da comissão técnica (Juca Mello Machado, Althemar Dutra de Castilho, Charles Borer, Xisto Toniato, Lídio Toledo, Paulo Amaral e Édson Bentes). Além deles, cinco torcedores desconhecidos.
Assim ficou a quantidade de votos de cada jogador em suas posições (utilizando o clássico sistema 4-3-3):

GOLEIRO
Manga, 24 votos
Vítor, 5
Osvaldo Baliza, 1.

LATERAL-DIREITO
Carlos Alberto Torres, 21
Zezé Procópio, 5
Rubinho, 1
Zezé Moreira, 1
Perivaldo, 1
Pamplona, 1.

ZAGUEIRO-CENTRAL
Basso, 13
Brito, 8
Leônidas, 5
Gerson dos Santos, 3
Couto, 1.

QUARTO-ZAGUEIRO
Leônidas, 13
Nilton Santos, 11
Nariz, 3
Alemão, Brito e Gerson dos Santos, 1.

LATERAL-ESQUERDO
Nilton Santos, 19
Marinho Chagas, 4
Canalli e Rildo, 3
Juvenal, 1.

MÉDIO-VOLANTE
Didi, 20
Martim Silveira, 4
Ávila, 2
Afonsinho, Juvenal, Pampolini e Nei Conceição, 1.

MEIA-DIREITA
Gerson, 19
Didi, 9
Geninho e Nilo, 1.

MEIA-ESQUERDA
Zagalo, 9
Gerson, 8
Geninho, 4
Nilo, 3
Quarentinha e Heleno de Freitas, 2
Amarildo e Paulo Tovar, 1.

PONTEIRO-DIREITO
Garrincha, 30 (único jogador que foi unanimidade!)

CENTRO-AVANTE
Heleno de Freitas, 16
Jairzinho, 4
Roberto Miranda, 3
Leônidas da Silva e Carvalho Leite, 2
Quarentinha, Paulinho Valentim e Pirilo, 1.

PONTEIRO-ESQUERDO
Patesko, 9
Amarildo, 8
Jairzinho, 6
Braguinha e Zagalo, 2
Roberto Miranda, Mimi Sodré e Quarentinha, 1.

Obs.:
Na ponta-esquerda, a revista resolveu somar os pontos obtidos nas demais posições do ataque e Jairzinho saiu vencedor, com 10 votos, contra 9 de Patesko e Amarildo.

