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sábado, 24 de abril de 2010

JOGOS INESQUECÍVEIS (1)

Tá certo que pretendo colocar nessa seção os grandes jogos do Botafogo, mas resolvi inaugurá-la com esse, pois tem um gostinho especial: afinal de contas, não é todo dia que a Seleção Brasileira goleia a Argentina e tem, entre seus onze titulares, oito jogadores de um time só, o Botafogo.

FONTE: JORNAL DO BRASIL, DE 08.08.1968

BRASIL DÁ DE 4 a 1 NA ARGENTINA COM EXCELENTE EXIBIÇÃO

A seleção do Brasil, representada por jogadores do futebol carioca, venceu a seleção da Argentina por 4 a 1, ontem à noite, no Maracanã, com ótima exibição, principalmente no segundo tempo, quando proporcionou espetáculo extra para a torcida, fazendo rolar a bola de pé em pé durante cinco minutos sem que os adversários a tocassem.
Os gols foram marcados por Valtencir, aos 41 minutos do primeiro tempo, Roberto aos 5 e 32, Jairzinho aos 43 e Basile aos 44 do segundo tempo.
O árbitro foi Armando Marques e a renda somou NCr$ 122.300,75, com 39.365 pagantes.

INÍCIO FRACO

As equipes jogaram assim: Brasil – Félix, Moreira (Murilo), Brito, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gerson; Nado, Roberto (Nei Oliveira), Jairzinho e Paulo César Lima. Técnico: Zagalo. Argentina – Sanchez, Obberti, Perfumo, Basile e Malbernat; Rendo, Aguirre e Solari (Savoy); Yazalde, Veglio (Minitti) e Más. Técnico: José Maria Minella.

Nota do blog:

Esses jogadores pertenciam aos seguintes clubes:
Botafogo: Moreira, Leônidas, Valtencir, Carlos Roberto, Gerson, Jairzinho, Roberto e Paulo César Lima.
Vasco da Gama: Brito, Nado e Nei Oliveira.
Fluminense: Félix.
Flamengo: Murilo.

Os primeiros três minutos foram apenas de estudos, pois nenhum dos ataques conseguiu penetrar na área adversária. Os argentinos, bem plantados na defesa, com Perfumo na sobra e três jogadores no trabalho de vaivém, formavam uma massa compacta que impedia todas as manobras do ataque brasileiro, que insistia nas jogadas pelo miolo.
Os brasileiros, embora com zagueiros jogando em linha, mantinham Carlos Roberto e Gerson à frente da área, contando ainda o trabalho defensivo com o recuo de Paulo César e Nado para auxílio no trabalho de desarmar.
Até os 20 minutos, o panorama não se modificou, com os argentinos um pouco mais perigosos, principalmente porque ganhavam a maioria das bolas divididas e exploravam muito bem as indecisões de Moreira, Brito e Valtencir, notadamente os laterais.
Na altura dos 25 minutos, Félix fez duas defesas excelentes, salvando dois gols certos em jogadas consecutivas, a primeira de pé em última instância, e a segunda mergulhando no canto direito para espalmar a corner.
Nado, muito esquecido nas manobras ofensivas e colocando-se em impedimento quando era lançado, começou a melhorar de produção a partir dos 35 minutos, vencendo sistematicamente seu severo marcador, Malbernat.
Félix e Brito salvaram um gol certo aos 40 minutos, estourando a bola com Yazalde, que entrava livre pela área. No minuto seguinte, depois de uma trama do ataque brasileiro, a bola sobrou na esquerda para Valtencir, que chutou de primeira, fora da área, e inaugurou a contagem, passando a bola por um bolo de jogadores para penetrar no canto esquerdo do goleiro.

ESPETÁCULO NO FIM

Com a desvantagem no marcador, os argentinos tiveram que desmanchar o seu sistema rigidamente defensivo para partir em busca do gol do empate. Isso facilitou enormemente a tarefa dos brasileiros, que passaram a ter mais espaço para os lançamentos aos atacantes.
Logo aos 5 minutos, Nado fez um cruzamento longo da direita e Roberto, quase junto a trave direita, cobriu o goleiro com uma linda puxeta, colocando a bola no canto esquerdo e aumentando o placar para 2 x 0.
Os brasileiros cresceram ainda mais de produção, com Gerson brilhando todas as vezes que se lançava às manobras ofensivas, ao mesmo tempo que Paulo César conseguia boas investidas pelo seu setor, vencendo sempre o seu marcador.
Aos 20 minutos, Savoy entrou no lugar de Solari e dois minutos depois Murilo substituiu Moreira, que saiu contundido. Nado voltou a ser acionado mais constantemente a partir dos 24 minutos e arrancou aplausos da torcida. Roberto perdeu gol certo ao tentar cobrir Sanchez, frente a frente com ele, após passe de Jairzinho, aos 28 minutos. Minitti entrou no lugar de Solari no minuto seguinte e Roberto marcou o terceiro gol do Brasil aos 32 minutos. A jogada nasceu com Gerson, num “rush” sensacional pela esquerda, deixando para Paulo César, que cruzou forte e rasteiro para a área. Na marca do pênalti, Roberto parou, ajeitou e chutou forte para o ângulo direito do goleiro.
Nei substituiu Roberto. Pouco depois, os brasileiros iniciaram um “olé” de 2 minutos e 30 segundos, quando foram trocados 53 passes, a partir do 38º minutos, que só terminou com a marcação do quarto gol, um dos mais bonitos vistos no Maracanã, culminando com uma tabelinha entre Nei e Jairzinho, tendo este completado para as redes, sob o delírio da torcida brasileira.
Os argentinos foram à frente após a nova saída e quando parecia que o placar não sofreria mais nenhuma alteração, pois o relógio assinalava o último minuto do jogo, Minitti cobrou um corner da direita, Basile, como nas vezes anteriores, havia se adiantado e entrou para cabecear firme para o ângulo direito, sem defesa para Félix.

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