A EXCURSÃO DO BOTAFOGO AO RIO GRANDE DO SUL EM 1931

O Botafogo aproveitou a suspensão do campeonato carioca de 1931 para realizar, pela primeira vez, uma excursão ao Rio Grande do Sul, para onde embarcou no vapor “Araçatuba”, a 16 de junho. O clube carioca viajou desfalcado de três dos seus principais jogadores, todos eles emprestados ao Vasco da Gama para uma excursão a Europa: Nilo, Carvalho Leite e Benedito.
A delegação foi chefiada por Alarico Maciel, seguindo como técnico o húngaro Nicolas N. Ladanyi e levando três jogadores de outros clubes cariocas: o goleiro Sylvio e o atacante Carola, do América, e o meia Nena, do Serrano, de Petrópolis, gentilmente emprestados por seus clubes.
Apesar de ter chegado muito cedo, dirigentes dos clubes Internacional e Grêmio, promotores da excursão, foram ao cais receber a delegação carioca, que se hospedou no Hotel Americano.
No mesmo dia da chegada a Porto Alegre, 21 de junho, perante grande assistência calculada em 20 mil pessoas, o Botafogo estreou no Estádio dos Eucaliptos, contra o Internacional, empatando em 1 x 1. Cobrando pênalti cometido em Javel, o Internacional marcou primeiro, aos sete minutos da primeira etapa do jogo, através de Honório. Álvaro empatou no final do segundo tempo. O Botafogo formou com Sylvio, Póvoa e Rodrigues; Affonso, Martim e Benevenuto; Álvaro, Juca da Praia (Octacílio), Carola, Nena (Rogério) e Celso. Defenderam o Internacional Penha, Miro e Risada; Ribeiro, Magno e Moreno; Nenê, Javel, Alfredo, Honório e Ricardo.
Esse jogo com o Botafogo foi o primeiro da história do Internacional contra equipes de outros Estados.
Três dias depois, 24 de junho, o Botafogo venceu o Grêmio por 2 x 1, no campo deste, na Baixada. Aos 12 minutos de jogo, Laci abriu o marcador para o tricolor gaúcho. A virada do Botafogo aconteceu no segundo tempo, com Álvaro, aos cinco minutos, e Octacílio, através de um gol irregular segundo os jogadores do Grêmio (teria ajeitado a bola com a mão).
O time do Botafogo foi quase o mesmo do primeiro jogo, entrando Canalli no lugar de Afonso, e Rogério substituindo Nena na meia-esquerda. O Grêmio jogou com Lara, Dario e Sardinha; Mabília, Poroto e Russo; Laci, Artigas, Luiz Carvalho, Foguinho e Nenê.
Em sua última partida em Porto Alegre, o Botafogo enfrentou, no dia 28 de junho, um combinado de jogadores do Grêmio e do Internacional. A mesma multidão que presenciou os jogos anteriores assistiu ao desenrolar dessa partida, que terminou com o placar de 4 x 1 favorável ao combinado gaúcho. O Botafogo formou com Sylvio, Póvoa (Hermínio) e Rodrigues; Canalli, Martim (Tupi) e Benevenuto; Álvaro, Paulinho, Carola, Nena (Otacílio) e Celso. O combinado gaúcho atuou com Penha (Internacional), Dario e Sardinha (ambos do Grêmio); Ribeiro (Internacional), Magno (Internacional) e Poroto (Grêmio); Nenê (Internacional), Foguinho (Grêmio), Luiz Carvalho (Grêmio), Honório (Internacional) e Nenê (Grêmio).
No primeiro tempo, Luiz Carvalho e Honório marcaram para o combinado. No segundo, Honório ampliou o placar para 3 x 0, Celso diminuiu e Foguinho definiu o placar de 4 x 1 a favor dos gaúchos. Dois foram os árbitros do jogo: Jean Ryll no primeiro tempo e João Pedro Rosário no segundo.
Depois desse jogo, seguiu o Botafogo para a cidade gaúcha de Pelotas, onde venceu, em 3 de julho, o C. A. Bancário, por 4 x 2, gols de Celso (2), Álvaro e Paulinho. O time botafoguense foi esse: Germano, Póvoa e Rodrigues; Afonso, Martim (Almo) e Canalli; Álvaro, Paulinho, Carola, Otacílio e Celso.
Rumou o Botafogo para a cidade de Rio Grande, onde enfrentou e venceu o S. C. Rio Grande, por 2 x 1, no dia 5 de julho, com dois gols de Celso. Formou o Botafogo com Germano, Póvoa e Rodrigues; Afonso, Martim (Almo) e Canalli; Álvaro, Paulinho, Carola, Otacílio e Celso. O Rio Grande jogou com Grandjean, Menestrino e Horácio; Quengão, Carruíra e Reprega; Donato, Sanga, Degani, Palhares e Tatu.
Segundo o livro S. C. Rio Grande Centenário do Futebol Brasileiro, de Miguel Glaser Ramos, houve empate em 2 x 2, com os gols do Rio Grande sendo marcados por Tatu e Sanga. Além disso, o setor defensivo do Botafogo teria sido o seguinte: Sylvio, Hermínio e Rodrigues; Benevenuto, Martim e Canalli. Qual o correto?
Retornou a Pelotas e enfrentou o S. C. Pelotas no dia 8 de julho, vencendo-o por 3 x 2, gols de Celso (2) e Juca, com essa equipe: Sylvio, Otacílio e Rodrigues; Afonso, Benevenuto e Canalli (Rogério); Álvaro (Nena), Martim, Carola, Juca e Celso.
A delegação botafoguense regressou ao Rio de Janeiro a 13 de julho.

Fontes:
O Futebol no Botafogo (1904-1950), de Alceu Mendes de Oliveira Castro
Jornal do Brasil
S. C. Rio Grande Centenário do Futebol Brasileiro, de Miguel Glaser Ramos

OBS.: as dúvidas e as divergências existentes nas matérias do blog podem ser solucionadas com a participação dos amigos pesquisadores.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

PORQUE CRIAR ESSE BLOG?

Sou torcedor do Botafogo de Futebol e Regatas desde o dia 28 de março de 1957, quando nasci.
Quis o destino que fosse num ano em que o Botafogo se consagrou campeão carioca de futebol.
De lá para cá, sempre escutei essa frase que dá nome ao blog.
Filho de botafoguense, botafoguense é! Assim foi comigo e com meus três irmãos.
Durante todos esses anos, juntei e colecionei um vasto material inerente ao alvinegro carioca.
Neste blog tentarei disponibilizar um pouco disso tudo para os botafoguenses do passado, do presente e do futuro. Logicamente, contando com a colaboração dos amigos botafoguenses.
Tentaremos mostrar coisas que aconteceram, acontecem e acontecerão ao Botafogo!